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Vaga de frio provoca catástrofe no Texas apesar de três semanas de avisos

Três semanas de alerta meteorológico para uma histórica vaga de frio glacial no Texas e Estados vizinhos do centro-sul norte-americano foram insuficientes para evitar uma calamidade pública que devastou a rede elétrica e fez dezenas de mortos.

Vaga de frio provoca catástrofe no Texas apesar de três semanas de avisos
Notícias ao Minuto

00:28 - 20/02/21 por Lusa

Mundo Texas

Mesmo antes de a Meteorologia norte-americana ter começado a chamar atenção para a vaga de frio polar que se deslocava para sul, vários especialistas vinham alertando para o impacto do fenómeno, raro em regiões dos Estados Unidos mais habituadas a lidar com vagas de calor do que de frio. 

Judah Cohen, especialista em tempestades de neve da Atmospheric and Environmental Research, escreveu sobre o fenómeno pela primeira vez no seu blogue a 25 de janeiro, mais de 3 semanas antes de a vaga começar chegar ao Texas. 

O sinal de alerta no Ártico, de onde estava a escapar o frio polar, "estava literalmente no vermelho, era o mais forte que alguma vez vi", disse à AP. 

Uma semana depois, a 31 de janeiro, Kevin Kloesel, professor de meteorologia na Universidade do Oklahoma, emitiu um alerta local para temperaturas em nível de congelamento, e a 7 de fevereiro, quase uma semana antes de o frio extremo se abater sobre a região, estava a enviar vários alertas por dia.

O frio extremo começou a instalar-se no sul do país no fim-de-semana de 13 de fevereiro e prolongou-se por cerca de uma semana.

Apesar dos alertas, condições meteorológicas que no Estado do Texas incluíram temperaturas de -18ºC e queda de neve, causaram enormes estragos, obrigando vários Estados a declarar emergência, incluindo Alabama, Oregon, Oklahoma, Kansas, Kentucky e Mississippi.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional (NWS, na sigla em inglês), mais de 150 milhões de pessoas vivem nas regiões afetadas pelo frio glacial, tempestades de neve e outras condições climatéricas extremas.

O impacto ao nível do fornecimento de eletricidade, água ou aquecimento - 4 milhões de pessoas foram afetadas por falhas - vítimas mortais - 20 contabilizadas até ao momento - e transportes, está a levar a uma avaliação dos motivos para a impreparação para o impacto da intempérie, apesar dos alertas.

John Murphy, o diretor operacional do NWS, afirmou que os primeiros alertas da meteorologia norte-americana foram dados com duas semanas de antecedência, com "previsões precisas" e "mensagens consistentes".

"A amplitude e severidade do acontecimento foi tal que algumas pessoas não estavam totalmente preparadas", afirmou à AP. 

As empresas de distribuição de energia já começaram a resolver os problemas estruturais no abastecimento, mas, hoje, mais de 600.000 residências e empresas no Texas ainda estavam sem eletricidade

Na área metropolitana de Houston, Texas, uma família sucumbiu ao monóxido de carbono do tubo de escape do carro na garagem onde se tentava aquecer e uma pessoa morreu depois de as chamas se terem espalhado a partir da lareira na sala de estar.

Os prejuízos cobertos por seguro estão avaliados em 18.000 milhões de dólares, mas são apenas uma fração do total, segundo uma estimativa da empresa de avaliação de risco Karen Clark & Company. 

Jeannette Sutton, especialista em catástrofes naturais da Universidade de Albany (Nova Iorque), afirmou que as causas do desastre foram "a fragilidade das infraestruturas, a falta de planeamento para o pior cenário possível e a grandeza das extremas condições meteorológicas".

Para Sutton, na sua maioria as pessoas não estavam preparadas para lidar com frio tão extremo, mas a rede elétrica do Texas é responsável por um "grande falhanço".

O governador republicano do Texas, Greg Abbot, atribuiu responsabilidades à estratégia de aposta em energias renováveis, que apontou como causa principal da rutura no abastecimento de energia elétrica o congelamento das eólicas.

O Governo federal rejeitou as declarações do governador, dizendo que a energia eólica é responsável por apenas 7% do fornecimento de eletricidade no Texas e que os problemas de distribuição se prendem apenas com as infraestruturas de distribuição, afetadas pela neve e frio intenso.

Na quinta-feira, o presidente da rede elétrica, Bill Magness, afirmou que a preparação teve como base anteriores vagas de frio, mas que a mais recente "foi de um outro campeonato, muito maior, muito mais severa, com o impacto que todos puderam ver".

Sutton rejeita o argumento, sublinhando que dizer a intempérie foi tão grande que não estava nos planos "não é forma de planear". 

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