Atletas da UMinho e Emanuel Silva "despem-se de preconceitos"

Atletas e alunos da Universidade do Minho (UMinho) e o canoísta Emanuel Silva protagonizam um calendário com fotografias nus para angariar verbas para o Fundo Social de Emergência daquela instituição, que presta apoio a estudantes carenciados.

© Reuters
País Solidariedade

 

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Em declarações à Lusa, à margem da apresentação do calendário para 2017, o fotógrafo responsável pela iniciativa, Nuno Gonçalves, que é também treinador da equipa de judo da UMinho, explicou que, na raiz do projeto, está a "solidariedade e ajudar os que precisam".

A iniciativa teve início em 2013 e já conseguiu angariar cerca de 13 mil euros para aquele fundo, que se destina a ajudar estudantes com dificuldades económicas a "fundo perdido", ajudando diretamente cerca de 20 estudantes.

"É uma ideia interessante, bonito, inteligente e uma causa nobre, isso é o mais importante. Não é muitas vezes que se opta por este tipo de iniciativas para causas solidárias", explicou à Lusa o vice-campeão olímpico de canoagem Emanuel Silva, que dá o corpo ao mês de janeiro.

Segundo o atleta, o conjunto de fotografias que compõe o calendário não se foca "só no corpo perfeito", mas "consegue abordar o que é a sociedade portuguesa".

Para Emanuel Silva, esta "é uma boa forma de dar o corpo ao manifesto e bem mais simples do que a canoagem".

Diana Costa despiu-se pelo mês de abril: "Fiquei um bocado indecisa, mas eu sabia que se não participasse numa causa destas me ia arrepender um dia", admitiu a atleta de judo, para quem a nudez não foi um problema.

"A nudez foi fácil. O Nuno fez as coisas parecerem simples. Não houve problema em tirar a roupa e despir preconceitos. Gostei do resultado final", explicou.

"Quando se trabalha com atletas é muito natural estarmos despidos no meio das pessoas, encaramos a nudez de forma natural", disse à Lusa o responsável pelo projeto, que explicou ainda a base daquele trabalho: "Este calendário esta assenta na solidariedade, é a sua premissa básica. Estamos a produzir este calendário para ajudar os alunos que precisam".

O fotógrafo mostrou não estar preocupado com possíveis críticas ao projeto: "Voltaire disse que a pena era mais forte do que a espada e o que vemos aqui é pessoas a fazer, dispostas a tirar a roupa para ajudar", referiu.

À Lusa o presidente da Associação Académica da UMInho destacou a importância do Fundo Social de Emergência e deste tipo de iniciativas.

"Tem-se registado um crescimento na apresentação do número de candidaturas e na abrangência de estudantes apoiados. Estes calendários já permitiram apoiar duas dezenas de estudantes. Tem vindo a aumentar as vendas dos calendários", vincou.

Na apresentação do calendário esteve também a mãe de Emanuel Silva, que, tímida, mas visivelmente orgulhosa, mostrou orgulho no filho.

"É o mês mais bonito", desabafou.

 

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