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Governos africanos 'tiram' um milhão de empregos

A diretora do Departamento de Pesquisa e Previsões Macroeconómicas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) considerou que se os constrangimentos criados pelos governos africanos fossem resolvidos o continente deixaria de perder um milhão de empregos por ano.

Governos africanos 'tiram' um milhão de empregos

A diretora do Departamento de Pesquisa e Previsões Macroeconómicas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) considerou que se os constrangimentos criados pelos governos africanos fossem resolvidos o continente deixaria de perder um milhão de empregos por ano.

Em entrevista à Lusa no seguimento do lançamento do relatório do BAD sobre as Perspetivas Económicas Africanas (African Economic Outlook, no original em inglês), Hanan Morsy disse que não tem havido um foco suficientemente forte na criação de emprego e explicou que o continente perde 2,3 milhões de empregos anualmente devido a constrangimentos empresariais, que poderiam reduzir-se em um milhão.

"Tentámos quantificar as dificuldades e os empregos perdidos anualmente por causa das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas e concluímos, através de extensos inquéritos, que há 2,3 milhões de postos de trabalho perdidos anualmente devido a constrangimentos empresariais, e identificámos que as maiores quatro dificuldades sentidas pelas empresas estão relacionadas com os governos, e são as licenças, mau funcionamento dos tribunais, instabilidade política e corrupção", afirmou Hanan Morsy, em entrevista telefónica à Lusa a partir de Abidjan, a sede do BAD.

"Resolvendo apenas estes quatro principais problemas relacionados com os governos, o continente reduziria a perda de empregos em mais de um milhão por ano [para menos de 1,3 milhões]. Portanto, há um papel para os governos no que diz respeito à ajuda à eliminação dos constrangimentos principais que estão a impedir as empresas de crescerem e criarem empregos, ajudando à industrialização de África", acrescentou a egípcia que o BAD contratou, no ano passado, ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres, aonde estava desde 2012.

A industrialização e a necessidade de acelerar a criação de emprego "são uma das principais mensagens deste relatório", que dá conta de um crescimento de 4% e 4,1% neste e no próximo ano, em África.

"O continente continua a melhorar o desempenho económico", confirmou Morsy, explicando que, ainda assim, os governos "não se têm focado suficientemente na criação de emprego, porque a força de trabalho vai crescer 40% até 2030" e, por isso, o BAD estudou qual o tipo de crescimento que mais facilmente leva à criação de emprego.

"O crescimento impulsionado pela manufatura é o que cria mais empregos, o que significa que a industrialização é a melhor maneira de criar empregos, mas a verdade é que o continente tem-se desindustrializado nos últimos anos", lamentou Horsy, apontando que as pequenas e médias empresas não evoluem em termos de tamanho e faturação e "as mais pequenas muitas vezes nem sequer têm probabilidade de sobreviver" devido aos constrangimentos empresariais generalizados no continente.

Questionada sobre de que maneira os países podem apostar na industrialização e, ao mesmo tempo, na consolidação orçamental que faça descer os níveis de dívida pública, Hanan Horsy respondeu: "A dívida não é uma questão igual em todos os países em África, mas o que mostramos no relatório é a maneira de usar a dívida de forma eficiente e eficaz para aumentar o crescimento de longo prazo e diversificar a economia e aumentar a capacidade de exportar".

Usar a dívida para aumentar a despesa em infraestruturas "é importante, e há provas de que isto está cada vez mais a ser feito, o que é um desenvolvimento positivo, mas precisamos de monitorizar a sua eficiência e eficácia para garantir que a dívida usada para novas infraestruturas tem um impacto elevado no crescimento económico", vincou a responsável.

Na entrevista à Lusa, a diretora do departamento de estudos económicos do BAD sublinhou ainda as vantagens da integração regional, numa altura em que a maior parte dos países em África já assinaram o acordo que cria a Zona de Livre Comércio Africana (ZLEC) ou African Continental Free Trade Area (AfCFTA), na sigla inglesa.

"A integração regional pode ser ajudada por ações políticas, que podem trazer ganhos significativos, de 4 a 4,5% do PIB para África por ano se os governos conseguirem eliminar as tarifas alfandegárias bilaterais, manter as regras de origem simples e transparentes, removerem barreiras não alfandegárias e negociarem com outros países desenvolvidos a redução de tarifas", concluiu a economista.

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