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Consciência das Inteligências Artificiais? "Discussão que está para vir"

O presidente da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial (APPIA), Luís Paulo Reis, disse à Lusa que a consciência das Inteligências Artificiais (IA) é uma discussão que ainda está para vir, não se colocando neste momento.

Consciência das Inteligências Artificiais? "Discussão que está para vir"
Notícias ao Minuto

16:55 - 29/04/23 por Lusa

Tech Inteligências Artificiais

Em entrevista à agência Lusa a propósito do aparecimento -- e da popularidade -- de grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, e do seu eventual impacto no campo das Artes, o presidente da APPIA sublinhou que a questão da consciência, que se pode cruzar com a discussão sobre o conceito e intenção da Arte, "é uma discussão que está para vir quando [houver] modelos que vivam no mundo real".

"Imagine um ChatGPT que está colocado num robô físico e que, desde que o robô existe, vai aprendendo sucessivamente. Mas acho que é uma discussão futura. Vamos ter essa discussão certamente, mas acho que neste momento ainda não é a altura certa", disse o também professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Para Luís Paulo Reis, a definição de IA "parte da definição de inteligência" geral, ou seja: "Inteligência é a capacidade de resolver novos problemas através de uma utilização habilidosa do conhecimento".

Luís Paulo Reis afirmou que, neste momento, as IA são capazes de "gerar arte, a vários níveis, escrever livros, criar imagens, fazer vídeos, criar sons dos mais variados tipos, de música a outros tipos, de uma maneira que por um lado se pode dizer que é criativa, mas que na realidade usam como 'input' todas as imagens, todos os textos, todos os sons, que lhe foram dados".

Por esse motivo, o presidente da APPIA questionou: "Será que isto é criativo ou não? Os humanos fazem o mesmo. A maneira como eu posso pintar um quadro tem a ver com todas as minhas perceções ao longo da minha existência. Podemos pensar que este tipo de Inteligências Artificiais têm perceções diferentes das nossas, não têm olfato, não têm tato, mas não quer dizer que o que esta IA possa criar não seja totalmente original".

Por seu lado, o professor da Universidade Lusófona e investigador Phil Lopes explicou à Lusa que estes grandes modelos de linguagem usam "um 'corpus' de dados que pode ser milhares e milhares de imagens de vários artistas diferentes e, a partir disso, constringe o espaço de procura e consegue gerar imagens com base nos milhares de imagens que já [foi visto] de outros artistas". Pelo que não é possível "dizer que neste momento uma IA possa criar o seu próprio estilo".

"[O modelo] utiliza um bocado o que outras pessoas já fizeram e depois faz aquele 'mish-mash', é uma espécie de papagaio que vai cuspindo as coisas que já encontrou na Net e consegue assimilar essas coisas e gera um texto. No entanto, o algoritmo não percebe o que está a ser gerado, não tem consciência, simplesmente é probabilístico no sentido de: 'já vi isto muitas vezes, esta sequência faz sentido, vou gerar desta forma'", disse o investigador.

A questão fundamental para Phil Lopes é a relativa à legislação, no contexto dos direitos de autor e do uso indevido de material na base de dados dos modelos de linguagem, e ao impacto social da aplicação da tecnologia: "Quais são as seguranças que existem de as pessoas não serem afetadas por esta tecnologia de formas que não estão à espera", lembrando os casos dos 'deep fakes' na pornografia como exemplo ou a desinformação.

Leia Também: Empreendedor português cria empresa viral a partir do ChatGPT

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