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O estranho caso de Manuel Delgado, que fez a Raríssimas "raspar o tacho"

O ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, foi, claramente, uma pessoa muito importante para a Raríssimas, segundo o apurado pela TVI. Em entrevista à estação, após a qual pediu demissão do cargo, perdeu-se nas contradições.

O estranho caso de Manuel Delgado, que fez a Raríssimas "raspar o tacho"
Notícias ao Minuto

08:55 - 13/12/17 por Anabela de Sousa Dantas

País Raríssimas

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, foi esta terça-feira a primeira consequência efetiva da reportagem da TVI sobre as alegadas ilegalidades na Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras. O governante apresentou a demissão pouco antes da própria diretora da instituição, Paula Brito e Costa, sobre a qual recaem acusações de gestão danosa.

Terá sido a investigação da jornalista Ana Leal a forçar a saída do governante que, em entrevista para a segunda parte da reportagem da TVI, foi surpreendido com provas sobre pagamento de honorários e outros benefícios, em 2013, para pagar um serviço de consultoria à instituição, que se encontrava com problemas financeiros.

A TVI descobriu, através de emails trocados entre Paula Brito e Costa e o tesoureiro da Raríssimas, que Manuel Delgado aceitou prestar serviço como consultor na Raríssimas, no sentido de tentar inverter a situação financeira da associação, mas mediante várias condições: um salário bruto de 12 mil euros, carro, seguro de saúde.

Manuel Delgado primeiro desmentiu, mas depois foi confrontado com um email enviado para si pelo próprio tesoureiro, onde explicava que haviam pedido “ao ministro da Solidariedade e Segurança Social (…) apoio para equilíbrio financeiro” e que tinham sido concedidos 15 mil euros. “Vou dar instruções para raspar o tacho e pagar-lhe ainda hoje”, pode ler-se no email, segundo a reportagem.

O agora ex-governante não só não desmentiu aquela comunicação por email como ainda defendeu a validade deste pagamento: “Claro. Estava trabalhado. Estava feito. Também era melhor, não era? Quer dizer, não recebia?!”.

"Ele diz que o guito há-de aparecer"

A necessidade da contratação de Manuel Delgado como consultor era da maior importância para a diretora da Raríssimas, conforme a própria explicava, também por email: “(...) Eu sei que ele põe a casa no mapa do mundo e a fazer dinheiro!!! Ele diz que o guito há-de aparecer”, explicava, dizendo ainda que a entrada de Manuel Delgado até poderia “abanar o poder político, uma vez que ele é PS e homem de Correia de Campos”.

Uma entrevista pejada de contradições, à qual se soma a natureza da relação entre Manuel Delgado e Paula Brito e Costa. O ex-secretário de Estado negava relação pessoal com a diretora mas, no contexto de várias viagens feitas por ambos com dinheiros da instituição, foi questionado sobre esse tema, que desmentiu, tendo, no entanto, voltado atrás: “A Dra. Paula Brito e Costa disse que esta viagem feita desta maneira é mais económica”.

A diretora da Raríssimas, recorde-se, apresentou a demissão do cargo na sequência da polémica em torno da reportagem. Ao jornal Público, Paula Brito e Costa defendeu ter sido alvo de “uma cabala muito bem feita”.

Na segunda-feira, o ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, negou ter tido conhecimento de gestão danosa na Raríssimas. "Ao contrário do que tem vindo a ser afirmado por algumas pessoas e órgãos de comunicação, não é verdade que eu próprio ou os serviços do Ministério tenham tido conhecimento destas denúncias de gestão danosa, nem em agosto, nem em outubro", garantiu.

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