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"Já não é preciso movimentos armados. A revolução faz-se nas urnas"

Gonçalo Madaleno, cabeça de lista do PTP nestas Europeias, é um dos entrevistados de hoje do Vozes ao Minuto.

"Já não é preciso movimentos armados. A revolução faz-se nas urnas"
Notícias ao Minuto

08:30 - 24/05/19 por Pedro Filipe Pina 

Política Gonçalo Madaleno

É neste domingo, dia 26 de maio, que os portugueses voltam às urnas para escolher os seus representantes em Estrasburgo.

Gonçalo Madaleno é o cabeça de lista do Partido Trabalhista Português (PTP). Aos 24 anos, surge como o candidato mais novo  nestas eleições Europeias, liderando aquela que é a candidatura com orçamento mais modesto, de apenas mil euros.

As dificuldades orçamentais não são novidades para Gonçalo Madaleno. "Sempre foi assim no nosso partido", conta o candidato que chegou aqui desafiado pelo pai, Amândio Madaleno, líder do PTP que sempre o aconselhou a "tentar ouvir as pessoas". 

O candidato, que no entretanto continua a trabalhar no escritório de advogados onde se estreou como estagiário no ano passado, acredita que já não vivemos tempos em que as revoluções se faziam com movimentos armados. "A revolução faz-se nas urnas", diz ao Notícias ao Minuto.

É uma grande vantagem ser o mais novo porque não tenho nenhuma das amarras a que infelizmente muitos políticos estão agarrados. Não tenho os vícios que os velhos políticos têmCom 24 anos, o Gonçalo Madaleno é o cabeça de lista mais novo nestas Europeias. A idade tem sido um obstáculo?

Pelo contrário. Acho que é uma grande vantagem porque não tenho nenhuma das amarras a que infelizmente muitos políticos estão agarrados. Não tenho os vícios que os velhos políticos têm. E digo ‘velhos’ sem desprimor a ninguém, que com a idade aprende-se muita coisa, mas infelizmente o que estamos a ver é que os políticos do sistema já estão presos a muitos vícios.

Uma das bandeiras que o PTP mais tem invocado é a da defesa dos jovens. Faltam vozes mais jovens na Europa?

Claro que faltam. Em 2009, os deputados do Parlamento Europeu com menos de 30 anos representavam cerca de 3,4%. Agora, com as última eleições, de 2014, o número baixou para 1,9%. A representação da juventude, quer no Parlamento Europeu, quer no interesse em participar em campanhas políticas, é cada vez menor e o que se vê hoje em dia são apenas críticas nas redes sociais mas que não ajudam a mudar o paradigma.

Se deixaria o Mário Centeno orgulhoso? Ele deve ter isso para gastar em pessoal num só diaO PTP conta com aquele que será o orçamento mais modesto destas eleições: Mil euros. O ministro Mário Centeno teria razões para ficar orgulhoso?

Se deixaria o Mário Centeno orgulhoso? Ele deve ter isso para gastar em pessoal num só dia. Mas nós, com o pouco dinheiro que temos disponível, conseguimos gastar nalguns panfletos e flyers e o resto é com a boa vontade dos apoiantes que acreditam na nossa mensagem e na nossa vontade de mudar o nosso sistema.

Como é que foi fazer campanha com tão pouco? Foi um obstáculo grande?

Não. Sempre foi assim no nosso partido. Não temos facilidades para cativar a comunicação social e não podemos oferecer prendas. As pessoas perguntam-nos ‘Tem canetas? Tem t-shirts?’. O nosso orçamento não o permite mas o que podemos transmitir é uma mensagem modesta e melhorar o nosso futuro e não tanto o espectáculo, que também serve para gastar dinheiro dos contribuintes.

A forma de José Manuel Coelho passar uma mensagem política era aquela porque os portugueses estão dormentes a todo o tipo de mensagensO PTP esteve para concorrer a estas eleições com José Manuel Coelho como cabeça de lista, ele que protagonizou alguns protestos mais invulgares.

Em relação ao José Manuel Coelho, a sua forma de passar uma mensagem política era aquela porque os portugueses estão dormentes a todo o tipo de mensagens, não querem saber de política.

Era uma forma de agitar?

Era, porque a maneira de a comunicação social dar alguma atenção é fazer algo de diferente. Mas nesta campanha o que se tentou fazer de diferente foi passar uma mensagem a quem não vota e a quem terá mais importância para o futuro do projeto europeu, que é a juventude. Daqui a 20, 30 anos seremos nós a tomar as rédeas da sociedade.

