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João Semedo foi recordado com música, poesia e cravos

O ex-coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo, que morreu na terça-feira com 67 anos, foi recordado no Porto por familiares, amigos e bloquistas numa evocação com música, poesia, relato de histórias e cravos vermelhos.

João Semedo foi recordado com música, poesia e cravos
Notícias ao Minuto

07:34 - 20/07/18 por Lusa

Política Porto

A sala do Teatro Municipal Rivoli, onde decorreu na quinta-feira à noite a sessão de homenagem, foi 'pequena' para acolher os que quiseram contar, mas também ouvir histórias ligadas a João Semedo.

Brindados com cravos vermelhos, símbolo do 25 de Abril, aqueles que assistiram à cerimónia podiam ver em palco uma imagem do bloquista acompanhado da frase: "Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa. Sim, fui muito feliz".

Com mais de 16 testemunhos, a abertura coube ao deputado José Manuel Pureza que contou ter sido "incrível" ter sido companheiro do João na viagem da vida, ter ido ao seu lado na mesma carruagem e ter partilhado com ele a escolha do destino.

"A viagem da vida do João não foi cómoda, nem deu direito a 'glamour'. Sabendo isso, o João escolheu o destino, os prontos principais do trajeto e os companheiros de viagem", relatou.

Revelando que se tratavam por irmãos, José Manuel Pureza recordou o "irmão" como um homem que gostava de conhecer "ferozmente para mudar tenazmente".

"Comoveu-me o número de pessoas que ao longo do velório do João quiseram estar presentes porque ele as ajudou a resolver problemas na sua vida", referiu.

Contando o processo de escolha de João Semedo a candidato à Câmara Municipal do Porto, candidatura que teve de abandonar em virtude da sua saúde, o deputado José Soeiro falou na "imensa lição de coragem" que o bloquista deu.

"Por todas as razões do mundo o João podia ter ficado confortável, mas decidiu ir à luta porque dava uma profunda atenção ao outro", considerou.

José Soeiro vincou que o antigo coordenador "semeou" até ao fim da sua vida, numa profunda preocupação com o outro.

A ex-eurodeputada Alda Sousa disse que os amigos do João Semedo vão ter "muitas saudades" da sua generosidade, "olhar maroto" e sentido de humor.

"Este é o início do não esquecimento, não é uma cerimónia de dizer adeus, mas sim a cerimónia do começo de um outro caminho que se fará com ele", considerou o presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Henrique Barros.

Já o médico Viriato Moura frisou que o melhor legado do antigo coordenador é a sua intervenção política, cultural e social, sublinhando como uma amizade subtil evoluiu para uma amizade cúmplice.

O diretor do Hospital Joaquim Urbano, Rui Sarmento, descreveu um homem exigente e rigoroso, e salientou que, mesmo doente, João Semedo deu um "grande exemplo" ao marcar presença nas campanhas e nas palestras.

João Semedo morreu na terça-feira, aos 67 anos, depois de anos de batalha contra o cancro.

O ex-coordenador do BE e médico teve uma vida marcada pela política e participação cívica, tendo as duas últimas lutas sido a despenalização da eutanásia e a defesa do Serviço Nacional de Saúde.

Depois de 30 anos de militância no PCP, João Semedo aderiu oficialmente ao BE em 04 de abril de 2007, apesar da aproximação ao partido ter acontecido três anos antes, quando fez parte, enquanto independente, das listas do partido às eleições europeias de 2004, a convite de um dos fundadores bloquistas, Miguel Portas.

Após a saída de Francisco Louçã de líder do partido, João Semedo assumiu a coordenação, em conjunto com Catarina Martins, entre 2012 e 2014, numa solução de liderança bicéfala que os bloquistas viriam a abandonar.

A batalha de João Semedo contra o cancro começou em 2015. Na altura renunciou ao mandato de deputado da Assembleia da República que exercia desde 2006.

Para lá de décadas de intervenção política, a atividade cívica de João Semedo foi multifacetada e incluiu, entre muitas outras, a participação nas campanhas de alfabetização pós-25 de Abril, a intervenção na Cooperativa Árvore, na direção do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), na Universidade Popular e na fundação do Sindicato dos Médicos do Norte.

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