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Hoje é o dia delas: Conheça cinco mulheres com histórias de sucesso

No dia em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o Notícias ao Minuto conversou com cinco mulheres portuguesas que dão cartas nas áreas em que desenvolvem a sua carreira profissional. Mas para todas há uma questão consensual: ainda há um longo caminho a percorrer.

Hoje é o dia delas: Conheça cinco mulheres com histórias de sucesso

No Dia Internacional da Mulher damos voz a cinco mulheres que se destacam nas respetivas áreas profissionais, algumas ainda muito dominadas pelo sexo masculino.

Todas salientam a importância de se assinalar este dia e de se refletir sobre a desigualdade que a sociedade do século XXI ainda impinge às mulheres.

Nenhuma diz ter sido assediada sexualmente ou sofrido discriminação ao longo da sua carreira, mas todas condenam as dificuldades que ainda hoje muitas mulheres encontram ao quererem marcar uma posição e sobressair no mundo profissional.

Isabel Stilwell, jornalista e escritora

Notícias ao MinutoIsabel Stilwell, escritora© Pedro Correia/Global Imagens

Aos 58 anos, Isabel Stilwell é uma conceituada jornalista portuguesa. Começou a trabalhar no Diário de Notícias, quando tinha 21 anos, tendo depois 'dado o salto'. Fundou e dirigiu a revista Pais & Filhos, foi diretora da revista Notícias Magazine durante 13 anos e directora do jornal Destak. Ao mesmo tempo, Isabel dedicou-se à literatura, sendo autora de vários livros de ficção, contos para crianças e romances históricos. Alguns destes últimos, inclusive, foram best-sellers nas livrarias nacionais.

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Isabel Stilwell sublinha que o papel da mulher na sociedade “foi sempre fundamental” e que, graças a “mulheres que viveram antes de nós”, hoje é dado um maior destaque ao sexo feminino. Porém, refere, “ainda estamos aquém” do desejável, mas o “caminho já está aberto” e agora é só preciso fazer uns “ajustes”.

Esses ajustes, defende, devem começar pela “educação” pois é através dela que se fazem as “grandes mudanças na sociedade” e a igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres, que é “tão elementar”, também passa pela educação.

Isabel Stilwell vê nas denúncias de assédio sexual que abalaram Hollywood, e que também foram feitas por cá, uma “coragem” por parte das mulheres que foram vítimas, mas teme que haja uma “radicalização” a este respeito, receando que possamos passar para uma fase de “constante guerrilha mútua” entre homens e mulheres.

Ser mulher e ter uma carreira profissional de sucesso, como é o seu caso, não é fácil e só se consegue “estabelecendo prioridades no dia-a-dia”. Isabel Stilwell considera que, por vezes, as mulheres, de forma consciente ou inconsciente, não têm confrontos diretos com os homens no âmbito profissional porque escolhem outros caminhos. O seu caso é um exemplo disso, pois apesar de ter começado no Diário de Notícias, acabou por mudar a sua carreira ao trabalhar em revistas cujo público-alvo são as mulheres e, desta forma, atingiu o topo da carreira sem ter que disputá-lo com um homem.

A mulher, diz a escritora, é generosa, muito inteligente e multifunções e são estas as características que fazem com que consiga superar todas as dificuldades com que se depara.

Pedimos que desse um conselho a todas mulheres e Isabel Stilwell foi perentória: “Não adiem a maternidade. É verdade que há mil inconvenientes em interromper carreiras para ter filhos, sobretudo quando se está a disputar esses lugares com os homens, mas é muito bom ser mãe. Não adiem, porque não vale a pena”.

Joana Montez, designer de vestidos de noiva

Notícias ao MinutoJoana Montez, designer© Joana Montez

Joana abriu o seu primeiro atelier de vestidos de noiva quando tinha 22 anos. Desde então tem somado sucessos. O crescimento do seu negócio, impulsionado pela exclusividade, levaram a sua marca além-fronteiras com os seus vestidos a desfilarem nas passerelles de países como o Dubai e os EUA. Atualmente, lança uma coleção anual que é a maior referência em Portugal no que a vestidos de noiva diz respeito.

Ao Notícias ao Minuto, Joana diz que as "mulheres têm um papel cada vez mais importante na sociedade", destacando o facto de conseguirem conciliar a vida profissional com a pessoal e bem. Não é fácil, admite, mas com a "organização" necessária é possível "dar resposta" aos dois mundos. No entanto, sublinha, os homens também têm que ajudar, pois a responsabilidade doméstica não pode recair apenas sobre os ombros das mulheres. Em sua casa, o marido ajuda "senão seria tudo muito mais difícil".

