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Carlos "o Chacal" de novo em tribunal para revisão da 3.ª prisão perpétua

O terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido por Carlos, voltou hoje de novo ao banco dos réus de um tribunal, que vai rever a terceira condenação a prisão perpétua sentenciada pela justiça francesa.

Carlos "o Chacal" de novo em tribunal para revisão da 3.ª prisão perpétua

Sorridente, Carlos, também conhecido como "o Chacal", chegou ao tribunal vestido de casaco escuro, saudou alguns apoiantes e queixou-se dos agentes, que o revistaram. E depois recordou que está em França de "férias forçadas há 27 anos e meio", o tempo que passou preso desde que foi detido no Sudão, em 1994.

O Tribunal Penal de Paris deverá rever a condenação proferida em recurso em 2018, por um atentado cometido em 1974 com uma granada, num centro comercial de Paris que matou duas pessoas e feriu 34.

O Supremo Tribunal de Justiça mandou rever a condenação em 2019 e anulou uma das acusações, a de transporte de armas, mantendo outras, como homicídio, tentativa de homicídio e destruição com explosivos.

A advogada do autointitulado "revolucionário profissional", Isabelle Coutant-Peyre, pediu a anulação de toda a condenação ao considerar que o transporte de armas era uma condição prévia necessária à prática de outros crimes.

"Não se podem cometer esses crimes se se admite que não existiu esse delito", disse a advogada, um argumento rejeitado pela acusação e também pelo tribunal, que decidiu continuar a audiência na próxima sexta-feira.

Carlos tentou intervir em vários momentos mas o juiz presidente impediu-o.

No primeiro dia do julgamento, dedicado a estabelecer a personalidade do homem que os serviços secretos franceses implicam em vários atentados, foram ouvidas várias testemunhas e peritos judiciais.

Em várias ocasiões, "o Chacal" interrompeu as testemunhas para prestar esclarecimentos, o que mostrou que, como testemunhou um perito forense, ele está em perfeito estado mental.

Carlos, com quase 72 anos, foi condenado a prisão perpétua em duas outras ocasiões em França: em 1997 pelo assassinato de dois agentes dos serviços secretos franceses e de um informador, e em 2011 por quatro atentados que causaram 11 mortes e quase 200 feridos.

Este terceiro caso, o último contra ele em França, valeu-lhe outra prisão perpétua, que será agora analisada.

Carlos é acusado de ser um braço armado da Frente Popular de Libertação da Palestina e responsável pelo atentado, para pressionar a França a libertar um membro do Exército Vermelho Japonês, detido em Orly.

Os serviços secretos franceses atribuíram-lhe outros atentados e ações espetaculares, como a tomada de reféns na embaixada francesa em Haia, a tentativa de ataque a dois aviões israelitas em Orly e o sequestro dos ministros do petróleo dos países produtores (OPEP) em Viena, tudo entre 1974 e 1975.

Após vários anos refugiado em países do leste europeu, ou em países árabes, os serviços secretos franceses acabaram por o prender no Sudão, em 1994.

Leia Também: Banco da Venezuela diz que foi alvo de ataque terrorista

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