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"Em pleno dia, [deputado do Chega] olha para mim e diz-me 'boa noite'"

Em causa estão alegações de insultos racistas e misóginos contra deputadas por parte de parlamentares do Chega.

"Em pleno dia, [deputado do Chega] olha para mim e diz-me 'boa noite'"
Notícias ao Minuto

19:37 - 21/05/24 por Notícias ao Minuto com Lusa

Política CHEGA

A antiga deputada socialista Romualda Fernandes, bem como a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, corroboraram, esta terça-feira, as palavras da parlamentar do PS Isabel Moreira, que relatou insultos racistas e misóginos dirigidos a deputadas por parte do Chega. 

"Confirmo que aconteceu e sou capaz de identificar, nomeadamente, o deputado que me dirigiu essas ofensas. Cruzando-me com ele no corredor para a Assembleia, ia eu para uma reunião das comissões, para a sala das comissões, quando abro a porta, em pleno dia, olha para mim e diz-me 'boa noite'. Tomei aquilo como um ofensa e eu percebi do que é que se estava a tratar", disse Romualda Fernandes, em declarações na SIC Notícias, depois de ser interrogado sobre se havia sido vítima de insultos por parte de deputados do Chega. 

"Riu-se, pelo tom, pela forma jocosa como disse, e prosseguiu rindo-se", acrescentou a ex-deputada, referindo ainda que voltou a encontrar-se com "essa mesma pessoa" numa reunião da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e que a mesma "voltou a olhar" e a "rir-se". 

Romualda Fernandes disse não saber "o nome" do deputado em causa, mas assegurou ser "capaz de o identificar", lembrando que já havia relatado este episódio anteriormente. 

"É uma ofensa, senti como ofensa, e foi dirigido com o intuito de me ofender", frisou. A antiga parlamentar recordou que, na altura, a questão foi levada a uma reunião do grupo parlamentar do PS, que "disse que ia levar" o assunto à conferência de líderes, "mas não aconteceu nada". 

Também Inês Sousa Real confirmou este tipo de insulto. "Infelizmente, sim. Sabemos que estas situações, este bullying persistente por parte do Chega não é novidade", disse a líder do PAN, em declarações à mesma estação televisiva. 

"A origem é sempre do mesmo grupo parlamentar. Ventura tem de deixar de se lamuriar", acrescentou.

A deputada defendeu ainda que "o Chega escusa de ameaçar" com procedimentos judiciais e considerou que os "deputados e deputadas do Chega vão ter de deixar de se esconder atrás das saias" do presidente do partido e assumirem responsabilidade "por aquilo que dizem". 

"As pessoas lá em casa têm de saber que não, não é legítimo, não é correto, que um deputado se dirija a alguém dizendo 'boa noite' em função da cor da pele ou, quando uma deputada se levanta para falar, comecem a imitar vacas ou comecem, por exemplo, a falar da condição corporal ou comecem a gozar por alguém ser mais baixo. Isto chega a ser infantil! Comigo já aconteceram vários episódios", relatou.

Inês Sousa Real lembrou ainda quando, há uns anos, sofreu uma queda, na qual fraturou duas vértebras: "Ouvi coisas como 'vê lá se não cais outra vez'". 

"Isto não é liberdade de expressão", defendeu.

Recorde-se que o tema voltou a estar em discussão depois de, esta terça-feira, numa entrevista ao Observador, Isabel Moreira, deputada do PS, ter revelado alegados episódios de racismo e misoginia que tiveram como protagonista o partido Chega. 
 
Nestas declarações, a socialista reportou insultos relacionados com a orientação sexual, deputadas chamadas de "vaca" e sons a imitar 'mugidos' em que os alvos são, na maioria das vezes, mulheres.

"Quando estamos a passar nos corredores da Assembleia da República ou nos corredores do hemiciclo para falar, eu já ouvi coisas como vaca, mugidos ou nomes que normalmente chamam a deputadas que são assumidamente lésbicas", avançou ao mesmo meio. 

Isabel Moreira deu ainda conta do episódio agora confirmada pro Romualda Fernandes, ao referir-se a situações em que, ao meio-dia, foi dirigido um 'boa noite' a uma deputada negra: "Que é uma coisa normal de se dizer ao meio dia a uma pessoa negra", ironizou.

Os alegados casos ocorrerão sempre "com o microfone fechado, para não serem ouvidos e para serem só ouvidos pela pessoas que estão a injuriar", destacou a socialista, considerando existir um "quotidiano infernal, ingerível" no Parlamento, devido a "uma ofensa e injúria permanente". 

André Ventura foi, hoje, questionado sobre a acusação da deputada do PS, e alegou que o seu grupo parlamentar é o "mais atacado" e disse que já por "várias vezes" cumprimentou Isabel Moreira e não teve resposta.

"Não sei de que racismo é que ela [a deputada Isabel Moreira] está a falar, nós somos a única bancada que tem negros no Parlamento", fez também questão de frisar. 

Mais tarde, Ventura veio anunciar que o Chega vai avançar com um procedimento judicial contra Isabel Moreira caso esta não apresente provas dos insultos racistas e misóginos de que acusou o partido.

"Porque foi grave dizer que o Chega tem este tipo de comportamento quando ela sabe perfeitamente que os seus colegas de partido têm um comportamento igual ou pior connosco, e comigo em particular", disse, em declarações aos jornalistas.

"Se houver provas nós cá estaremos para as analisar, agora não se faz acusações destas sem provas", rematou.

[Notícia atualizada às 19h56]

Leia Também: Chega ameaça processar Isabel Moreira, pede provas para acusações 

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