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Cristianianismo é "a religião mais perseguida", diz cardeal-patriarca

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, evocou hoje as vítimas dos ataques no Sri Lanka, durante a homília na Sé Patriarcal de Lisboa, e afirmou que o cristianismo é a religião mais perseguida no mundo atual.

Cristianianismo é "a religião mais perseguida", diz cardeal-patriarca

"Neste momento, em muitos lugares por esse mundo, como esta madrugada no Sri Lanka, outros cristãos celebram igualmente a Páscoa escondidos ou mal curados de feridas de desastres graves", disse o prelado, durante a celebração do "Dia da Ressurreição do Senhor".

De acordo com o cardeal, o cristianismo é hoje "a religião mais perseguida" no mundo atual.

"Quando mesmo na nossa Europa se sucedem profanações de igrejas, centenas em França no ano passado, e quando estas tristíssimas realidades nos poderiam desanimar e tolher, os cristãos continuam a entrever, por entre os sinais da morte, a presença de Cristo, que a venceu", declarou, perante os fiéis reunidos na Sé Catedral de Lisboa, entre os quais muitos estrangeiros.

Em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia, o cardeal transmitiu uma mensagem de solidariedade e de esperança à Igreja do Sri Lanka, com a qual a Igreja Católica Portuguesa mantém relações.

"As palavras nunca chegam. Estamos com os irmãos do Sri Lanka", disse, acrescentando que os ataques "não podem ter motivação religiosa", porque "quem é verdadeiramente religioso não faz mal aos outros, faz bem".

"A religião é aquilo que nos aproxima. Na religião estas ações não têm legitimidade", sustentou Manuel Clemente.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa, a mensagem da Páscoa é a da superação da morte.

"A Páscoa, a mensagem que nos traz, é que não há morte que possa extinguir definitivamente a vida", frisou.

Questionado sobre medidas de segurança para a celebração de hoje, indicou apenas que as autoridades estão atentas.

"No mundo em que vivemos, que é um mundo perigoso, a precaução é estarmos preparados para o que vier", referiu o cardeal.

Pelo menos 207 pessoas, entre as quais um português, morreram hoje nos ataques no Sri Lanka, que provocaram ainda 460 feridos, segundo os dados oficiais.

Em Colombo, capital daquele país asiático, registaram-se pelo menos cinco explosões: em quatro hotéis de luxo e uma igreja.

Duas outras igrejas foram também alvo de explosões, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra ao leste do país.

A oitava e última explosão, até ao momento, teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda, em que um 'kamikaze' feriu três polícias.

As primeiras seis explosões ocorreram "quase em simultâneo", pelas 08:45 (03:15 em Portugal), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais.

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