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Uruguai: Milhares de mulheres em protesto contra a "cultura de violação"

Milhares de mulheres manifestaram-se esta sexta-feira em Montevideu contra a violência sexual, denunciando uma "cultura de violação" no Uruguai, país onde nos últimos dias se registaram várias denúncias deste tipo de crimes.

Organizações feministas de todo o país organizaram um grande desfile na capital, onde demonstraram a sua indignação, raiva e cansaço pela falta de respostas.

Os protestos, que exigem o fim das violações e outros abusos sexuais que as mulheres sofrem diariamente, ocorreram em todo o país, e aquelas que não puderam comparecer às marchas, fizeram-se ouvir desde as suas varandas ou através das buzinas dos seus carros, noticia a agência EFE.

No domingo, uma mulher denunciou que foi violada por um grupo de homens num apartamento à beira-mar em Montevideu, onde chegou com um deles e com quem fez sexo consentido 

Pelo menos outros três homens foram para o apartamento e violaram a mulher de 30 anos com a conivência do homem com quem se encontrou inicialmente.

"A cultura de violação é continuar a dizer que os homens têm 'necessidades' ou 'impulsos sexuais' que não podem controlar", referiram, em comunicado, as organizações de defesa das mulheres.

"Todos os dias somos confrontados com discursos que sublinham o medo, o silêncio e a dúvida", pode ler-se na nota que apela a uma melhor educação sexual e ações concretas do Estado para proteger as mulheres.

Para a sindicalista e feminista Tamara García, os acontecimentos do último fim de semana causaram "indignação".

"Somos dominadas pela impotência e pela raiva, porque também é algo que poderia ter acontecido com todas nós em algum momento. Focamos o facto de que este não ser um caso isolado. A isto chama-se cultura de violação e acontece todos os dias", alertou.

As manifestantes também questionaram as palavras do Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, que após o mais recente caso de violação referiu que estes comportamentos não são típicos "do ser humano ou do género masculino".

Para estas organizações e associações, as palavras negam a realidade e escondem "um problema muito sério" da sociedade.

"Perceba, senhor presidente, que violadores são seres humanos e principalmente filhos, do sexo masculino, do patriarcado", destacaram.

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