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Quase 100 mil cientistas, médicos e engenheiros deixaram a Venezuela

A oposição venezuelana denunciou, segunda-feira, que está a haver uma "fuga de talentos" para o estrangeiro, devido à crise política, económica e social que afeta a Venezuela.

Quase 100 mil cientistas, médicos e engenheiros deixaram a Venezuela

"Pelo menos 92.000 cientistas, médicos, engenheiros e arquitetos emigraram da Venezuela nos últimos anos (desde 2015), sem dúvida, uma grande fuga de talentos", denunciou o ex-deputado opositor Carlos Valero do partido Um Novo Tempo (centro-esquerda), eleito em 2015.

"E urgente um câmbio da política no país, para que cada venezuelano que partiu possa regressar e juntos possamos construir o país que merecemos", afirmou.

Segundo o HispanoPost (portal web com presença em 17 países da América Latina) a "emergência humanitária venezuelana levou pelo menos 12.000 profissionais de ciência e tecnologia, 20.000 médicos e 50.000 engenheiros e arquitetos a emigrar nos últimos anos".

"Este talento venezuelano em fuga junta-se a contingentes de profissionais que fugiram de países em conflito ou sumidos em emergências humanitárias, uma situação que está a ser abordada através de fóruns virtuais intitulados Science in Exile", lê-se na Hispanopost.

Segundo o portal, nestes debates, promovidos pela Unesco, pela Academia Mundial de Ciências, pelo International Science Council e a Interacademy Partnertship, estão a ser abordadas questões com a prolongada situação de deslocação no Afeganistão, Síria, Venezuela e Iémen.

Em análise está também "as condições precárias em que os investigadores destes países sobrevivem, as estratégias e oportunidades que têm procurado para continuar a fazer ciência dentro e fora das fronteiras das suas nações de origem".

"Na vanguarda destas crises migratórias está a Venezuela, um país que até 2023 terá expulsado 10 milhões de pessoas, segundo projeções do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e do Fundo Monetário Internacional", explica o HispanoPost.

Por outro lado, segundo a ex-presidente da Academia de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais da Venezuela, Gioconda San Blas, "o colapso económico é a maior força que empurra ao deslocamento, junto com uma democracia falida, a perseguição política, a conflituosidade social e a diminuição da segurança social".

Nesse contexto, refere que os investigadores venezuelanos recebem salários "ridículos" e explica que o seu "rendimento mensal como investigadora 'eméritos' (distinguida) do Instituto Venezuelano de Investigação Científica apenas chega aos 30 dólares (25,27 euros)".

Segundo a revista Ciência ao Dia os "cientistas venezuelanos são forçados a 'inventar' para sobreviver, aceitando um segundo emprego ou recorrendo às poupanças que conseguiram juntar quando as circunstâncias do país eram outras".

"Para além dos números dramáticos que evidenciam a debacle científica venezuelana, quase 88% dos estudantes universitários expressam o desejo de viver no estrangeiro, 50% dos investigadores partiram e 77% dos laboratórios estão paralisados ou abandonados", segundo Gioconda San Blas.

A crise política, económica e social na Venezuela, agravou-se desde janeiro de 2019, quando o então presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres e democráticas no país.

Em 29 de julho a Organização de Estados Americanos (OEA) alertou que o número de venezuelanos que fogem da crise política, económica e social na Venezuela, poderá atingir os 7 milhões no primeiro trimestre de 2022, "ultrapassando o êxodo na Síria".

Nesse mesmo dia um relatório da agência da ONU para as migrações alertou que os países que acolhem venezuelanos que abandonaram o país devem "começar a desenhar a integração a longo prazo".

Os últimos dados dão conta que pelo menos 5,6 milhões de venezuelanos abandonaram o seu país desde 2015.

Leia Também: Organização insta TPI a investigar crimes contra humanidade na Venezuela

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