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Têm de espremer seios para provar que amamentam

A uma das enfermeiras foi dito que se se recusasse a espremer os seios perderia o direito ao horário de amamentação previsto na lei.

O jornal Público dá conta, este domingo, dos casos de duas enfermeiras que foram obrigadas a provar que estão a amamentar os filhos. Tal não seria notícia se tivesse bastado uma declaração médica para comprovar o facto, mas o que as duas profissionais de saúde contaram ao Público não envolve qualquer declaração médica.

Maria Teixeira tem 34 anos e é enfermeira no Hospital de Santo António, no Porto. A instituição convocou-a para uma consulta de Saúde Ocupacional cujo objetivo é o de “proteção e vigilância da saúde e segurança” das grávidas e lactantes, analisando se as profissionais estão expostas a radiações ou a produtos químicos.

No entanto, revela o Público, o que se passou na consulta foi, segundo Maria Teixeira, “absurdo e ilegal”.

A médica questionou-a sobre se ainda amamentava e a resposta foi positiva – o filho de Maria fez um ano há pouco tempo. De seguida, foi-lhe pedido que espremesse o leite da mama para que ficasse comprovado que realmente amamenta.

“Pus a mama de fora e espremi para não acharem que o facto de reclamar significa que não amamento. Isto é bullying”, afirmou a enfermeira de 34 anos.

Do Hospital de São João, também no Porto, chega outro testemunho semelhante.

Uma enfermeira de 32 anos que preferiu não ser identificada contou que também ela foi chamada a comparecer a uma consulta de Saúde Ocupacional. O médico perguntou-lhe se amamentava e, perante resposta afirmativa, informou a profissional de que teria que provar de que falava verdade.

“Congelei com tamanha aberração”, contou a enfermeira que acabou por fazer a prova de amamentação à frente de uma colega depois de mostrar o seu constrangimento por ter de o fazer perante o médico. “Nem em frente ao meu marido espremo as mamas”, afirmou.

Depois de ter espremido o leite e assim comprovado que amamenta, a profissional diz que se sentiu “completamente violada”.

“Isto não é ético, é humilhante”, reforçou, revelando que o médico lhe disse que a prova era fundamental porque “infelizmente havia muita gente a abusar”.

A lei obriga a que as mulheres que amamentam entreguem todos os meses, depois de as crianças completarem um ano, uma declaração médica a dar conta da necessidade de amamentação. Até aos 12 meses, as mulheres têm direito a duas horas por dia para amamentar ou para fazer a aleitação (colocar o leite materno em biberão).

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