Embora confesse que não é o tipo de pessoa que celebra datas, admite que o Dia Internacional da Mulher reveste-se de especial importância, pois é uma forma de levar as pessoas a "refletirem sobre as mulheres e as próprias mulheres a refletirem sobre a sua vida e a forma como a gerem". E é na gestão do tempo que está a solução, pois, infelizmente, hoje em dia "muitas crianças estão um bocadinho abandonadas" devido ao tempo que, tanto o pai como a mãe passam no trabalho.

Desafiada a dar conselhos às mulheres, que descreveu como sendo "carinhosas, multifunções e uma força da natureza", a designer de sucesso diz que é "muito importante as mulheres definirem as suas prioridades". "Às vezes é preciso abdicar de algumas coisas a nível profissional para se conseguir dar a atenção devida à família. E isto é algo que é preciso a mulher saber fazer, pois é muito fácil começar a gerir a vida em função do trabalho".

Joana defende que as mulheres possam trabalhar até porque, no seu caso, a sua carreira trouxe-lhe "realização" pessoal e profissional. Mas confessa: "Houve alturas em que tive de tomar decisões para poder estar presente em casa, mas tomei a decisão certa e consegui encontrar um equilíbrio que funciona. O segredo está em encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional"

Marina Norton dos Reis, advogada e sócia da Cuatrecasas

Notícias ao MinutoMariana Nortos dos Reis, advogada© Cuatrecasas, Gonçalves Pereira & Associados, Sociedade de Advogados, SP, RL

Marina Norton dos Reis é sócia da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira & Associados, Sociedade de Advogados e, ao longo da sua atividade profissional, tem granjeado o reconhecimento de congéneres nacionais e internacionais. Recomendada por diversos anuários jurídicos, a causídica já foi destacada pelo jornal espanhol Expansión como sendo uma das 40 advogadas mais ativas em fusões e aquisições em Espanha devido ao número de transações concluídas em 2014. Para além disso, Mariana Norton dos Reis foi distinguida pela referida publicação com o prémio ‘Forty under 40’, atribuído aos 40 melhores advogados da Península Ibérica com menos de 40 anos e, em 2018, foi incluída pela referida publicação no Top 50 da lista InspiraLAw, dedicada ao reconhecimento da mulher na advocacia.

Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, fez o mestrado em Nova Iorque e esteve 14 anos em Madrid. Dedica-se especialmente às atividades de Societário e Comercial e de Fusões e Aquisições desde 2010, sendo que tem um 'know-how' acumulado em energias renováveis e infraestruturas, mais concretamente na assessoria a promotores, construtores e entidades financeiras na criação de 'joint-ventures' e na aquisição, venda e desenvolvimento de projetos. Regressou a Lisboa há apenas alguns meses e encontrou a metrópole “num momento de transformação, com um ambiente mais cosmopolita, dinâmico, com projetos novos e muitas oportunidades. Este foi um ótimo momento para voltar”, frisa. 

Em conversa com o Notícias ao Minuto, a propósito do Dia da Mulher, Mariana Norton dos Reis começa por explicar que “o mercado da advocacia dos negócios continua a ser, ao nível da cúpula, maioritariamente de homens, embora essa tendência tenha vindo a ser alterada. Já começámos a ver mulheres em posições de destaque nas sociedades de advogados portuguesas e internacionais”. Ao longo da sua ascensão profissional, a advogada não sofreu “nenhum tipo de discriminação, nem encontrou nenhuma barreira, exceto aquelas que derivam da questão da conciliação da vida pessoal com a profissional, nomeadamente os horários, ritmos e disponibilidades para ser conciliar uma carreira profissional com a vida familiar. A mulher tem dificuldade em estar presente nos dois mundos com a mesma intensidade”.

Porém, acrescenta, “esta é também uma realidade que tem vindo a ser alterada, na medida em que os homens já começam a assumir outras responsabilidades em casa e com a família. Começa a haver um maior equilíbrio entre o casal e isso dá mais oportunidade às mulheres para desenvolver a sua carreira profissional. E nós, mulheres, como educadoras, devemos transmitir esse exemplo aos nossos filhos. Temos um papel importante na formação das próximas gerações”.

Maria do Rosário Gama, presidente da APRe!

