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Jerusalém: Anúncio de Trump motiva críticas. Israel é exceção

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por parte dos EUA foi recebido por uma onda de contestação diplomática na Europa e no Médio Oriente, com a exceção de Israel, que classificou o dia de hoje como "histórico".

Jerusalém: Anúncio de Trump motiva críticas. Israel é exceção
Notícias ao Minuto

22:35 - 06/12/17 por Lusa

Mundo Mudança

O anúncio foi feito pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, num discurso na Casa Branca no qual também anunciou - como já era esperado - que vai dar ordens ao Departamento de Estado para mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém.

No seu discurso, o Presidente dos EUA disse que continua a defender uma solução de "dois Estados" naquela região - Palestina e Israel - e salientou que "tudo fará para promover uma solução pacífica".

Os Estados Unidos transformam-se assim no único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental da cidade, conquistada em 1967.

As reações diplomáticas não se fizeram esperar. Uma das primeiras - e a única positiva - foi a do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que considerou que hoje é "um dia histórico" e que o anúncio de Trump é "um passo importante para a paz".

Do lado palestiniano, o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, afirmou hoje que, com esta "decisão deplorável", os EUA deixaram de poder desempenhar o seu papel histórico de intermediário nas negociações de paz com os palestinianos e estão a "minar deliberadamente todos os esforços de paz".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou - por seu lado - que a paz no Médio Oriente só será possível concretizando a visão de dois Estados - Israel e Palestina - com Jerusalém como a capital de ambos.

Numa declaração que durou cerca de dois minutos, Guterres disse que só "concretizando a visão de dois estados a viver lado a lado, em paz, segurança e reconhecimento mútuo, com Jerusalém como a capital de Israel e da Palestina" é que "as aspirações legítimas de ambos os povos serão alcançadas".

O movimento islâmico palestiniano Hamas manifestou duas reações diferentes: o líder político do movimento, Ismail Haniye, afirmou hoje que o anúncio de Trump não altera o estatuto "religioso, jurídico e administrativo" de Jerusalém, enquanto Ismail Radouane, um alto responsável, disse que a decisão "abre as portas do inferno para os interesses americanos na região".

Na Turquia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, classificou hoje como "irresponsável" o anúncio de Trump, enquanto na Europa os países mais poderosos do bloco comunitário manifestaram discordância em termos mais suaves.

O governo britânico de Theresa May considerou que o reconhecimento de Jerusalém "não é útil em termos de perspetivas de paz na região".

O Presidente francês Emmanuel Macron, de visita à Argélia, classificou como "lamentável" a decisão de Trump, apelando a que se "evite a violência a qualquer preço".

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou - por seu turno - que o seu Governo não apoia a decisão do Presidente norte-americano "porque o estatuto de Jerusalém só pode ser negociado no âmbito de uma solução de dois Estados".

Em termos globais, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, manifestou a "séria preocupação" do bloco comunitário quanto à decisão.

Israel considera a Cidade Santa a sua capital "eterna e reunificada", mas os palestinianos defendem pelo contrário que Jerusalém-leste deve ser a capital do Estado palestiniano ao qual aspiram, num dos principais diferendos que opõem as duas partes em conflito.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os Presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em "interesses nacionais".

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