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Um minuto de agressões, 3 de asfixia. A morte de 'Beto' no supermercado

Continuam protestos por morte de cidadão negro num supermercado brasileiro. João Alberto Silveira Freitas foi espancado durante mais de 1 minuto e depois imobilizado por quase 3 minutos. Causa de morte foi asfixia.

Um minuto de agressões, 3 de asfixia. A morte de 'Beto' no supermercado

Contaram-se já quatro dias de protestos no Brasil por causa da morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos de idade, no chão de um supermercado do país, às mãos de dois seguranças, um deles oficial da Polícia Militar.

Conforme escreve o G1, vários manifestantes reuniram-se ao final da tarde de segunda-feira em frente a um estabelecimento da cadeia de supermercados Carrefour no bairro Partenon, a sete quilómetros da unidade onde se deu o incidente, na passada quinta-feira (em Porto Alegre). Por ordem da Brigada Militar (como é chamada a Polícia Militar no Rio Grande do Sul), a loja teve que ser fechada às 16h (hora local).

Estas manifestações imitam outras que têm sido levadas a cabo nos últimos dias em vários pontos do país sul-americano, depois de uma morte violenta de um cidadão negro que, curiosamente, teve lugar na véspera do Dia da Consciência Negra, uma celebração instituída no Brasil em homenagem a Zumbi, líder histórico do quilombo Palmares, uma comunidade criada por negros fugidos no nordeste do Brasil que resistiam à escravidão imposta pelos portugueses durante a colonização.

Três minutos com joelho nas costas de João Alberto

A imprensa brasileira analisou os cerca de cinco minutos de fita, retirados das câmaras de vigilância do local, que mostram a forma como morreu 'Beto'. De acordo com o portal 360, o homem envolve-se numa discussão com os dois seguranças e é ele quem dá o primeiro golpe, esmurrando o segurança. Esse ato espoleta uma violenta resposta, com os dois segurança a agredir continuamente João Alberto, durante 1 minuto e 2 segundos.

Decorrido esse curto intervalo, João Alberto já se encontra no chão, onde permanece imobilizado pelos seguranças durante 3 minutos e 8 segundos. O agente da Polícia Militar mantém um joelho nas costas do homem enquanto o segurança lhe segurava os braços. O vídeo analisado pelo mesmo portal termina pouco antes dos dois homens largarem João Alberto, que morre pouco depois.

Os exames iniciais dos departamentos de Criminalística e Médico Legal do IGP (Instituto Geral de Perícias) revelaram que a causa de morte foi asfixia.

Seguranças "desorientados" após perceber gravidade da situação

Uma cliente do supermercado que assistiu ao desenrolar dos acontecimentos, no estabelecimento comercial de Porto Alegre, disse às autoridades que percebeu que João Alberto "apresentava sinais visíveis de asfixia" e que avisou os seguranças, mas que eles pediram que "não se intrometesse no seu trabalho".

Mais tarde, relata o G1, a mesma testemunha apercebeu-se da mudança de cor nos lábios e nas pontas dos dedos da vítima e voltou a alertar os seguranças, "mas já era tarde", disse. Nessa altura, os dois homens terão ficado "desorientados" e perguntaram se havia alguém que soubesse identificar sinais vitais. Uma outra testemunha confirmou o óbito.

Leia Também: Brasil. Homem negro espancado até à morte por seguranças de Carrefour

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