O que podem esperar de mim é procurar resolver os problemas das pessoas, quer seja dos reformados, dos jovens, dos desempregadosO que podem os portugueses esperar de diferente do PTP, com o Gonçalo Madaleno como cabeça de lista?

A minha personalidade desde já não permite esse tipo de protestos mas o que podem esperar de mim é procurar resolver os problemas das pessoas, quer seja dos reformados, dos jovens, dos desempregados. O objetivo é defender os ideais e não outro tipo de campanha, com folclores.

Como é que a campanha do PTP tem sido recebida nas ruas?

Felizmente, temos tido uma boa adesão. Temos falado com muita gente e temos sido bem recebidos, apesar de algumas pessoas que não se desmotivam dos grandes partidos e que dizem logo ‘não quero saber’ e coisas do género. Mas o que é de pesar é o desinteresse que muita gente tem pela política, que hoje em dia é cada vez mais importante.

Quais são as principais preocupações que têm ouvido?

Depende de quem fala connosco. As pessoas mais velhas, das baixas reformas e estes truques de magia, em que dizem que [as reformas] aumentam mas depois tiram de outro lado. Também a precariedade no emprego e a quase obrigatoriedade de jovens hoje em dia terem de se deslocar para outro país para sustentar a sua família. Temos iniciativas e propostas para resolver estas questões.

Felizmente, hoje em dia não é preciso sair à rua com movimentos armados para fazer uma revolução. A revolução é nos boletins de voto no dia 26O Gonçalo Madaleno já falou antes do desinteresse na política e a verdade é que as Europeias têm sido marcadas por abstenção. O que se pode fazer de diferente para que mais pessoas deem atenção às eleições Europeias?

Há que ver a causa do desinteresse. Na minha humilde opinião, as pessoas não conhecem muito bem para que serve o Parlamento Europeu. Primeiro tem de passar por aí, por uma pedagogia que passe às pessoas o que o Parlamento Europeu pode fazer por nós e a importância que tem nos nossos dias. A verdade é que, por exemplo, sem os fundos estaríamos um pouco menos desenvolvidos.

Felizmente, hoje em dia não é preciso sair à rua com movimentos armados para fazer uma revolução. A revolução é nos boletins de voto no dia 26. E é isso que temos de tentar passar às pessoas.

Como é que se começou a interessar pela política?

Vem do âmbito familiar. O meu pai [Amândio Madaleno, líder do PTP] sempre me cativou para tentar ouvir as pessoas e tentar resolver os problemas das pessoas. Hoje em dia a ideologia está um pouco diluída. A Esquerda e a Direita encontram-se em muitos pontos. E o meu interesse é tentar resolver os problemas das pessoas, é só isso. Não tenho interesse em melhorar a minha situação pessoal com a política.

Foi o seu pai que o desafiou a arriscar esta eleição, não foi? Que conselhos é que ele lhe deu?

Foi. E o conselho foi mesmo o que estava a dizer: tentar ouvir as pessoas e ser o mais claro e direto possível.

A abstenção e o voto em branco é um ‘quem cala consente’ com quem lá está. E votar no PTP no dia 26 pode mudar issoSe o PTP conseguir um lugar em Bruxelas, qual é que vai ser o principal ‘cavalo de batalha’ do partido?

Era bom que tivéssemos só um ‘cavalo de batalha’. Há muitos problemas que têm de ser debatidos e resolvidos na União Europeia. Um deles é o reforço da educação, que é fundamental. A bandeira principal da educação na União Europeia é o programa Erasmus e no plano de atividades de 2021 a 2027 sugere um aumento para 30 mil milhões. Essa proposta será aceite e até sugeria que fosse aumentada. E aqui Erasmus não é só o intercâmbio universitário. Também há para outros níveis escolares. Também há o Erasmus para os empresários jovens, para acederem ao mundo do trabalho enquanto estudam ou logo após os estudos, o que é muito importante para garantirem o seu futuro.

Ainda há um certo preconceito para com os partidos mais pequenos?

Pois, há muita gente que não tem interesse na política ou que já está presa a outros partidos. Mas o que nós tentamos passar é que os quatro ou cinco partidos que têm vindo a tomar as rédeas do nosso país não têm feito um bom trabalho e as pessoas querem uma revolução. O que queremos passar é que essa revolução é feita nas urnas. Enquanto a abstenção e o voto em branco é um ‘quem cala consente’ com quem lá está. E votar no PTP no dia 26 pode mudar isso.

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