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Equador. Recontagem de votos pode criar aliança contra regresso de ex-PR

A recontagem de votos no Equador acirra a disputa entre dois candidatos presidenciais tecnicamente empatados para a segunda vaga da segunda volta mas, paradoxalmente, é também um ensaio para a sua união contra o regresso do ex-Presidente Rafael Correa.

Equador. Recontagem de votos pode criar aliança contra regresso de ex-PR
Notícias ao Minuto

12:52 - 14/02/21 por Lusa

Mundo Equador

O processo para recontar seis milhões de votos em 17 das 24 províncias do Equador deve começar na segunda ou na terça-feira e pode levar até 15 dias, período durante o qual o país continuará num limbo eleitoral sem saber quem passará à segunda volta, se a centro-direita do liberal e ex-banqueiro Guillermo Lasso ou a esquerda do líder indígena e ambientalista Yacu Pérez.

Um dos dois enfrentará o desconhecido Andrés Arauz, candidato que representa a volta ao poder do chamado 'correísmo', corrente política de esquerda liderada pelo ex-Presidente Rafael Correa (2007-2017). Arauz já garantiu a primeira vaga na disputa da segunda volta, marcada para o dia 11 de abril.

A recontagem de 100% dos votos na província de Guayas (capital Guayaquil) e de 50% dos votos em outras 16 das 24 províncias do país só foi possível graças a um entendimento entre os dois candidatos tecnicamente empatados. Essa convergência representou uma concessão política raras vezes observada no Equador, mas não é necessariamente um mero gesto de grandeza.

"É uma estratégia política. Lasso sabe que, sem os votos de Pérez, não vai conseguir derrotar Arauz numa segunda volta. Por isso, no seu discurso, enfatiza sempre que a maioria na primeira volta votou contra o regresso do 'correísmo' ao poder", explica à agência Lusa o cientista político equatoriano Simón Pachano, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO).

"Numa segunda volta, Yacu Pérez tem mais chances do que Guillermo Lasso de derrotar Andrés Arauz. Os votos anti-Correa de Lasso tendem a, naturalmente, aglutinar-se em torno de Pérez, uma esquerda mais moderada. No entanto, para que os votos de Pérez migrem para Lasso, seria necessário um apoio explícito, seria necessária uma aliança anti-Correa", aponta Pachano.

Na passada sexta-feira, enquanto o país aguardava como os dois candidatos resolveriam a indefinição na qual o Equador está desde as eleições do dia 07, Guillermo Lasso e Yacu Pérez aproveitavam as cerca de seis horas de transmissão ao vivo do debate na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para deixarem claro que têm um inimigo em comum: o regresso de Rafael Correa ao poder, por interposto concorrente, Andrés Arauz.

"Sou o primeiro interessado na transparência total e absoluta do processo eleitoral", acenou Guillermo Lasso, advertindo que "os dois candidatos têm objetivos em comum".

"Quem passar à segunda volta vai precisar de autoridade moral e legal para derrotar o 'correísmo' e o seu modelo violador de direitos humanos e da liberdade de imprensa. Mais de 68% do povo disse 'não' a esse modelo totalitário", descreveu Lasso.

Yacu Pérez também desafiou Lasso "a não cair no jogo de divisão do 'correísmo'"

"Enquanto estamos aqui divididos, o outro está lá a desfrutar da armadilha que nos colocou", disse Pérez em relação a Rafael Correa.

O ex-Predsidente Rafael Correa vive na Bélgica e não pode voltar ao Equador sem ser preso. Foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e tenta regressar através do seu candidato, que promete indultar o ex-presidente.

Yacu Pérez pretendia a recontagem total dos votos nas 24 províncias do país, mas cedeu que fosse pela metade dos votos e apenas em 17 províncias. Guillermo Lasso ofereceu a recontagem total em Guayas, província onde mais cédulas e urnas foram questionadas (20% do total). Guayaquil é o berço político de Lasso.

"Percebo no seu rosto e nos seus gestos que a sua principal preocupação é com a cidade de Guayaquil. Por respeito a você e aos seus eleitores, peço que o CNE abra 100% das urnas (em Guayas) para tirar as suas dúvidas de uma fraude localizada", concedeu.

"Essas concessões fazem parte do jogo porque uma briga aberta deixaria feridas profundas. Agora, um precisa dos eleitores do outro", aponta Simón Pachano, da FLACSO.

"Aqui, a chance de vitória numa segunda volta será de quem conseguir sair do polo e seduzir o centro. Mesmo dentro do movimento indígena há os 'pró-'correísmo' e os 'anti-correísmo'. Muito dependerá de como se consegue adaptar o discurso e abrir-se a grandes consensos nacionais para tentar colher esses votos", indica à Lusa a cientista política, RuthHidalgo, da equatoriana Universidade das Américas.

A aliança anti-Correa somaria ainda o quarto candidato que ficou de fora da disputa, mas que surpreendeu com 15,69% dos votos, o social-democrata, Xavier Hervas.

O candidato derrotado já pediu "um pacto entre Lasso e Pérez para cuidar e para fortalecer a democracia" que, segundo ele, "corre risco se Arauz ganhar" porque pode "regressar a esquerda extrema, populista e corrupta que o 'correísmo' representa".

"Essa frente anti-Correa começa a aparecer no horizonte da segunda volta", acredita Hidalgo.

A votação do dia 07 que começará a ser recontada na semana que hoje começa terminou com a esquerda de Andrés Arauz, da União pela Esperança, com 32,71%.

A centro-direita de Guillermo Lasso, do Criando Oportunidades, ficou com 19,74% e a esquerda de Yacu Pérez, do movimento indígena Pachakutik, com 19,38%.

A diferença entre o segundo e o terceiro foi de apenas 33.290 votos sobre os quais Yacu Pérez levantou suspeitas de fraude.

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