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Injustiças? "Certificados [de aforro] não contribuem para mudar perceção"

A antiga ministra Alexandra Leitão juntou-se às críticas ao governo, explicando que a redução da atratividade dos certificados de aforro afetarão em primeiro lugar a classe média.

Injustiças? "Certificados [de aforro] não contribuem para mudar perceção"
Notícias ao Minuto

11:00 - 05/06/23 por Notícias ao Minuto

Política Certificados de Aforro

A suspensão da série E dos certificados de aforro, e a emissão de novos certificados da série F com uma taxa base de 2,5%, continuam a suscitar críticas por parte da oposição mas também dentro do próprio Partido Socialista, com a deputada e ex-ministra Alexandra Leitão a criticar a medida, considerando que "não contribuiu para a perceção de injustiça" na classe média.

Leitão, que abordou o tema na CNN Portugal no domingo à noite, explicou que a sua experiência no Governo deu-lhe conta que "as pessoas, sobretudo as classes profissionais, os trabalhadores, preferem uma solução em que todos ganhem um pouco menos de aumento, mas que sintam que há uma equidade e uma justiça na forma como é distribuído". E, para a antiga ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, "isso tem faltado aqui e ali".

"As pessoas têm alguma perceção de alguma injustiça. Não estou sequer a opinar sobre se a perceção é correta ou incorreta, até porque eu acho que em alguns casos têm de ser introduzidas diferenciações. E os certificados de aforro são uma medida que, a meu ver, não contribuiu para mudar essa perceção", disse a deputada do PS.

Para Alexandra Leitão, o certificado de aforro é "a poupança típica da classe média", porque "não tem risco, não exige grande literacia financeira, portanto é seguro", e mantém-se atrativo com uma taxa de 2,5%.

No entanto, esclarece a ex-governante, "quando há uma descida da atratividade deste produto, que é um produto claramente dirigida a um certo tipo de classe média - que é aquela que mais vezes se sente injustiçada porque, nem recebe aqueles apoios que têm sido muito importantes para garantir que se reduza a pobreza, como tem acontecido, nem são os mais ricos que se vão aguentando sempre bem -, é a esta classe que vai aumentar a perceção de injustiça".

A ideia não foi acolhida com bons olhos pela oposição, após ter sido anunciada na sexta-feira pelo secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes, e até Marcelo Rebelo de Sousa pediu à banca um "esforçozinho" para pagar melhor os depósitos dos portugueses.

A ex-ministra acrescenta, ainda, que estas são as questões que realmente importam para os bolsos dos portugueses, enquanto "as questões relacionadas com o SIS [Serviço de Informações de Segurança] têm a relevância que têm: alguma, bem menor do que a que o tempo que ocupam a todos os nós, nas televisões mas também no próprio Parlamento".

"Eu acho que as pessoas estão fartas disso. Mas o facto de as pessoas estarem fartas disso não significa, contudo, que o mal de uma certa crise de instituições. Com isso não quer dizer que esteja tudo bem", salienta.

A partir desta segunda-feira, aplica-se a nova série de certificados de aforro, com uma taxa de juro bruta de 2,5%, inferior à série anterior, que era de 3,5%, com a decisão a ser justificada por uma corrida ao produto nos últimos meses.

Leia Também: O que muda nos certificados de aforro a partir de hoje em 10 questões

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