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Tensão entre Israel e Espanha adensa-se. "Os dias da Inquisição acabaram"

"Faremos mal a quem nos fizer mal", alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, num comunicado onde garantiu que o país "não ficará em silêncio perante um governo que recompensa o terrorismo".

Tensão entre Israel e Espanha adensa-se. "Os dias da Inquisição acabaram"
Notícias ao Minuto

19:48 - 27/05/24 por Notícias ao Minuto

Mundo Israel/Palestina

Quase uma semana após o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ter anunciado a decisão de reconhecer o Estado da Palestina a partir de 28 de maio, a tensão com Israel permanece mais acesa do que nunca. Esta segunda-feira, o governo israelita alertou Madrid que "os tempos da Inquisição acabaram" e que o país "fará mal" a quem lhe fará mal.

"Os dias da Inquisição acabaram. Hoje, o povo judeu tem um Estado soberano e independente e ninguém nos obrigará a converter a nossa religião nem ameaçará a nossa existência: faremos mal a quem nos fizer mal", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, num comunicado onde anunciou que ordenou que o consulado espanhol em Jerusalém encerre os seus serviços a palestinianos a partir de 1 de junho.

Na rede social X (antigo Twitter), Katz defendeu que Israel "não ficará em silêncio perante um governo que recompensa o terrorismo e cujos líderes, Pedro Sánchez e Yolanda Díaz, entoam o slogan antissemita 'Do rio ao mar, a Palestina será livre'".

"Aqueles que recompensam o Hamas e tentam criar um Estado terrorista palestiniano não terão qualquer contacto com os palestinianos", acrescentou.

Numa outra publicação, o ministro defendeu que "o povo israelita e o povo espanhol são povos amigos", mas estão a ser separados pelos governantes. "Não permitiremos que nos separem, nem vocês Pedro Sánchez e Yolanda Díaz, nem os membros do vosso governo", reiterou.

Na semana passada, Yolanda Díaz, ministra do Trabalho e a número três do governo espanhol, foi criticada por Israel por ter afirmado que a "Palestina será livre do rio ao mar", uma frase ligada ao nacionalismo palestiniano, que não reconhece o Estado de Israel.

"Hoje comemoramos que Espanha tenha reconhecido o Estado palestiniano (...). Não podemos parar. A Palestina será livre do rio ao mar", disse Díaz num vídeo publicado nas redes sociais.

Na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita considerou ser "uma vergonha que a vice-primeiro-ministro de Espanha tenha apelado abertamente à destruição de Israel". 

No domingo, Katz partilhou uma montagem de vídeo nas redes sociais, onde mostrava duas pessoas a dançar flamenco, seguindo-se imagens alegadamente captadas por milicianos do movimento islamita Hamas durante o atentado de 7 de outubro de 2023.

O vídeo é acompanhado por uma mensagem no centro, onde é possível ler "Hamas: Gracias España", aludindo à ideia de que o reconhecimento do Estado da Palestina por parte de Espanha beneficiaria o movimento considerado terrorismo.

A publicação do vídeo foi criticada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, que o classificou como "escandaloso e execrável".

"Eu vi o vídeo, ainda antes de viajar para Bruxelas [...], é escandaloso e execrável. Todo o planeta sabe, incluindo o meu colega israelita que nós condenámos o Hamas e as suas ações", disse José Manuel Albares, em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana, Mohammad Mustafa, em Bruxelas (Bélgica).

Sublinhe-se que a Palestina é atualmente reconhecida por 143 países e amanhã, terça-feira, Espanha, Irlanda e Noruega avançarão com o reconhecimento.

Leia Também: Portugal quer "apoio sistemático" à Autoridade Palestiniana

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