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Brasil. Homem negro espancado até à morte por seguranças de Carrefour

João Alberto Silveira Freitas ter-se-ia desentendido com uma funcionária e foi levado por dois seguranças. Acabou declarado morto no local. A vítima, negra, foi assassinada por dois homens brancos um dia antes do Dia da Consciência Negra no Brasil.

Brasil. Homem negro espancado até à morte por seguranças de Carrefour

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos de idade, foi espancado até à morte por dois seguranças num estabelecimento da cadeia de supermercados Carrefour, na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre, no Brasil. Tragicamente, o homem, negro, foi assassinado na véspera de 20 de novembro, quando se celebra o Dia da Consciência Negra.

As imagens que circulam nas redes sociais (que optamos por não reproduzir) mostram a violência com que os dois seguranças agrediram a vítima, que, apesar dos esforços dos socorristas, acabou por ser declarado morto no local.

Os dois seguranças envolvidos no crime - um deles agente da Polícia Militar - serão acusados de homicídio qualificado.

A Brigada Militar (como é chamada a Polícia Militar no Rio Grande do Sul) indicou à imprensa que a agressão se iniciou por causa de um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado.

A vítima terá agredido a funcionária, que chamou os seguranças. A funcionária em questão também prestou depoimento às autoridades, mas não foram revelados mais detalhes. "Não vou especificar [o que foi dito] porque ela está a ser investigada", indicou a delegada da Brigada Militar Roberta Bertoldo, citada pelo G1.

Outra alegação que é feita, segundo apurou a Polícia Civil, é que João Alberto terá dado um murro num dos seguranças, tendo desencadeado a agressão, que culminou na sua morte. Porém, os detalhes do que originou a crime poderão ser ainda pouco credíveis, uma vez que a investigação ainda decorre.

O agente da polícia que estava presente, por exemplo, negou que estava no local a trabalhar como segurança, algo que foi prontamente desmentido pelas câmaras de videovigilância, conforme afiançou Roberta Bertoldo.

As autoridades informaram, ainda, que o polícia envolvido no crime é "temporário" e estava fora do horário de trabalho. Segundo a Brigada Militar o agente tinha funções limitadas dentro da força, dedicadas à "execução de serviços internos, atividades administrativas e videovigilância" e "segurança externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos". Não foram dadas explicações para a razão de estar a fazer segurança num supermercado.

Já a cadeia de supermercados Carrefour informou, através de comunicado, que lamenta profundamente o caso e que deu início a um processo interno de investigação, tendo tomado ações imediatas para que os responsáveis sejam punidos legalmente. A multinacional atribuiu as agressões aos seguranças e à empresa que os contratou, apelidando o ato de criminoso. O contrato com a empresa de segurança foi revogado, indicaram.

O crime já originou a reação de personalidades políticas, como Lula da Silva. "Amanhecemos transtornados com as cenas brutais de agressão contra João Alberto Freitas, um homem negro, espancado até a morte no Carrefour. O racismo é a origem de todos os abismos desse país. É urgente interrompermos esse ciclo", escreveu o antigo presidente brasileiro.

Hoje, sexta-feira, Dia da Consciência Negra, várias pessoas levam a cabos atos de protesto em lojas Carrefour.

Recorde-se que já não é a primeira vez que a cadeia de supermercados se encontra envolta em polémica no país sul-americano. Em novembro de 2018, num estabelecimento da cadeia em Osasco, um segurança matou uma cadela com um barra de ferro.

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