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Ano parlamentar começou agitado. Mas e as juventudes, o que pretendem?

As juventudes partidárias dos diversos partidos foram ouvidas pelo Notícias ao Minuto. Um balanço da anterior legislatura e os objetivos para o futuro foram os temas em cima da mesa.

Ano parlamentar começou agitado. Mas e as juventudes, o que pretendem?
Notícias ao Minuto

08:38 - 21/10/17 por Inês André de Figueiredo

Política Partidos

Os últimos dias têm sido marcados por uma ‘revolução’ no país e no Governo, depois de Portugal ter voltado a arder em pleno mês de outubro. A ministra da Administração Interna deixou o cargo e Eduardo Cabrita é o escolhido por António Costa para estar à frente de uma das pastas que mais trabalho tem dado ao Executivo.

Tudo isto acontece numa altura em que o ano parlamentar segue, agitado, no pós-eleições autárquicas, e em que se discute o Orçamento do Estado para 2018. O Notícias ao Minuto foi falar com as diversas juventudes partidárias* para perceber qual o balanço que fazem da passada legislatura e quais os seus principais objetivos para os próximos meses.

Com uma distinção clara entre partidos mais à Direita e mais à Esquerda, a Juventude Socialista, a Juventude Comunista Portuguesa e a Ecolojovem revelam estar ao lado da atual solução governativa, vulgo ‘Geringonça’, apesar de acreditarem que é possível fazer ainda melhor, nomeadamente em algumas áreas ligadas aos jovens. Já Juventude Social Democrata e Juventude Popular realçam as suas posições contra um Governo do PS com apoio parlamentar à Esquerda.

Ivan Gonçalves, Juventude Socialista

Ivan Gonçalves, líder da juventude ‘rosa’, garante que uma das grandes preocupações da JS se prende com o Ensino Superior, uma área para a qual esta juventude “tem vindo a tentar sensibilizar o Governo”. “Nos últimos dois anos já houve congelamento de propinas, também com propostas da JS e de outros partidos, mas acho é importante aprofundar essa diminuição de custos no Ensino Superior”, frisa o responsável.

Por outro lado, o socialista entende que “a propina não deve ser aumentada”, já que o país “tem feito um trabalho muito relevante para que todas as pessoas tenham acesso a uma educação digna, mas ainda falta esse passo no Ensino Superior”, onde “as desigualdades estão mais acentuadas”.

Também a entrada no mercado de trabalho é uma preocupação para Ivan Gonçalves, que solicita uma melhor implementação do programa Garantia Jovem. “O último governo limitou-se pura e simplesmente a fazer da Garantia Jovem um plano de estágio quando o plano não era esse. É preciso reforçar as verbas deste programa para que possa ajudar os jovens portugueses”, defende o socialista.

Outra das preocupações de Ivan Gonçalves prende-se com os jovens que emigraram durante a crise. “Está na altura de promover apoios aos jovens para voltarem ao seu país. Isto faz-se através de apoios concedidos para a criação de empresas em Portugal que criem postos de trabalho”, concretiza.

Alma Rivera, Juventude Comunista Portuguesa

Também Alma Rivera, da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), refere a questão da Educação como um tema imperial, admitindo que “há avanços e aquisições de direitos que são valorizados”, mas que “é possível e necessário que se vá mais longe”.

A questão da gratuitidade dos manuais escolares é um dos pontos destacados positivamente por Alma Rivera, que não deixa de pedir mais e melhor para o Ensino Superior. “As propinas são uma barreira de grande injustiça e que põe muita gente fora do Ensino Superior”, realça.

Os contratos de trabalho precário são outra das preocupações da JCP, assim como o aumento do salário mínimo nacional. Apesar disso, a comunista é perentória: “No geral, o que nós entendemos é que se conseguiram coisas muito importantes que não tinham sido conseguidas se não fosse a movimentação das pessoas, a luta dos jovens, o facto de os estudantes não terem baixado os braços para que se fizessem ouvir para exigir mudanças. Depois, a ação do partido na Assembleia da República foi fundamental para dar voz a essas lutas”.

No caso da JCP, e para o futuro, espera-se que possam ser tomadas decisões que possibilitem melhorias na forma de vida das pessoas. “É preciso assumir opções, é preciso assumir que há um conjunto de setores estratégicos que tem de assegurar dinheiro para o Estado poder assegurar estas funções”, diz, sublinhando que o país “não pode estar a enterrar milhões e milhões em juros de uma dívida impagável e injusta”.

Beatriz Goulart, Ecolojovem

A juventude do partido 'Os Verdes' mostra estar ao lado do Governo, referindo que continua a ser feito o “caminho inverso daquele que foi o Governo do PSD/CDS em que falamos das questões de reposição dos direitos, aumento do salário mínimo nacional, ao descongelamento de pensões, etc”.

