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Recandidatura "acentua a abstenção que tem também a componente Covid"

Francisco Louçã analisou a última semana da campanha eleitoral, as sondagens e antecipou o que se poderá esperar no domingo.

Recandidatura "acentua a abstenção que tem também a componente Covid"

No último dia da campanha para as eleições presidenciais, Francisco Louçã analisou a última semana, as sondagens e antecipou o que se poderá esperar no domingo. No seu espaço de comentário habitual na SIC Notícias, o fundador do Bloco de Esquerda começou por constatar ter existido uma "mudança importante na segunda semana da campanha", seguindo de imediato para as sondagens e para o problema da abstenção.

"Primeiro grande problema: Qual é o nível da abstenção?" questionou, respondendo de imediato que "foi elevadíssimo na eleição de há cinco anos, 51%. Houve mais gente que não votou do que a gente que votou". "Só foi superior em percentagem na recandidatura de Cavaco Silva, o que sugere que a intensidade da vontade de votar numa recandidatura, aliás como já se sabe mais ou menos, e neste caso é muito claro quem vai ganhar as eleições, é menor", continuou. "Isto evidentemente acentua o fator de abstenção que tem também a componente Covid e do medo das pessoas, mas é seguro votar", afiança o economista, explicando que "vai haver muito mais mesas de voto do que no domingo passado, por isso não haverá filas importantes" e que "as pessoas votarão com segurança".

No entanto, "há alguns indicadores que temem que a abstenção suba". "Claro que mesmo que suba, se chegar até 60% os resultados não são alterados, mas se for muito grande isso significa que o peso final de cada candidato não depende dos seus votos, depende da proporção da abstenção do seu eleitorado. Pode haver uma candidatura com 2% que apareça com 5%, uma candidatura de 10% que apareça com 6%, enfim, pode haver distorções completas", elaborou.

Passando às sondagens e, neste caso, chamando ao comentário a sondagem feita pela SIC, referiu que "parecem indicar uma vitória fácil de Marcelo Rebelo de Sousa, uma vantagem razoável de Ana Gomes sobre Ventura, uma consolidação do eleitorado de João Ferreira e uma recuperação de Marisa, que estava abaixo na semana anterior".

Sobre a sua visão da dinâmica da campanha, o fundador do Bloco de Esquerda começou por recordar a sua declaração de interesses, mas disse crer terem existido "alguns aspetos curiosos". "Ventura por exemplo foi conduzindo uma campanha muito agressiva que foi crescendo ao longo do tempo e que caiu na última semana porque se enredou na impopularidade de alguma agressividade mais histriónica e repetiu os temas identitários da sua campanha sobre questões que são mais declarações de violência política - os ciganos sempre - do que propriamente alguma proposta que possa dar sentido ao voto do seu eleitorado, que ele quer ir buscar ao PSD. Creio que a segunda semana lhe correu particularmente mal".

Já para João Ferreira, Louçã considerou que a segunda semana de campanha "correu bem". "É um candidato estruturado, sólido, muito consistente no discurso, mas que faz uma aposta arriscadíssima, que é a de fazer a campanha mais próxima do Partido Socialista, sendo um PCP um partido com uma identidade própria muito marcada. Mas foi o candidato que procurou aproximar-se de António Costa, fazer uma campanha que não se diferencia do Governo, ao usar a Constituição, que é um conjunto de regras e que ele tem razão sobre a sua importância, mas não é um programa de ação política, não resolve o problema de investimento público ou dos concursos para médicos, correu o risco de ter feito a campanha mais suave já feita por um candidato do PCP".

No caso de Marisa Matias "começou num ponto baixo, não ganhou terreno nos debates, começou com dificuldades e relançou a sua campanha no fim de semana. Insistiu muito no voto de Esquerda, no voto jovem e voto de mulheres. Teve aquele momento mágico, como lhe chamou, quando Chico Buarque a apoia na segunda-feira, isso aliás é posterior às sondagens, mas creio que se sentiu uma capacidade de recentrar o discurso, ganhar e transmitir confiança, veremos como isso se traduz depois nas eleições".

"Ana Gomes fez debates consistentes, mostrou o que queria fazer, tem causas próprias, polariza muito, fez uma campanha muito institucional, percebo neste contexto, mas fez nestes últimos dias uma aposta que acho surpreendente. Paulo Pedroso, seu diretor de campanha, apareceu na quarta-feira dizendo 'esta campanha não é para dentro do PS'. Foi a primeira e a última vez que ele apareceu só para dizer isto. E na quinta e sexta, Ana Gomes lançou a ideia de que esta era uma campanha para promover um sucessor de António Costa, ou seja, uma campanha para a disputa do congresso do PS. Acho isto estranho. Porque para já é um risco enorme para Pedro Nuno Santos, porque a votação desta candidata vai ficar tão longe de Sampaio da Nóvoa e tão longe dos 38% que o PS tem, que para António Costa vai ser muito fácil dizer como é que vai aparecer um sucessor se representa 13 ou 14% e eu tenho 38%. Não tem nenhum sentido. Para um eleitor normal é um pouco estranho. Porque é que um eleitor há-de votar num candidato presidencial por causa de uma disputa dentro de um partido. Há aqui qualquer coisa de estranho".

Por fim, deixou um apelo: "Acho muito importante que votem, que toda a gente vote, com a sua ideia, com a sua posição, com muito cuidado. O horário é muito amplo - das 8h às 19h - portanto é possível chegar a horas diferenciadas, não haverá filas e as pessoas devem votar".

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