Notícias ao Minuto© Global Imagens

Maria do Rosário Gama criou a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!) em Portugal, tendo vindo a lutar pelos seus direitos e dignidade, em especial nos anos em que a austeridade tudo ‘levou’, sobretudo aos mais velhos. Em 2016, escreveu, em co-autoria, o livro ‘Os Sonhos não têm Rugas’. "Querendo com isto significar que, seja qual for a idade, nunca deve se deve desistir de sonhar ou de fazer projectos", diz ao Notícias ao Minuto

Numa altura em que tanto se fala de género, de igualdades e de desigualdades, Maria do Rosário Gama conta que, ao longo da sua vida profissional nunca sentiu dificuldades acrescidas por ser mulher, talvez pela profissão de professora do ensino secundário ser constituído maioritariamente por mulheres. Ocupou todos os cargos que se podem ocupar dentro de uma escola, além da principal função desempenhada: a de professora. 

Rosário Gama tem, claro, muitos sonhos a concretizar. Os pessoais, transversais a qualquer ser humano, e os “menos egoístas”. No lote destes últimos, destaca: “Gostaria que o envelhecimento fosse encarado sem preconceito, que os jovens e menos jovens se entendessem numa solidariedade intergeracional onde há muito para transmitir e muito para receber. Gostava que as desigualdades diminuíssem num país onde elas se têm vindo a revelar cada vez mais profundas, gostaria de ver cumpridos os Direitos Sociais plasmados na Resolução nº 46/91 das Nações Unidas”.

Sobre a mulher, e o papel desta na sociedade, nota que “apesar de alguns avanços continua a existir a discriminação”. “Basta falar em quotas para mulheres!”, pede, defendendo que se não houvesse discriminação, não seria necessário recorrer a esse mecanismo para a ocupação de cargos, na política, por exemplo”. E, o que acontece na maior parte das empresas, constata, é que não tem mulheres ou tem um número mínimo nos seus conselhos de administração. “Os salários para trabalho igual, nem sempre é igual”, lamenta, dando ainda o exemplo do papel da mulher em casa. Também aqui, apesar de alguns avanços, as mulheres "continuam a ser responsáveis pela casa e cuidados a prestar aos familiares, filhos, pais...

Há, por isso, um “longo caminho a percorrer”, sublinha, não deixando de frisar o quão lentamente se tem evoluído nesta questão. “O Dia Internacional da Mulher foi instituído, pelas Nações Unidas a 8 de Março de 1975, para homenagear as mulheres que  em 1857 organizaram uma marcha em Nova Iorque a fim de exigir melhores condições de trabalho e direitos iguais para homens e mulheres. Já lá vão 160 anos e continuamos a exigir o mesmo” sublinha, deixando, por fim, uma mensagem às mulheres:

"Seja qual for a sua idade, que estas não tenham receio de lutar pelos seus direitos, que não se inibam perante uma sociedade que discrimina, que ficar isolada em casa não resolve os problemas. Associem-se, participem civicamente e, principalmente, tentem envelhecer de forma ativa e saudável”, remata. 

Leonor Santos , criadora da empresa VINIDEAs

Notícias ao MinutoLeonor Santos , empreendedora© DR

Leonor Santos é a líder da VINIDEAs que tem como missão difundir e vulgarizar informação técnica aproximando todos os membros da fileira do vinho e contribuindo para dar dinamismo ao setor. É assim que a empresa se apresenta, e ganha ainda mais destaque quando é gerida por uma mulher, sendo este mundo dos vinhos muitas vezes associado aos homens. 

A empreendedora gere uma empresa só de mulheres, apesar de garantir que não é uma regra, e enaltece que o praticismo, a organização e a criatividade são características do sexo feminino que devem ser valorizadas cada vez mais. Apesar de viver num mundo em que o número de homens é vastamente superior, Leonor garante que nunca sofreu discriminação ou assédio, mas assume que em alguns setores e funções "ainda existe discriminação". 

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, salvaguardou que "o Dia da Mulher faz todo o sentido, pois é o dia em que devemos refletir sobre a história, as nossas conquistas do passado, o dia em que devemos parar e agradecer", sendo também relevante "para pensarmos sobre o futuro e sobre o que queremos fazer de diferente. Nós somos diferentes e temos coisas diferentes a alcançar"

Mas nem tudo são rosas e viver entre a vida pessoal e o trabalho não é fácil. Que o diga Leonor. "É difícil conseguir conciliar trabalho e família, a mulher na família tem ainda mais preocupações, acho que é mais difícil para a mulher e para o homem", ressalva, acrescentando que "os filhos merecem muita atenção e esse é um dos grandes problemas da sociedade: a mulher, com o desígnio da conquista, do querer ter bons resultados no trabalho, acaba por dar menos atenção aos filhos e eu tento que isso não aconteça".

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