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Afinal, a Geringonça morreu ou não morreu?

O próximo Governo não vai contar com acordos escritos como aconteceu há quatro anos. Mas há quem defenda que os acordos ‘por boca’ valem tanto como os assinados.

Afinal, a Geringonça morreu ou não morreu?

Na passada quinta-feira, o Partido Socialista (PS) anunciou que o próximo Governo não vai contar com acordos escritos com nenhum outro partido, como aconteceu há quatro anos, aquando do nascimento da Geringonça, com o Bloco de Esquerda (BE), PCP e Os Verdes.

Apesar de não estar nada assinado, depois de reunir, na quarta-feira, com o BE, PCP, Os Verdes, PAN e Livre, António Costa emitiu um comunicado onde esclareceu que “será prosseguida uma metodologia idêntica de apreciação prévia das propostas de Orçamentos de Estado e de outras relevantes para a estabilidade governativa” e que todos os partidos de Esquerda (assim como André Silva do PAN e Joacine Katar Moreira do Livre) manifestaram “vontade de trabalhar para que haja mais quatro anos de estabilidade política”.

Contudo, já esta sexta-feira, a coordenadora do BE criticou a decisão do PS de governar sozinho e a recusa do primeiro-ministro indigitado a qualquer alteração à lei laboral.

“Os acordos da Geringonça foram uma garantia de estabilidade na vida das pessoas e o Bloco de Esquerda lamenta a decisão do PS de não continuar esse caminho […]. No final da reunião com as confederações patronais [na quinta-feira], o secretário-geral do PS declarou a sua recusa a qualquer alteração à lei laboral. Em seguida, o PS comunicou ao Bloco a sua indisponibilidade para a continuidade de negociações sobre um acordo”, explicou Catarina Martins aos jornalistas, numa conferência de imprensa dada a partir da sede do BE.

Uma farpa a que o dirigente socialista, Duarte Cordeiro, respondeu de seguida, garantindo que “para o PS, a Geringonça não morreu”.

“Para o PS a Geringonça não só não morreu como existe total disponibilidade para trabalhar com vários partidos nos moldes e nos termos que temos vindo a trabalhar e tão bons resultados deram para Portugal”, esclareceu o Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, adiantando que “do lado do PS, vemos essa reação [do BE] como manifestamente exagerada”.

No final das declarações ao jornalista, Duarte Cordeiro fez questão de salientar que “o mais importante foi o final da intervenção da Catarina Martins”, onde a líder do Bloco manifestou vontade para continuar a trabalhar.

Na próxima terça-feira, há uma nova reunião entre o PS e o Bloco de Esquerda. Resta saber que tipo de pontes ali se vão construir. 

Afinal, a Geringonça morreu ou não? Ou vive em espírito?

Se para o PS a Geringonça não morreu, para o Bloco de Esquerda não será bem assim. O eurodeputado José Gusmão acusa o PS de ter encenado uma peça de teatro ao fazer "juras de amor" à Geringonça na noite eleitoral. "Uma peça que esteve em exibição menos de uma semana", criticou. 

Na mesma linha, o deputado Luís Monteiro reagiu à decisão dos socialistas dizendo que "o PS matou a Geringonça". "Está em câmara ardente ali no Largo do Rato. Os patrões já dançam em cima do caixão", lamentou, rematando: "Mas, como dizia o outro, há mais vida para além do défice". 

Joana Mortágua também se manifestou. "Não existe acordo escrito porque o PS não aceitou as condições prévias do Bloco para negociar: reverter as leis laborais da troika", acusou, lembrando que "o PS teve a chance de um acordo a quatro anos mas preferiu entender-se c os patrões". "Mataram a geringonça. Não vale a pena dizerem que continua viva em espírito"

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