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"PCP tem mais de 100 anos de experiência acumulada no combate à Direita"

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, falou de política nacional e das próximas eleições, assim como de problemas internacionais, como a guerra no Médio Oriente - e na Ucrânia.

"PCP tem mais de 100 anos de experiência acumulada no combate à Direita"
Notícias ao Minuto

00:12 - 19/12/23 por Notícias ao Minuto

Política Paulo Raimundo

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, falou, esta segunda-feira, sobre a habitação, o combate contra a Direita e sobre os conflitos internacionais.

A entrevista, emitida pela SIC Notícias, foi gravada em Alhos Vedros, na Moita, distrito de Setúbal, onde Raimundo vive há cerca de dois anos. O trajeto até Lisboa é feito por Raimundo e milhares de pessoas todos os dias, e o líder comunista confessou que o faz de carro, apontando, no entanto, que os transportes públicos deviam "dar mais ajuda".

"Era precisa mais resposta. É o problema dos condicionamentos da ida, da volta com tudo o que isso implica de horários e até para as questões ambientais. Precisamos de ter mais resposta pública desse ponto de vista. Mas estamos a lutar por isso", referiu.

A Geringonça

Questionado sobre qual a memória que pensa que os portugueses têm da Geringonça, Paulo Raimundo asseverou não gostar da expressão e explicou porquê: "Ela cria uma ilusão de uma coisa que não existiu. Esse é o problema. Essa palavra procura dar a ideia de que houve uma aliança".

Confrontando com o facto de ter havido um acordo entre os três partidos envolvidos (PS, PCP e Bloco de Esquerda), Raimundo apontou que "houve um acordo que no fundamental teve dois objetivos: afastar o PSD e o CDS do Governo, e segundo, procurar recuperar tudo o que tinha sido roubado".

Raimundo notou também, na entrevista à SIC Notícias, que é normal que as pessoas tenham uma boa recordação desse período, porque "recuperaram direitos que tinham sido roubados - os salários, feriados, os direitos. Foi com a nossa intervenção que foi possível a gratuidade dos manuais escolares, por exemplo".

Confrontando com o facto de ter "corrido tão bem", Raimundo foi peremptório. "Essa é a pergunta que tem de ser devolvida a quem decidiu que era para acabar", afirmou, defendendo que quem o fez foi o Partido Socialista, quando apresentou um "Orçamento de Estado que, no fundamental, não dava respostas a questões que estavam na altura colocadas", nomeadamente, o aumento de salários, questões da habitação e a necessidade de aumentar o reforço do Serviço Nacional de Saúde.

"E o PS fez aquela chantagem e pressão. Não deu resposta a esses problemas", atirou, acrescentando que tinha a certeza que muitos portugueses foram iludidos, e que hoje percebem que foram "traídos".

Questionado sobre que políticas concretas é que podem existir para que a solução da Geringonça seja "reativada", Paulo Raimundo referiu que era "tudo ao contrário do que se fez há dois anos".

Para além do aumento dos salários, o comunista apontou as pensões que são "profundamente curtas". "Aí está um problema para dar resposta. As questões do SNS, onde o Partido Socialista está apostado em desmantelá-lo", afirmou.

O PCP tem mais de 100 anos de experiência acumulada no combate à Direita - tenha ela as formas que tiver

Mas, para além de falar do passado, também foi abordada a questão de um futuro próximo - as eleições Legislativas, marcadas para 10 de março. Questionado se o líder do PS ganhar as eleições e o convidasse a sentar à mesa o faria, Raimundo detalhou que há duas condições fundamentais.

"A primeira é que é preciso dar resposta aos problemas das pessoas - e essa resposta dá-se nos conteúdos concretos. E há outra questão fundamental. Que as pessoas já perceberam por experiência própria também. É que quando a CDU e o PCP crescem, a vida de cada um anda para a frente e melhora", afirmou, acrescentando que é o reforço dos comunistas que dará resposta ao problema das pessoas.

"Para fazermos aquilo que sempre fizemos - apoiar tudo o que é positivo e travar tudo o que é negativo, venha lá de onde vier", atirou.

O comunista foi ainda perguntado sobre se perante a possibilidade de existir um governo à Direita, apoiado pelo Chega, não seria suficiente para o PCP viabilizar um Governo de Esquerda. "Aquilo que vamos eleger a 10 de março são 230 deputados. E é nessa correlação de forças que se vão decidir os caminhos. O PCP é um garante de combate à Direita e à política de Direita. Tem mais de 100 anos de experiência acumulada no combate à Direita - tenha ela as formas que tiver. O PCP será sempre um elemento de combate à política de Direita e à Direita. Não há dúvidas sobre isso. Aquilo que vai alterar a correlação de forças é o número de deputados que o PCP e a CDU tiverem", considerou.

"Nós queremos chegar ao poder, alterar o poder e pôr a política ao serviço de quem deve estar - dos trabalhadores, do povo e do país e não ao serviço dos grupos económicos, como temos tido nestes últimos tempos" alertou.

E lá fora?

Os temas da entrevista também passaram por questões internacionais, como a guerra no Médio Oriente, sobre a qual Raimundo disse que a atuação de Portugal estava a ser insuficiente, nomeadamente, quando o ministério dos Negócios Estrangeiros lamentou a situação em que os Estados Unidos vetaram a resolução da ONU. 

"Não precisamos de lamentos, precisamos de condenações claras para pôr fim àquele massacre que está em curso. O Governo português precisava de fazer muito mais do que isso. Mais do que lamentar é condenar e aproveitar todos os espaços que têm para afirmar cessar-fogo imediato, fim do massacre e reconhecimento do Estado Palestiniano como solução", asseverou.

Mas e a guerra na Ucrânia e o posicionamento do PCP? Raimundo foi peremptório: "Construiu-se uma imagem de uma opinião do PCP que o PCP nunca teve. Talvez aquilo que demonstre muito bem todo este conflito na Palestina, é a hipocrisia e este cinismo em torno destas questões. Dois pesos e duas medidas. Aquilo que há dois anos fizemos foram duas questões fundamentais: que foi dizer que a guerra não começou agora, os intervenientes que tem não são apenas a Rússia e a Ucrânia", referindo-se à intervenção da NATO e os Estados Unidos.

"A palavra invasão teve um objetivo fundamental: foi fazer-nos crer a todos que o conflito tinha começado naquele dia. E nós nunca utilizámos [até dada altura] a palavra invasão exatamente para não alimentar a ideia de que o conflito começou naquele dia", apontou, defendendo que a entrada das tropas russas em território ucraniano não é um detalhe, tendo mesmo colocado o conflito "noutro patamar", mais elevado. "Foi um grande passo do ponto de vista de agigantar aquele conflito", afirmou.

Leia Também: "Não contam com o PCP para alimentar as ilusões do PS"

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