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"Matança" de pessoas à espera de comida. O que se passou hoje em Gaza?

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas reúne-se esta quinta-feira, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para discutir o que se passou hoje em Gaza, na Palestina. Imagens aéreas mostram momentos de aflição. O exército israelita atacou "civis inocentes" que esperavam ajuda humanitária de vários governos.

Notícias ao Minuto

19:51 - 29/02/24 por Notícias ao Minuto com Lusa

Mundo Israel/Palestina

Numa altura em que o número de mortos em Gaza ultrapassa os 30 mil, aconteceu um dos ataques mais mortíferos desde que a guerra no Médio Oriente começou.

Esta quinta-feira, a cidade esperava pela distribuição de comida fornecida por vários governos quando o exército israelita disparou sobre civis, contabilizando-se para já mais de 100 mortos e mais de 700 feridos – números que poderão aumentar, de acordo com o Crescente Vermelho.

O exército israelita já admitiu que disparou na altura, considerando que foi uma “resposta limitada” e não confirmando os números, apresentados também pelo ministério da Saúde Gaza.

Segundo contam as publicações internacionais, houve dois momentos marcantes neste que foi um dos ataques mais mortíferos dos últimos tempos na guerra em Gaza.

O que se passou?

À CNN, as Forças de Defesa Israelitas (IDF, na sigla em inglês) explicaram que os camiões com comida dirigiram-se para o norte da cidade e foram cercados por multidões – consequentemente, defendeu o porta-voz, um grupo de palestinianos ter-se-á aproximado das forças israelitas, que dispararam.

“Os camiões foram para norte, depois houve uma debandada e depois disso houve um evento contra as nossas forças. Foi como tudo se passou durante a manhã”, defendeu.

Porém, de acordo com jornalistas locais e algumas testemunhas, o que se passou não foi bem assim. Citada pela CNN, o jornalista Khadeer Al Za’anoun, contou que uma multidão se reuniu à espera que a comida fosse distribuída dos camiões. O suposto caos só se instalou quando as forças israelitas começaram a disparar – e aí sim, houve uma debandada que fez com que várias pessoas fossem também atropeladas pelos veículos.

E as negociações?

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já reagiu, tendo referido que a situação dificultará as conversações e libertação dos reféns que ainda estão sobre o controlo do Hamas. Biden tinha dito, esta semana, que uma nova trégua poderia acontecer na próxima segunda-feira, mas, dado o acontecimento, o presidente dos EUA recuou e referiu que um cessar-fogo “provavelmente não acontecerá na segunda-feira” mas assumiu ainda que tinha “esperanças”.

E o Hamas, o que diz?

Também um dos responsáveis pelo grupo islamita Hamas,  Ezzat Al-Risheq, se pronunciou sobre a situação, negando que as negociações pudessem acontecer. "Não permitiremos que o caminho das negociações... [se torne] uma cobertura para os crimes contínuos do inimigo contra o nosso povo na Faixa de Gaza”, escreveu, em comunicado, citado pela imprensa internacional.

Também organizações internacionais já reagiram, tal como a Oxfam, que apontou que as mortes “apenas vão exacerbar aquilo que é uma crise”.

“É absolutamente aterrador. Estes atos de violência contra civis que são um desespero. E pelas imagens aéreas é evidente que estes civis estão desesperados”, explicou o líder da ONG no local, Bushra Khalidi.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também já abordou o assunto, com o secretário-geral, António Guterres, a condenar a situação e a apelar a ajuda urgente no local. Guterres apontou ainda que está consternado com o "trágico custo humano do conflito em Gaza", que para além dos milhares de mortos acima referidos, já deixou também mais de 700 mil pessoas feridas.

Já o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se ainda esta quinta-feira de emergência para discutir o que se passou enquanto "palestinianos inocentes apenas tentavam alimentar as suas famílias".

Em declarações divulgadas pela cadeia televisiva CNN, um porta-voz do Conselho de Segurança dos EUA afirmou que a matança em Gaza "sublinha a importância de aumentar e manter o fluxo de ajuda humanitária, inclusive através de um possível cessar-fogo temporário".

Veja as imagens na galeria acima.

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