Companhia aérea LaMia só tinha 15 funcionários e um avião

Uma empresa familiar que se dedicava especialmente a transportar equipas de futebol.

© Lamia
Mundo Acidente

A LaMia, Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación, é até designada de microcompanhia aérea. Tinha apenas 15 funcionários, todos familiares e amigos, sendo que após o acidente do dia 29 ficou com apenas oito.

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Com o acidente do avião que se despenhou com 77 pessoas a bordo, 71 das quais morreram, a atividade da companhia foi suspensa pelo regulador do setor de aviação na Bolívia, a Direção Geral de Aeronáutica Civil.

Miguel Quiroga, de 36 anos, piloto do avião, era também um dos donos da empresa. Durante anos tentou entrar no circuito de voos comerciais para África e Europa, sem sucesso.

A LaMia dedicava-se, por isso, ao transporte de equipas de futebol, tendo inclusive como clientes as seleções da Bolívia, Argentina e Colômbia.

O avião Avro RJ85 que caiu perto de Medellin era o único da empresa em funcionamento (a empresa adquiriu outros dois mas estavam a ser alvo de reparações e nunca foram usados). Era personalizado conforme a equipa que fosse transportar, com alteração de cores e logos tanto no interior como na fuselagem.

Antes de se tornar sócio da LaMia, Miguel foi instrutor de uma escola de aviação. "Foi a paixão dele a vida inteira. Quando surgiu a oportunidade de comprar uma companhia aérea, ele aproveitou", contou à BBC Osvaldo Quiroga, primo do piloto.

Há quem acuse Miguel Quiroga de abastecer o seu avião apenas com o estritamente necessário, para poupar dinheiro, e de não ter comunicado a falta de combustível como uma emergência para evitar multas.

“Nenhum piloto vai arriscar a própria vida, nem a das pessoas que está a transportar. Não faria sentido colocar a própria vida em risco, ele tinha acabado de ser pai", disse Osvaldo Quiroga.

Miguel fora pai pela terceira vez há cerca de três meses. Vivia com a mulher e os filhos: a bebé recém-nascida, um menino de 13 anos e uma menina de nove.

Da restante tripulação da LaMia que seguia a bordo do avião acidentado, ficam duas histórias: a de Erwin Trutimi, comissário de bordo que conta como sobreviveu, e a de Sisy Arias, jovem de 29 anos que realizava a sua primeira viagem como co-piloto de um voo civil.

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