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Repressão instalou-se no Egito desde afastamento de Morsi em 2013

A repressão generalizada instalou-se no Egito na sequência da destituição e prisão, em 03 de julho de 2013, pelo exército, então dirigido por Abdel Fattah al-Sisi, do presidente eleito Mohamed Morsi, proveniente da Irmandade Muçulmana.

Repressão instalou-se no Egito desde afastamento de Morsi em 2013
Notícias ao Minuto

08:14 - 23/03/18 por Lusa

Mundo Crise

Em 14 de agosto de 2013, forças militares e policiais lançaram um assalto nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda, no Cairo, onde milhares de manifestantes acampavam há seis semanas, incluindo mulheres e crianças, para exigir o regresso de Morsi, o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito.

Com o argumento, entre outros, de que os manifestantes escondiam armas, a ação destinada a dissolver os dois protestos pró-Morsi terminou em sangue: mais de 700 mortos, segundo o balanço oficial. A Human Rights Watch (HRW) refere-se a uma "matança em massa".

Desde então, a polícia passou a ser autorizada a disparar balas reais sobre manifestantes que ameacem bens públicos ou as forças da ordem.

Segundo a Amnistia Internacional, em sete meses foram mortas 1.400 pessoas, na sua maioria manifestantes islamitas.

Dezenas de milhares de apoiantes pró-Morsi foram detidos, incluindo a quase totalidade da direção da Irmandade Muçulmana.

Em 25 de março de 2014, 529 pessoas foram condenadas à pena de morte após serem acusadas, entre outros motivos, por mortes e tentativa de morte de polícias. A ONU denunciou "o maior processo de massas" da história recente da humanidade.

Em 28 de abril, 683 presumíveis partidários de Morsi foram condenados à morte, incluindo o guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie.

A pena capital aplicada a 500 anteriores condenados foi comutada em prisão perpétua.

Em 16 de junho de 2015, a justiça confirmou a pena de morte pronunciada contra Morsi num processo por violências e evasão de prisão. Perto de 100 pessoas, incluindo Badie, foram também condenadas à morte.

Em 2016-2017, o tribunal de recurso anulou algumas das penas capitais, designadamente as pronunciadas contra Morsi e dirigentes da sua confraria.

A repressão alargou-se aos setores laicos envolvidos na revolução de 2011 que derrubou o antigo ditador Hosni Mubarak.

Em 04 de fevereiro de 2015, 230 militantes, incluindo alguns que participaram na revolta do início de 2011 que derrubou Mubarak, foram condenados a prisão perpétua por participação em manifestações no final de 2011 que terminaram em confrontos.

Quase 40 menores foram condenados a 10 anos de prisão.

Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram as pesadas condenações.

Dezenas de militantes laicos e de esquerda foram detidos e enviados para prisões por contestarem uma lei draconiana que limita o direito de manifestação.

Em janeiro de 2017, Ahmed Maher, fundador e porta-voz do Movimento do 6 de abril -- fundado em 2008 por jovens egípcios, envolvido na revolução de 2011 e que agora se opõe ao regime militar de Sisi -- é libertado após três anos de prisão, mas permanece sob controlo judicial.

Em 24 de maio de 2017, o presidente Sisi promulgou uma nova lei que regula as atividades das ONG. O texto prevê uma "autoridade nacional" que reagrupa representantes dos serviços de segurança para "gerir" as questões relacionadas com o financiamento vindo do estrangeiro, e as atividades das organizações estrangeiras instaladas no Egito.

Oito organizações, incluindo a HRW, avisaram que o texto iria "estilhaçar a sociedade civil".

Em 25 de setembro de 2017, pelo menos seis pessoas foram detidas por exibirem uma bandeira arco-íris, símbolo da comunidade LGTB, durante um concerto no Cairo.

Em novembro, após dezenas de prisões, 16 homens foram condenados a três anos de detenção.

O Egito ocupa o 161ª lugar (em 180 países) na classificação 2017 dos Repórteres sem fronteiras (RSF) sobre liberdade de imprensa. Pelo menos 29 jornalistas estão presos e 500 'sites' da internet foram bloqueados em menos de um ano.

Têm sido particularmente visados a cadeia televisiva Al-Jazira, o 'site' liberal Mada Masr e o jornal liberal Daily News Egypt.

Diversos 'media' ocidentais têm também sido acusados de "denegrir" a imagem do Egito.

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