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Jerónimo acusa PS, PSD e CDS de evitarem discutir problemas da UE

O secretário-geral do PCP acusou hoje PS, PSD e CDS de evitarem debater problemas concretos da União Europeia por se prepararem para aceitar na agricultura e pesca a destruição que juras de "amor eterno" não evitaram no setor do leite.

Jerónimo acusa PS, PSD e CDS de evitarem discutir problemas da UE
Notícias ao Minuto

06:38 - 18/05/19 por Lusa

Política PCP

Num comício em Espinho com Francisco Gonçalves, candidato da CDU às eleições do próximo dia 26 ao Parlamento Europeu, Jerónimo de Sousa começou por se referir à recente crise no Governo a propósito do descongelamento da carreira dos professores para depois comentar a postura dos seus opositores nas políticas comuns da agricultura e do mar.

"A operação de chantagem do PS e a situação que foi criada no país é bem reveladora da natureza das suas reais opções", disse o líder dos comunistas, defendendo que "PS, PSD e CDS continuam irmanados na obediência e submissão às imposições da União Europeia, colocando-as à frente dos direitos dos trabalhadores e da reposta aos problemas nacionais".

Jerónimo de Sousa atribuiu ao Governo uma política que, "no que é estruturante, é comum a PS, PSD e CDS" e observou: "Por isso os vemos nesta campanha eleitoral não a discutir o que interessa, os problemas do país e os impactos das políticas da União Europeia, mas apostados apenas na picardia, na diatribe, na personalização da política e na política-espetáculo".

Usando o exemplo do próprio distrito de Aveiro, onde a exploração agrícola e as pescas têm peso significativo, o secretário-geral do PCP realçou que foram PS, PSD e CDS que, "em sucessivas reformas da Política Agrícola Comum e na que atualmente está em debate, aprovaram a liberalização" dos mercados e da produção.

"Isso quer dizer, no concreto, que está em curso o fim do direito de plantação na vinha, com a possibilidade de cada Estado-membro alargar em 1% a sua área de vinhedo. Se Itália, França ou Espanha aumentarem em 1%, isso significa mais vinho [estrangeiro] a entrar no mercado nacional. Foi o que aconteceu com o leite: enquanto cá PS, PSD e CDS juravam amor eterno aos produtores de leite, lá acabaram com as quotas leiteiras, levando à destruição de milhares de explorações no nosso país", declarou.

Para Jerónimo de Sousa, o tema tem estado ausente do debate eleitoral porque os três partidos "estão comprometidos com a liberalização do setor" e o mesmo se aplica à "política comum das pescas, [que tem sido] desastrosa em toda a linha para os pescadores e para Portugal".

Lembrando que em 1986 o país assegurava 70% das suas necessidades de pescado e hoje se fica por pouco mais de 30%, o líder do PCP afirmou que na atualidade "o mais grave é a redução do número de pescadores, com a faina crescentemente a ser feita por reformados e emigrantes, em condições quase clandestinas".

Também a esse nível, o líder dos comunistas culpou PS, PSD e CDS: "Enchem a boca com a economia azul, fazem vistosas conferências como a dos Oceanos, mas, com esta política que os três e seus governos executaram em Portugal, é a liquidação das pescas que está em curso e isso não querem eles discutir [na campanha eleitoral]".

Francisco Gonçalves, candidato da coligação, assumiu posição idêntica, apelando ao reforço de votos na CDU como forma de evitar prejuízos maiores para os setores primários da economia nacional - que a cada revisão das normas europeias estará a ser prejudicada por sucessivos cortes nas quotas de produção e "pelo consequente agravamento do défice alimentar português".

Recorrendo ao sarcasmo, o candidato deu um exemplo do que gostaria de ver corrigido: "Esgotada a tonelagem prevista na quota da sardinha, o que ocorre normalmente antes do final de cada ano, os portugueses continuam a fazer sardinhadas e ela continua a ser pescada no nosso mar. A questão é que essa pesca no nosso mar - a terceira zona económica exclusiva da União Europeia - deixa de ser feita por pescadores portugueses e passa a ser feita pelos de outras paragens, o que curiosamente, ao que dizem, já não cria os tais problemas dos 'stocks'".

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