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EUA. Dono de discoteca LGBTI+ acusa extrema-direita de promover ódio

Os comentadores mais conservadores norte-americanos não pararam de fomentar desinformação sobre a comunidade LGBTI+, mesmo após o ataque, continuando a relacionar pessoas 'queer' com pedofilia.

EUA. Dono de discoteca LGBTI+ acusa extrema-direita de promover ódio

Quase uma semana depois do tiroteio numa discoteca LGBTQ+ em Colorado Springs, nos Estados Unidos, o dono do bar mostrou-se desanimado na quarta-feira com o aumento da violência contra a comunidade queer norte-americana, que culminou com o ataque do passado sábado que matou cinco pessoas.

Numa entrevista à Associated Press, Nic Grzecka, um dos donos do Club Q, contou como o espaço foi criado para ser um ambiente seguro e protegido para a comunidade LGBTQ+, num estado do Colorado onde a população é maioritariamente conservadora e onde nem sempre as orientações não-heteronormativas são bem acolhidas

Grzecka responsabiliza a proliferação do ódio contra a comunidade em televisões e órgãos conservadores e de extrema-direita, como a Fox News e o apresentador Tucker Carlson, acreditando que os programas que relacionam pessoas queer com pedofilia e sexualização de crianças aumentam o potencial para episódios violentos.

"É diferente andar na rua enquanto seguro na mão do meu namorado e cuspirem-me, em relação a um político comparar uma 'drag queen' a um aliciador de crianças", disse Grzecka (o dono do bar usa a expressão 'groomer', do inglês 'grooming', que consiste na persuasão de menores por adultos para relações sexuais, que podem ou não ser consentidas). "Prefiro que me cuspam na rua do que o ódio chegar ao ponto a que chegou hoje", acrescentou.

Para Nic Grzecka, o aumento da desinformação contra pessoas da comunidade LGBTQ+ tornou-se num grande perigo nos estados Unidos, pois estes programas estão "a tornar-nos em algo que não somos, criando um tipo diferente de ódio".

Nos últimos meses, vários estados norte-americanos governados por políticos conservadores têm promovido várias medidas legislativas que limitam os direitos da comunidade LGBTQ+, impedindo mesmo alguns aspetos da sua vida em sociedade. Por exemplo, o Texas proibiu quaisquer tipos de tratamentos para pessoas trans e a Flórida baniu a abordagem de conteúdos LGBTQ+ em escolas e manuais escolares, enquanto que vários estados eliminaram totalmente a possibilidade de pessoas trans competirem em desportos federados.

No dia seguinte ao ataque, televisões conservadores como a Fox News continuaram a defender ataques contra a comunidade, especialmente pessoas trans, acusando-as de promoverem pedofilia (algo que tem sido regularmente negado por todas as autoridades competentes).

Nic Grzecka explicou ainda como o Club Q, onde começou a trabalhar em 2003, foi essencial para uma normalização dos bares LGBTQ+ como espaços de convívio e inclusão e onde a comunidade se sente segura, já que, antes, eram vistos meramente como locais escondidos e destinados exclusivamente para encontros sexuais. As noites de bingo com 'drag queens', os jantares de Natal e as celebrações de aniversário tornaram-se importantíssimas para muitas pessoas que se viam excluídas, muitas vezes da sua própria família.

Daí que o ataque violento ao Club Q seja visto como uma grande ameaça à integração das pessoas 'queer' no Colorado.

"Quando esse sistema desaparece, percebe-se o quanto este bar estava a ajudar. Alguns dos que faziam ou não parte da família do Club Q, para onde vão agora?", questionou Justin Burns, promotor de uma marcha 'pride' na região.

No passado sábado, Anderson Aldrich entrou no bar e começou a disparar sobre a multidão, matando cinco pessoas e ferindo outras 25, antes de ser imobilizado por um veterano do exército que se encontrava no local. Aldrich, de 22 anos, continua detido pelas autoridades e ainda não comentou o caso, sendo que as autoridades estão a considerar acusá-lo de crimes de ódio.

Leia Também: Pai de atirador em discoteca LGBTQ+ aliviado por filho não ser gay

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