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Putin e insegurança alimentar? "Este é um novo tipo de colonialismo"

O historiador Timothy Snyder explica como o líder da Rússia segue as pisadas de dois ditadores e quais os três objetivos principais da estratégia no bloqueio dos portos ucranianos.

Putin e insegurança alimentar? "Este é um novo tipo de colonialismo"

O historiador Timothy Snyder analisou a mais recente estratégia de guerra de Vladimir Putin, nomeadamente, o bloqueio nos portos ucranianos, que têm impedido a exportação de cereais da Ucrânia. Esta estratégia "não é nova" e foi utilizada por Hitler e Estaline durante as suas lideranças, lembra o professor de Yale.

O especialista em estudos sobre a Europa Central e Oriental aponta três objetivos que Putin quer atingir ao criar uma crise de segurança alimentar: para além da destruição do Estado ucraniano, o Kremlin terá também como finalidade a criação de uma crise de refugiados vindos do Norte da África e do Oriente Médio - causando instabilidade na União Europeia - e o desencadeamento de uma campanha de propaganda russa, por forma a responsabilizar o país invadido pela fome mundial.

"A Rússia tem um plano de fome. Vladimir Putin está a preparar-se para deixar à fome grande parte dos países em desenvolvimento como o próximo passo da sua guerra", escreve no Twitter.

Lembrando que a Ucrânia é um dos maiores exportadores e cereais - sendo nomeada muitas vezes como o 'celeiro da Europa' -, Timothy Snyder refere que há a tendência para "esquecer como a comida é central para a política" e lembra alguns exemplos históricos.

"A ideia de que o controlo dos cereais ucranianos poderia mudar o mundo não é nova. Tanto Estaline como Hitler quiseram fazê-lo", acrescenta.

"Para Estaline, a exploração da terra negra tinha como objetivo construir uma economia industrial na União Soviética. A coletivização da agricultura matou cerca de quatro milhões de ucranianos", referiu, acrescentando que à medida que estes civis iam morrendo, o líder russo na altura culpava o povo ucraniano. "A propaganda soviética chamava a atenção para os famintos 'nazis'"

"Os nazis reais tinham ideias semelhantes. Gostavam da ideia de controlar a agricultura ucraniana. Este era um dos objetivos centrais de Hitler", escreveu, referindo que o líder alemão queria desviar o trigo da União Soviética para a Alemanha, "na esperança de deixar á fome milhões de cidadãos da União Soviética".

"A II Guerra Mundial foi combatida na Ucrânia em medidas consideráveis, entre ditadores que queriam controlar as cadeias de fornecimento de alimentos", especificou.

O também escritor refere que a memória política russa traçou um caminho para um plano de fome no século XXI. "É dito aos russos que a fome no tempo de Estaline foi um acidente e que os ucranianos são nazis. "Isto faz com que o bloqueio e os roubos pareçam aceitáveis", explicou.

Para além do corte nas exportações e na eventual crise de refugiados, o especialista destaca a propaganda russa de culpabilização da Ucrânia como o "mais horrível objetivo" de Putin. "Serão precisas mortes em massa", refere

"Quando os motins pela comida começarem e a fome de espalhar, a Rússia vai culpar a Ucrânia, e apelar ao reconhecimento dos ganhos territoriais da Rússia na Ucrânia e ao levantamento de todas as sanções", considerou, acrescentando que o plano para "deixar à fome asiáticos e africanos" será um passo do caminho. "Este é um novo tipo de colonialismo, e o último capítulo das políticas de fome", refere.

Leia Também: Macron reforça que tudo fará "para ajudar os ucranianos"

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