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Artistas iranianos pedem boicote a instituições ligadas ao regime

Dezenas de figuras culturais iranianas assinaram um documento que pede o boicote às instituições do setor ligadas ao regime de Teerão.

Artistas iranianos pedem boicote a instituições ligadas ao regime

Os tumultos sociais no Irão continuam, mais de dois meses após o homicídio da jovem curda Mahsa Amini, e não mostram sinais de abrandamento. Em todos os setores da vida iraniana estes protestos têm feito mossa, e a Cultura não ficou de fora.

Dezenas de artistas iranianos fizeram um apelo à comunidade internacional para boicotar as instituições culturais que estão ligadas ao regime de Teerão, acusando os abusos de direitos humanos perpetrados pelo mesmo.

Escritores, artistas, académicos e realizadores de cinema iranianos, entre eles residentes no país e membros da diáspora, acusam o "Estado islâmico repressivo e despótico no Irão", reconhecendo e apoiando "sem reservas a coragem de todas as mulheres, homens e crianças do Irão na sua luta pelos direitos humanos fundamentais e o seu desejo claramente expresso de renovar o contrato social da nação".

Com esse pano de fundo, os signatários deste apelo pedem à comunidade internacional que boicote instituições governamentais do Irão e os seus "afiliados secretos", impedindo-os de "ter qualquer presença em arenas internacionais de artes, cultura e educação".

Também um posicionamento contra os "apologistas do regime que se apropriam indevidamente de discursos anti-imperialistas no Ocidente ou noutras partes do mundo para desviar a atenção da bem documentada violência estatal cometida contra o povo" é uma das exigências destes artistas, bem como o apoio aos homólogos e colaboradores "que se opõem às atrocidades e abusos dos direitos humanos no Irão" e a criação de "redes de apoio para dissidentes e aqueles que estão a ser alvo, enfrentam intimidação ou correm o risco de danos nas mãos do regime".

Seis mil assinaturas contra intimidação de artistas

O texto faz também referência a um outro apelo, esse contando com mais de seis mil assinaturas, de figuras do setor cultural do país, em apoio aos estudantes de arte do país que enfrentam prisão e intimidação por participar dos protestos, que começaram há 10 semanas, após a morte de Mahsa Amini às mãos da chamada 'polícia dos costumes'.

"Nós, um grupo de artistas, académicos, críticos, historiadores de arte e curadores iranianos, declaramos a nossa solidariedade aos estudantes de arte iranianos na sua luta por igualdade, vida e liberdade. Com todo o nosso poder cultural e social, estamos firmemente com eles", pode-se ler no texto, onde os mesmos condenam "veementemente todas as formas de detenção, intimidação e repressão do regime", exigindo a libertação imediata e incondicional de todos os estudantes detidos.

Mahsa Amini, uma jovem curda de 22 anos, foi detida pelas autoridades iranianas em setembro deste ano, por "uso impróprio" do hijab. Acabou assassinada pelas mesmas e, em consequência, o país entrou num tumulto que se mantém ativo, em protestos que questionam o regime de Teerão instalado após a revolução de 1979.

Leia Também: Irão diz ter provas que Ocidente esteve envolvido em protestos

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