Meteorologia

  • 01 DEZEMBRO 2022
Tempo
11º
MIN 10º MÁX 15º

Vitor Ramalho confessa ter deixado o PS em 2012 em rutura com Seguro

O ex-dirigente socialista Vitor Ramalho admite ter deixado a liderança do PS/Setúbal em 2012 em "rutura" com o então secretário-geral do partido, António José Seguro, apesar de ter sido apoiante das suas duas candidaturas.

Vitor Ramalho confessa ter deixado o PS em 2012 em rutura com Seguro

"Com lealdade, em finais do mês de março de 2012, remeti uma carta a António José Seguro, manifestando os meus pontos de vista não conformes às opções por ele assumidas, em domínios relacionados com a Federação de Setúbal, a que se seguiu uma reunião com a presença de responsáveis do Partido Socialista do distrito", escreve o antigo secretário de Estado dos governos de Mário Soares e António Guterres no seu último livro, "As minhas causas", acrescentando: "Pouco tempo depois, comuniquei a minha indisponibilidade para me recandidatar a outro mandato, o que estatutariamente podia".

Vitor Ramalho lembra que a disponibilidade manifestada por António Costa para se candidatar a secretário-geral do PS só aconteceu depois, em 2014, após as eleições para o Parlamento Europeu e, ainda assim, manteve a decisão de não se recandidatar ao PS/Setúbal, dando lugar a Ana Catarina Mendes, atual ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, a quem faz rasgados elogios.

"Em março de 2012 não estavam marcadas eleições para o cargo de secretário-geral e não era minimamente expectável que quem quer que fosse se apresentasse como candidato alternativo a António José Seguro", escreve o ex-deputado no último capítulo do livro, intitulado "A Ruptura".

Vitor Ramalho afirma, contudo, ter acompanhado Mário Soares, de quem sempre foi muito próximo, ao gabinete de António Costa, quando o ex-Presidente da República lhe "desejou prestar pessoalmente apoio", caso viesse a decidir candidatar-se à liderança do PS.

Refere também a satisfação com que recebeu a notícia da candidatura de Ana Catarina Mendes à liderança do PS/Setúbal. "Desde a abertura das candidaturas à presidência da federação foi o seu nome que sugeri e defendi quando a direção nacional solicitou a minha opinião".

No livro, de 166 páginas com a chancela da Guerra e Paz, aborda também a realização do Congresso "Portugal que Futuro", patrocinado por figuras muito próximas de Mário Soares, como o comandante Gomes Mota, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e se vivia um período de várias crises, como a do bloqueio da ponte 25 de Abril por camionistas e automobilistas em protesto.

"O congresso destina-se a promover um sobressalto cívico. Como disse António Sérgio, é mesmo necessário abrirem-se 'avenidas de discussão' e desenvolver o espírito crítico contra a tentação de um novo situacionismo", respondeu-lhe Gomes Mota, um dos promotores da iniciativa e que tinha sido por duas vezes diretor das campanhas de Mário Soares a Presidente da República.

Neste capítulo, intitulado "O congresso visto do Pulo do Lobo", Vitor Ramalho lembra que Mário Soares abriu os trabalhos com uma intervenção sobre a situação do país, "não sendo parco nem fugidio nas palavras".

Confrontado com a intervenção, Cavaco Silva, então primeiro-ministro, limitou-se a responder: Não ouvi o discurso, estava no Pulo do Lobo, no Alentejo, a comer caracóis".

Segundo Vitor Ramalho, Cavaco deixou a reações para outros dirigentes do PSD, como o então vice Eurico de Melo, mas acabou por ter razão quando escreveu posteriormente nas suas memórias que "o governo não se tinha acautelado politicamente para uma conjuntura tão adversa".

Leia Também: Cotrim Figueiredo acusa PS e PSD de tomarem conta do aparelho do Estado

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Sexto ano consecutivo Escolha do Consumidor e Prémio Cinco Estrelas para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

;
Campo obrigatório