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Iraque em "ascensão", mas corrupção, facções e impunidade são obstáculo

A líder da Missão da ONU no Iraque (Unami) considerou hoje que o país está "em ascensão", embora flagelos como corrupção, facções, impunidade, interferências e grupos armados fora do controlo estatal ainda representem "grandes obstáculos" a ultrapassar.

Iraque em "ascensão", mas corrupção, facções e impunidade são obstáculo
Notícias ao Minuto

22:29 - 16/05/24 por Lusa

Mundo ONU

Numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) sobre o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, que deixará o cargo no final deste mês, apresentou o seu último relatório sobre o país, que diz que "parece diferente" de quando lá chegou, em 2018, avaliando que o mundo está a "testemunhar um Iraque em ascensão".

"Embora o país tenha oscilado várias vezes no limite, encontrou uma forma de recuar do abismo e continuar a sua jornada adiante", afirmou.

"É verdade que as décadas de turbulência passadas ainda têm impacto no presente. E sim, os desafios são múltiplos, com as instituições estatais ainda frágeis. Mas acredito que já é tempo de julgar o país pelos progressos realizados e de virar a página relativamente às imagens mais sombrias do passado do Iraque", apelou a enviada.

Naquele que foi o seu último 'briefing' ao Conselho como líder da Unami, Jeanine Hennis-Plasschaert enumerou uma série de obstáculos que necessitam de ser superados e "exigências legítimas de mudança" que ainda não foram satisfeitas, como "sentimentos de marginalização e exclusão", que se não forem abordados, correm o risco de causar "tensão intra e intercomunitária".

A representante da ONU apontou também a tomada de poder ou políticas punitivas, assim como o recente aumento de execuções em massa de pessoas condenadas ao abrigo de leis anti-terrorismo, como motivo de grande preocupação.

"Embora seja verdade que o caminho a seguir estará repleto de obstáculos, temos esperança de que novos progressos serão desbloqueados para todos os iraquianos -- independentemente da sua filiação, fé, origem ou etnia", disse, dirigindo-se aos líderes do Iraque.

Num olhar para o ambiente de segurança regional, e embora salientando o estado de volatilidade que persiste, Jeanine Hennis-Plasschaert considerou como uma "boa notícia" o Governo do Iraque ter "demonstrado uma forte determinação em evitar que o país fosse arrastado para um conflito mais amplo".

"Através destes esforços, apraz-me afirmar que, atualmente, prevalece no Iraque um ambiente de segurança mais estável", indicou.

No entanto, dado o cenário complexo do país, de intervenientes armados que operam fora do controlo estatal, bem como as intensas pressões regionais, a situação continua "inflamável", segundo a líder da Unami.

Outro dos pontos de destaque foi a questão do desaparecimento de cidadãos e de propriedades do Kuwait, com a representante da ONU a pedir um "urgente aumento de atividades para identificar e escavar mais locais de sepultamento" e a reativação do comité conjunto sobre bens desaparecidos no Kuwait.

A reunião aconteceu poucos dias após o Iraque ter pedido ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o encerramento definitivo da Unami até ao final de 2025.

De acordo com o porta-voz do Governo iraquiano, Basim Alawadi, "as circunstâncias que exigiram a criação da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque há 21 anos já não existem".

Essa posição foi reforçada hoje pelo encarregado de Negócios da missão do Iraque junto à ONU, Abbas Kadhim Obaid, que advogou já não haver necessidade de a missão continuar no país "devido aos desenvolvimentos positivos e às importantes realizações que o Iraque testemunhou em todos os campos, como segurança, política económica e social ou em termos de relações regionais e internacionais".

O diplomata pediu assim ao Conselho de Segurança que responda a este pedido de retirada feito pelo Governo iraquiano.

A Unami, que conta atualmente com "648 funcionários, 251 internacionais e 397 nacionais", foi criada na sequência da invasão americana do Iraque em 2003, realiza tarefas de avaliação e elabora relatórios sobre a situação dos direitos humanos no país e coordena uma série de projetos executados pelas agências da ONU, mantendo uma estreita ligação com todos os Ministérios do Governo iraquiano para a sua execução, entre outras tarefas.

O Governo iraquiano expressou a sua gratidão a Guterres e Jeanine Hennis-Plasschaert, assim como a todo o pessoal da Unami pelo "seu apoio ao longo dos últimos anos".

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