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Kyiv acusa Rússia de bombardear junto de central nuclear de Zaporijia

As autoridades ucranianas acusaram hoje as forças russas de bombardeamentos nas proximidades de central nuclear de Zaporijia, que terão vitimado 14 civis.

Kyiv acusa Rússia de bombardear junto de central nuclear de Zaporijia

O governador da região de Dnipropetrovsk, Valentin Reznitchenkoa, disse através da rede social Telegram que um ataque russo na última noite com vários mísseis Grad teve como alvo a cidade de Marganets, em frente à central de Zaporijia, na outra margem do rio Dnieper, e também a vila de Vychtchetarassivka.

Segundo a mesma fonte, nos ataques russos morreram pelo menos 14 civis.

"Oitenta foguetes foram disparados deliberada e insidiosamente em bairros residenciais, enquanto as pessoas dormiam nas suas casas", disse ele.

"Passámos uma noite horrível (...) É muito difícil retirar os corpos dos escombros", disse Reznitchenkoa.

A região de Dnipropetrovsk tem recebido refugiados do Donbass, mais a leste, epicentro da ofensiva russa no sudeste da Ucrânia.

Oleksandre Staroukh, o governador ucraniano da região vizinha de Zaporijia (Zaporizhzhia), parcialmente controlada pelas forças russas, relatou que um ataque russo matou um morador de 52 anos.

"Quatro mísseis foram disparados" na vila de Kouchougoum na manhã de hoje, escreveu no Telegram.

"Quatro casas particulares foram completamente destruídas. Várias dezenas de casas ficaram sem telhados ou janelas. O fornecimento de gás e eletricidade foi cortado", acrescentou.

O grupo dos países mais industrializados (G7) acusou hoje Moscovo de "pôr em perigo" a região ucraniana em torno da central nuclear de Zaporijia, ocupada por forças russas, e exigiu que as tropas deixem a infraestrutura.

Num comunicado emitido pela Alemanha, que detém atualmente a presidência do G7, o grupo refere que "é o controlo da Rússia sobre a central que coloca a região em risco", e que "o pessoal ucraniano que opera a central nuclear de Zaporijia deve poder desempenhar as suas funções sem ser ameaçado ou pressionado".

O grupo das sete potências mostrou-se ainda "profundamente preocupado com a grave ameaça" que os militares russos representam para a "segurança" das instalações nucleares da Ucrânia.

A central nuclear de Zaporijia, no sudeste na Ucrânia, tem motivado acusações mútuas entre Moscovo e Kiev, cada um afirmando que o lado opositor bombardeou as instalações nucleares na semana passada, sem que nenhuma fonte independente pudesse confirmar.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, levantou o espetro de um desastre nuclear como aconteceu em Chernobyl em 1986.

Na terça-feira à noite, o operador ucraniano, Energoatom, alegou que as forças russas estavam a preparar a ligação da central à Crimeia, uma península ucraniana anexada por Moscovo em 2014, e estavam a danificá-la ao realizar esta reorientação da produção de eletricidade.

Hoje prosseguiram também os bombardeamentos russos no Donbass, na região de Donetsk, onde a cidade de Soledar foi atacada numa altura em que as forças russas tentam expulsar o exército ucraniano para avançar em direção à cidade vizinha de Bakhmut.

Pavlo Kyrylenko, governador regional, disse esta tarde que pelo menos seis pessoas morreram e outras três ficaram feridas em ataques de artilharia russos contra uma zona residencial em Bakhmut.

"Segundo as primeiras informações, 12 prédios de apartamentos foram danificados e quatro estão em chamas", escreveu Kyrylenko no Telegram, acompanhando a sua mensagem com fotos dos bombeiros a combater os incêndios.

A força aérea ucraniana afirmou hoje que nove aviões de combate russos foram destruídos com as enormes explosões que sacudiram uma base aérea russa na Crimeia, uma perda negada por Moscovo.

A Rússia rejeita até que se tenha tratado de um ataque, alegando que se tratou de uma explosão acidental de munições na base de Saki, localizada na península anexada pelos russos à Ucrânia em 2014.

Por seu lado, Kiev não assumiu oficialmente a responsabilidade pelas explosões, mas questionou as explicações dos russos, argumentando que não fazem sentido.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 17 milhões de pessoas de suas casas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 16 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

A ONU confirmou que 5.327 civis morreram e 7.257 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 160.º dia, sublinhando que os números reais deverão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

Leia Também: Ucrânia. Espanha testa saída de cereais ucranianos por comboio

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