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Líder da oposição bielorrussa pede apoio a Portugal para "crise dupla"

A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, disse hoje à Lusa que o seu país está a viver uma "dupla crise" e apelou a Portugal e outros aliados para prestarem atenção e levarem a situação à ONU.

Líder da oposição bielorrussa pede apoio a Portugal para "crise dupla"
Notícias ao Minuto

13:24 - 14/11/23 por Lusa

Mundo Bielorrússia

"A primeira é uma crise humanitária porque, desde há três anos, há pessoas detidas na Bielorrússia diariamente por causa das suas opiniões políticas", afirmou Sviatlana Tsikhanouskaya, que esteve hoje na comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros para descrever a situação aos deputados portugueses e pedir apoio.

Admitindo que ninguém sabe bem quantos presos políticos existem já, Tsikhanouskaya indicou que, segundo as organizações de defesa dos direitos humanos, há pelo menos 1.700, mas sublinhou que "o número real pode ser de cerca de 5.000 pessoas".

Estes presos políticos são "pessoas que se opõem ao regime, que apoiam os ucranianos na guerra ou que têm perspetivas europeias para o país", explicou, acrescentando que os prisioneiros "estão a passar por condições desumanas, sendo muitos deles mantidos em modo incomunicável".

Um desses presos políticos, recordou, é o seu marido, o ativista Siarhei Tsikhanouski, que estava a preparar a sua candidatura às eleições presidenciais de 2020 quando foi preso.

Tsikhanouskaya assumiu o seu lugar e reivindicou a vitória, mas foi afastada e perseguida pelo então já Presidente, Alexander Lukashenko, que foi acusado de fraude eleitoral, manipulação e censura.

"A segunda crise na Bielorrússia é a ameaça à independência", referiu, explicando que "Lukashenko só tomou o poder em 2020 devido ao apoio político e económico do [Presidente russo, Vladimir] Putin" e que, por isso, "se tornou cúmplice na guerra contra a Ucrânia e está a vender a soberania, peça por peça, a Putin, para obter alguma vantagem económica".

Numa altura em que o contexto internacional coloca o centro da atenção dos países na guerra na Ucrânia e na guerra entre Israel e Hamas, Sviatlana Tsikhanouskaya defende que "é preciso que os aliados e parceiros democráticos [da oposição ao refime bielorrusso] permaneçam firmes e determinados".

"Portugal é um dos países que nos tem apoiado desde 2020, desde o início da nossa crise, desde o início da nossa revolução", afirmou, lembrando que esta é a terceira vez que está em Portugal para "procurar apoio para as forças democráticas e para a luta" pela democracia.

"Precisamos de fiadores da nossa soberania. Procuramos estas garantias entre países semelhantes, como Portugal", acrescentou.

A três meses da data apresentada para eleições legislativas na Bielorrússia e a pouco mais de um ano das presidenciais, Sviatlana Tsikhanouskaya sublinhou que ambas as datas são apenas fachadas.

"Há um deserto político na Bielorrússia e este regime pode chamar eleições a estes procedimentos, mas não têm nada a ver com eleições", garantiu, referindo que não é possível dar esse nome quando há "milhares de presos políticos, cerca de meio milhão de pessoas fugiram do país por causa da repressão, onde qualquer voz crítica é imediatamente silenciada durante anos e onde os meios de comunicação alternativos foram arruinados".

Uma nova candidatura não está nos seus planos, não só por não considerar o ato eleitoral como legítimo, mas também por viver no exílio, na Lituânia, sem qualquer possibilidade de regressar ao país, já que foi condenada, num julgamento à revelia, a 15 anos de prisão.

"Todos os candidatos alternativos [a Lukashenko] estão nas prisões, portanto, todas as 'eleições' são falsas e uma farsa. O nosso ciclo eleitoral parou em 2020", sublinhou.

O objetivo é "conseguir eleições livres e justas", em que "qualquer pessoa possa participar sem repressão", afirmou a ativista, defendendo que, para isso, é preciso "enfraquecer o regime através de atos internos de desobediência e de sabotagem, para o regime em tensão constante, mas também através de pressão externa, com sanções, privação de espaço político e reforço da sociedade civil".

Esse reforço passa muito por grupos "como o que foi criado ontem [na segunda-feira] em Portugal", o Grupo de Amigos da Bielorrússia Democrática.

"Já temos grupos destes em 23 países e é uma grande conquista para nós porque é como uma garantia de que a questão estará em foco nos parlamentos", referiu, adiantando que, em agosto, todas as forças democráticas concordaram que o futuro da Bielorrússia está na Europa.

"Historicamente, sempre pertencemos à Europa. Só há 200 anos é que estamos sob a influência do 'Império Russo'. A União Europeia é o nosso objetivo final. Pode levar muitos anos, mas temos que nos preparar já. Porque quando tivermos condições na Bielorrússia para nos tornarmos candidatos, já estaremos preparados", concluiu.

[Notícia atualizada às 13h37]

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