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Eleições: Conservadores escoceses têm de vencer o cansaço do eleitorado

Os resultados na Escócia, onde controlam apenas 13 dos 59 círculos eleitorais, são cruciais para os conservadores alcançarem a maioria absoluta no parlamento britânico, mas além do Partido Nacionalista Escocês (SNP), têm de vencer o cansaço do eleitorado.

Eleições: Conservadores escoceses têm de vencer o cansaço do eleitorado

Numa reportagem no círculo eleitoral escocês de Perth e North Perthshire, onde os 'Tories' ficaram a apenas 22 votos de vencer em 2017, muitos são os que manifestam cansaço e frustração, a menos de 10 dias das eleições britânicas de 12 de dezembro.

"Um absoluto fiasco", "Tudo isto tem sido uma confusão", "É um desastre" foram algumas das frases que a Lusa ouviu nas ruas da cidade de Perth, onde a maioria das pessoas abordadas simplesmente se recusou a falar sobre as eleições.

Desde 2014, esta é a quinta vez que os escoceses vão às urnas, depois de um referendo sobre a independência face ao Reino Unido em 2014, um referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia em 2016 e duas eleições gerais, em 2015 e 2017.

Isto se não contarmos com as eleições para o parlamento escocês de 2016 e as eleições europeias de 2019.

O candidato conservador, Angus Forbes, contou à Lusa que nas suas ações de campanha porta à porta, tem visto sobretudo três tipos de eleitores: "Encontro pessoas que estão absolutamente no meu campo e encontro pessoas que estão absolutamente no campo do [candidato do SNP] Pete [Wishart]. Não encontro muita gente nos campos de qualquer outro candidato. Mas encontro uma subsecção de pessoas que estão tão desiludidas com a política que simplesmente não se vão dar ao trabalho de votar".

"Isso preocupa-me imensamente, não do ponto de vista de eu ganhar ou perder, mas porque será a democracia que sai afetada", afirmou.

A correspondente do diário britânico The Guardian na Escócia, Libby Brooks, disse à Lusa que "muitas pessoas [na Escócia] estão exaustas da política e sentem-se desapontadas e marginalizadas, porque pensam que, seja em que sentido votarem, ninguém lhes presta atenção".

"E vemos isso de eleitores pela permanência do Reino Unido na UE, de eleitores pró-'Brexit' e de eleitores que votaram sim e não no referendo da independência.

A jornalista descreve o sentimento com uma palavra escocesa, 'Scunnered', que segundo o dicionário Collins pode significar zangado, descontente, aborrecido ou até nauseado.

O SNP tenta capitalizar esse desencantamento com a política que se faz em Londres para apelar ao voto, alegando querer "garantir que a voz da Escócia é ouvida" e prometendo lutar pela independência do país face ao Reino Unido, como a sua líder e primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, repete nas ações de campanha do partido.

Mas os conservadores na Escócia têm outra dificuldade, que é o nome do próprio líder do partido e primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Como explicou à Lusa o candidato do SNP em Perth and North Perthshire, Pete Wishart, "há duas palavras que funcionam como magia na campanha porta a porta: uma é Boris e a outra é Johnson".

Impedir uma maioria para Boris Johnson tornou-se um 'slogan de campanha' do SNP e no panfleto de Pete Wishart a primeira frase é "Parar o 'Brexit', Parar Boris".

Angus Forbes concorda que muitas pessoas com quem fala, mesmo do seu partido, não gostam de Boris Johnson, mas acrescenta que também o nome de Nicola Sturgeon é a maior vantagem para a sua campanha.

"As pessoas olham para uma fotografia do Boris Johnson e dizem que não gostam dele, depois mostro-lhes uma fotografia da Nicola Sturgeon e eles dizem 'detesto-a absolutamente", contou à Lusa, concluindo que esta eleição se resume a escolher de quem os eleitores "desgostam mais".

Nas ruas de Perth, no entanto, a Lusa não teve dificuldade em encontrar fãs de Nicola Sturgeon, como June Abbott, de 69 anos, que chorava emocionada por ter conseguido tirar uma 'selfie' com a líder dos nacionalistas escoceses.

"Nunca estive tão contente na vida", contou, considerando Sturgeon "muito fácil de abordar e uma ótima política". "É o que as mulheres precisam", acrescentou, dizendo ter amigas em Inglaterra que gostavam de poder votar na líder escocesa e elegê-la primeira-ministra do Reino Unido.

Mas isso não é fácil de conseguir, uma vez que o SNP só concorre nos 59 círculos eleitorais que a Escócia elege e o parlamento britânico tem 650 assentos.

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