Empreiteira pede desculpa por "práticas impróprias" na Lava Jato

A empreiteira brasileira Odebrecht pediu esta quinta-feira desculpa e admitiu que "errou" ao ter participado em "práticas impróprias", no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga um mega esquema de corrupção na petrolífera estatal Petrobras.

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Mundo Brasil

Em comunicado, a construtora começa por dizer "desculpe, a Odebrecht errou", reconhecendo que "participou de práticas impróprias na sua atividade empresarial".

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"Não importa se cedemos a pressões externas. Tampouco se há vícios que precisam de ser combatidos ou corrigidos no relacionamento entre empresas privadas e o setor público. O que mais importa é que reconhecemos o nosso envolvimento, fomos coniventes com tais práticas e não as combatemos como deveríamos", referiu.

A Odebrecht sublinha: "foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética".

O comunicado surge no mesmo dia em que pessoas ligadas à empresa começaram a assinar acordos de delação premiada (prestação de informações em troca de eventual redução de pena) no âmbito da Lava Jato, segundo a imprensa brasileira.

No total, 77 pessoas fecharão acordos com o Ministério Público Federal (MPF), entre os quais o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que se encontra detido desde 2015 e que já foi condenado a 19 anos a e quatro meses de prisão.

Será também assinado um acordo de leniência com a Odebrecht, o que poderá ter um grande impacto nos meios políticos, dado que executivos da empresa citaram mais de 200 nomes de políticos, de acordo com a imprensa local.

O acordo, que inclui também os Estados Unidos e a Suíça, prevê uma multa de 6,7 mil milhões de reais (1,8 mil milhões de euros) com prazo de pagamento de 20 anos.

Com um acordo de leniência, a empresa poderá continuar a ser contratada pela administração público e a contrair empréstimos.

Na nota, a Odebrecht informou que está a implementar um "sistema de conformidade baseado em padrões internacionais (...) composto por dez medidas integradas de prevenção, deteção e remediação de riscos de não conformidade", entre elas um canal de denúncias de irregularidades.

"A Odebrecht S.A segue evoluindo no seu plano de alienação de ativos, reestruturação de dívidas e fortalecimento da estrutura de capital de alguns dos seus negócios. O objetivo é garantir liquidez financeira", lê-se na nota.

O plano, acrescentou, "inclui a venda, até meados de 2017, de ativos avaliados em aproximadamente 12 mil milhões de reais" (3,2 mil milhões de euros).

 

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