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Bomba de carbono pode ser detonada na Bacia do Congo

A organização não-governamental Greenpeance alertou hoje que a atividade industrial na maior reserva de turfa no mundo, na Bacia do Congo, pode fazer detonar uma bomba de carbono de 30,6 mil milhões de toneladas.

Bomba de carbono pode ser detonada na Bacia do Congo

"A atividade industrial em turfeiras [na floresta da Bacia do Congo, a segunda maior do mundo] pode detonar uma bomba de carbono de 30,6 mil milhões de toneladas, acima das emissões anuais de 24 mil milhões de carros", refere a organização ambientalista, num comunicado hoje divulgado.

No mesmo documento, a organização não-governamental (ONG) pede aos governos da República Popular do Congo e da República Democrática do Congo (RDCongo) que proíbam toda a atividade industrial nas maiores turfeiras tropicais do mundo.

A turfa é um tipo de solo rico em dióxido de carbono, que consegue absorver melhor do que qualquer outro tipo de solo ou cobertura vegetal na Terra.

A posição da ONG surge na sequência de uma expedição, realizada em conjunto com cientistas das universidades de Leeds (Reino Unido) e de Kisangani (RDCongo), que investigou as turfeiras nas florestas da Bacia do Congo, numa área entre a RDCongo e a República Popular do Congo.

"As maiores turfeiras tropicais do mundo precisam de proteção contra a atividade industrial", referiu Irene Wabiwa, responsável da Campanha da Floresta do Greenpeace em África.

O professor Corneille Ewango, da Universidade de Kisangani (Unikis), afirmou, citado no documento divulgado pela ONG, que "as turfeiras são danificadas quando as terras vizinhas são afetadas - qualquer atividade industrial em larga escala na região afetará o aquífero que mantém esses ecossistemas vivos".

"Ainda sabemos muito pouco sobre o funcionamento das turfeiras na Bacia do Congo. É essencial que a comunidade científica possa estudar como essa imensa reserva de carbono pode continuar a desempenhar o seu papel na mitigação das alterações climáticas", advertiu Greta Dargie, da Universidade de Leeds.

"A proteção das turfeiras não deve ser apenas uma prioridade climática importante. É também uma questão de direitos humanos", acrescentou Guy Kajemba, representante da sociedade civil local que se juntou à expedição.

Kajemba sustentou que "as comunidades locais, cujos meios de subsistência dependem das turfeiras e da biodiversidade única desses ecossistemas, devem estar no centro de qualquer iniciativa voltada para a sua gestão".

O Greenpeace África luta desde 2018 contra a atribuição das concessões florestais e a exploração de petróleo alocada pela RDCongo e República do Congo e salientam que essas atividades ameaçam os ecossistemas.

As áreas congolesas em que se focou o estudo do Greenpeace contêm cerca de um terço da reserva de carbono de todas as turfeiras tropicais do mundo.

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