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Ballet Contemporâneo do Norte estreia-se "na maior angústia de sempre"

O Ballet Contemporâneo do Norte (BCN) estreia, no sábado, em Santa Maria da Feira, um bailado da coreógrafa sueca Anna Pehrsson, em ambiente de "angústia" quanto ao futuro da companhia, reduzida a três pessoas enquanto aguarda por financiamento estatal.

Ballet Contemporâneo do Norte estreia-se "na maior angústia de sempre"
Notícias ao Minuto

19:22 - 09/02/18 por Lusa

Cultura Dança

A nova peça intitula-se 'A matéria move-se, mas não se consegue escapar ao seu peso', resulta do convite que o bailarino Dinis Machado dirigiu à coreógrafa sueca para que aplicasse, num espetáculo mais intimista, a sua experiência em grandes companhias de dança, e irá explorar em palco o próprio momento de "preocupação e dúvida" que o BCN atravessa.

"Em 2015, entrámos num processo de reformulação para tentar perceber o que é ser uma companhia de dança - em termos hierárquicos, autorais, etc. - após uma crise que teve consequências pesadas para grupos e coletivos como o nosso", declara à agência Lusa a diretora do BCN, Susana Otero.

"Mas quando ficámos com melhores condições para trabalhar e todo o investimento feito começava a dar resultados, puseram-nos em suspenso: devido às alterações no formato de financiamento, estamos agora em serviços mínimos, sem recursos, limitados a três elementos, à espera de saber se vamos ter fundos para continuar a produzir", acrescenta.

Embora colaborando com artistas associados como Jorge Gonçalves, que este sábado também estará em palco na estreia da coreografia de Anna Pehrsson, o BCN vê assim reduzido o seu corpo permanente a Susana Otero, Dinis Machado e Rogério Nuno Costa.

"A companhia tem mais de 20 anos e é a primeira vez que não temos a mínima ideia do que será o nosso futuro", afirma a diretora do coletivo. "Estamos na maior angústia de sempre, na maior incerteza, e nem sequer podemos estar muito otimistas, considerando que o valor-referência dos apoios para a dança é 160.000 euros por ano, para toda a região Norte", realça.

Apesar desses constrangimentos financeiros, o BCN tem assegurado uma produção regular - só em 2017 lançou 'A round shadow with three points', da coreógrafa germano-canadiana Litó Walkey, reeditou o projeto de grupo "Outros formatos" e estreou outras seis criações próprias.

Para a sustentabilidade desse trabalho, tem sido essencial o apoio disponibilizado pelo município de Santa Maria da Feira.

"Cede-nos o espaço onde trabalhamos, compra-nos as estreias e o serviço educativo, e dá-nos muito apoio logístico", explica Susana Otero. "Não conseguíamos ter estes espetáculos sem a Câmara e há poucas a fazerem isto no país", garante.

O espetáculo 'A matéria move-se, mas não se consegue escapar ao seu peso' estreia-se no sábado, às 22:00, no Cineteatro António Lamoso. Resultando de uma residência artística no Imaginarius Centro de Criação, aborda "sistemas de instabilidade para esboçar uma ecologia de cruzamentos que é o corpo e as suas relações", pelo que, "no limiar do equilíbrio - no ponto de contacto das fronteiras entre os corpos, êxtase e evasão, transe e exaustão - desenha uma maneira futura de estar com o mundo".

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