Manifestação violenta bloqueia conferência de Felipe González

Dezenas de manifestantes, muitos deles de cara coberta, inviabilizaram hoje com violência uma conferência do antigo presidente do Governo espanhol Felipe González (PSOE) na Faculdade de Direito da Universidade Autónoma de Madrid.

© Reuters
Mundo Espanha

Os muitos manifestantes exibiram cartazes com os dizeres "Vocês não são bem-vindos" ou "Fascistas fora da Universidade" e, na prática, bloquearam os trabalhos de hoje das jornadas sobre Sociedade Civil e Mudança Global.

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O debate de hoje, subordinado ao tema "Sociedade Civil, Espanha e Europa. O futuro não é o que era" contava com a presença de González, presidente do Governo espanhol pelo PSOE de 1982 a 1996, e com o presidente-executivo do grupo de media Prisa (detentor do El País), Juan Luis Cebrián.

A Universidade tinha conhecimento do protesto, mas assumiu que esta seria pacífica.

"O que se passa é que o nível de violência passou um pouco das marcas", explicou o catedrático de Direito Constitucional da Autónoma Antonio Rovira às cerca de 100 pessoas que se preparavam para assistir à conferência e que ficaram fechadas na Aula Magna da universidade enquanto os manifestantes esmurravam as portas e tentavam derrubá-las.

Rovira reconheceu que os responsáveis da faculdade ainda pensaram em chamar a polícia para que esta abrisse caminho "à força", mas descartaram essa possibilidade po considerar que este tipo de intervenção numa universidade apenas deve ocorrer em casos "muito excecionais".

A polícia em Espanha apenas pode intervir num recinto universitário se o reitor da Universidade assim o pedir.

Alguma imprensa espanhola, incluindo o El País (propriedade da Prisa), relacionou os incidentes com declarações recentes dos responsáveis do Podemos (esquerda radical) contra González, a quem acusa de querer entregar o poder em Espanha à direita do PP (Mariano Rajoy).

O secretário de Relações com a Sociedade Civil do Podemos, Rafael Mayoral, recusou fazer comentários sobre os incidentes na Universidade Autónoma de Madrid.

"Não vou opinar sobre estes dois senhores [González e Cebrián]. Penso que tudo o que tinham para dizer já o disseram antes. Não vou acrescentar mais nada", disse Mayoral aos meios de comunicação social no Congresso dos Deputados (parlamento).

 

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