Na opinião dos ecologistas, esta matéria social é “crucial para o avanço do país e da economia”, mas falta ter o olhar um pouco mais focado no ambiente, sendo que vivemos uma “fase complicada do ponto de vista das alterações climáticas”. 

“Em alguma matérias concordamos com a priorização [feita pelo PS], noutras nem tanto, consideramos que seria essencial dar-lhes prioridade. Uma das questões pela qual 'Os Verdes' e em especial a juventude se tem debatido muito tem a ver com as questões da mobilidade, o investimento nos transportes, em modos suaves de deslocação e sentimos que nessa parte muito pouco está a ser feito ainda, em especial no que toca à rede ferroviária”, explicou.

Apesar disso, frisou que a Linha do Leste foi uma conquista muito importante e que há a necessidade de valorizar o uso do transporte público em relação ao privado, por este ser bastante menos prejudicial em termos ambientais. É também preciso saber que “há um país a duas velocidades”, com “grandes centros urbanos em que é possível encontrar autocarros elétricos e movidos a gás natural e, depois, zonas da periferia das grandes urbes ou do interior em que os transportes têm 30 ou 40 anos e são extremamente poluentes e as carreiras não se efetuam como deviam efetuar”. 

Deste modo, a Ecolojovem pretende que a matéria dos transportes seja revista, mas que haja também uma “preocupação com as alterações climáticas, devido aos incêndios, à seca extrema, à eucaliptização, que é uma árvore de combustão rápida que em nada favorece a mitigação destes problemas” e também atender à falta de sensibilização da população sobre o que se deve fazer nestas alturas.

Simão Ribeiro, Juventude Social Democrata

Contrariamente, o líder da Juventude Social Democrata (JSD), Simão Ribeiro, deixa duras críticas à governação. “É com tristeza que continuamos a observar que o PS governa numa espécie de clausura, refém daquilo que é um conjunto de preconceitos ideológicos da Esquerda mais radical. E que, aliás, não só não consegue fazer reformas, porque os parceiros de Esquerda não o permitem, como chega a pôr em risco reformas importantes que foram feitas, como por exemplo na área da Educação”, advoga.

O social-democrata ressalva ainda que este Governo, “por preconceito ideológico, foi forçado pelos parceiros de coligação a deitar por terra algo que foi feito com bastante esforço”, referindo-se ao governo anterior de Passos Coelho.

Em relação ao ano anterior, o líder dos jovens ‘laranjas’ enfatiza que “foi a JSD que levou a cabo, neste último ano, as alterações que foram feitas ao Porta 65, que propôs a integração do Conselho Nacional de Juventude no Conselho Económico e Social, que propôs melhorias à lei do associativismo jovem”.

Assim como, “se não fosse um projeto da JSD, este Governo tinha-se preparado para fazer o maior aumento de sempre no preço das refeições nas cantinas das faculdades e no alojamento de ação social do Ensino Superior”, faz sobressair.

Simão Ribeiro considera ainda que hoje há “alunos que não têm escola ou têm dificuldade em arranjar colocação numa escola porque, simplesmente, esta coligação de forças partidárias resolveu entender que o serviço público de Educação só é serviço público se for gerido pelo Estado”.

Francisco Rodrigues dos Santos, Juventude Popular

Uma opinião na mesma linha tem Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, que, apesar de não ter representação parlamentar, conta com o apoio do CDS para levar a cabo algumas propostas.

Na opinião do responsável pelos jovens centristas, “o Governo sofre de uma perturbação na perceção visual dos problemas da juventude. Trata-se de uma espécie de cegueira seletiva. É politicamente incorreto responder aos anseios das novas gerações, pois não incorporam clientelas eleitorais”, atira.

Em jeito de balanço, recorda que nos pacotes de medidas apresentados no passado ano estava em causa o caso do abandono escolar no Ensino Superior, tendo sido proposta uma “linha de crédito estudantil de apoio a alunos carenciados, e a dedução fiscal progressiva das despesas com a educação” e a precariedade laboral e o desemprego jovem, em que a JP sugeria o reforço do apoio social dos jovens trabalhadores, nomeadamente com a “criação de uma passe de transporte, a eliminação da TSU para trabalhadores até aos 25 anos e a correspondente redução até aos 30, e ainda a implementação do modelo de contrato único”.

No futuro, os jovens do partido ‘azul’ esclarecem que vão trabalhar para que “este tempo novo não seja uma incubadora de comportamentos perniciosos, nem dependa de nenhum modelo socialista de desenvolvimento”, focando-se no direito de escolha dos estabelecimentos de ensino, num mercado de trabalho justo, assim como no acesso à habitação por parte dos jovens.

[Notícia atualizada com a opinião da Ecolojovem, juventude partidária do PEV]

*Os restantes partidos com assento parlamentar não têm juventudes partidárias.

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