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EUA declaram que eritreus a combater no Tigray devem sair "imediatamente"

Todos os soldados eritreus a combater no Tigray devem sair "imediatamente" da província etíope no norte da Etiópia, na fronteira com a Eritreia, declarou na terça-feira a nova administração norte-americana.

EUA declaram que eritreus a combater no Tigray devem sair "imediatamente"
Notícias ao Minuto

13:06 - 27/01/21 por Lusa

Mundo Etiópia

Os Estados Unidos da América (EUA) dão "crédito" a relatos de "pilhagem, violência sexual, agressões nos campos de refugiados e outros abusos dos direitos humanos" na província, afirmou um porta-voz do Departamento de Estado numa nota enviada à agência Associated Press (AP) por correio eletrónico.

"Há também provas de que soldados da Eritreia estão a forçar o regresso à Eritreia de refugiados eritreus em Tigray", disse o porta-voz.

Várias dezenas de milhares de refugiados eritreus em campos como Mai Aini e Adi Harush e outros no Tigray estão sem acesso a comida e outros bens de primeira necessidade, de acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

A declaração reflete uma nova pressão da Administração Biden sobre o Governo da Etiópia - o segundo país mais populoso de África, com 114 milhões de habitantes, e uma âncora dos interesses ocidentais no Corno de África -, e sobre outros aliados nos combates que decorrem há quase três meses no estado autónomo do Tigray.

Relatos de pessoas que fugiram da região de Tigray em declarações à AP esta semana deram conta de que soldados eritreus têm estado a pilhar residências e a fazer buscas casa a casa, matando jovens, e agindo como se fossem autoridades locais.

De acordo com um grande número de testemunhos, as forças eritreias não apenas têm estado a lutar do lado das forças etíopes desde o início da ofensiva militar no Tigray, em 04 de novembro, como participam na perseguição dos líderes fugitivos da região, embora o Governo da Etiópia tenha negado a sua presença no país.

A nova posição dos EUA constitui uma mudança drástica em relação à assumida por Washington nos primeiros dias do conflito, quando a Administração Trump elogiou a Eritreia pela sua "contenção".

A nova declaração do Departamento de Estado apela a uma investigação independente e transparente dos alegados abusos, admitindo são ser "ainda claro quantos soldados eritreus estão em Tigray, ou exatamente onde".

A AP tentou, sem sucesso, recolher uma reação do gabinete do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz de 2019, assim como não determinou se a exigência dos EUA foi encaminhada diretamente aos governos etíope e eritreu.

O ministro eritreu da informação, Yemane G. Meskel, disse esta semana através da rede social Twitter que "a raivosa campanha de difamação contra a Eritreia está de novo em alta". "Os fornecedores de desinformação incessante/reciclada são os culpados habituais: na linha da frente está a [organização de direitos humanos] Human Rights Watch,(...) apanhada já em 2012 com as calças em baixo na maliciosa agenda de 'mudança de regime'", acrescentou.

O Departamento de Estado apelou ainda à paragem imediata dos combates em Tigray e a um "acesso humanitário pleno, seguro e sem entraves" à região, que permanece em grande parte isolada do exterior, sendo que as forças etíopes acompanham frequentemente a ajuda que chega à província.

"Estamos seriamente preocupados com relatos credíveis de que centenas de milhares de pessoas podem morrer à fome, se a ajuda humanitária urgente não for mobilizada imediatamente", disse a declaração enviada à AP.

Cerca de 2,3 milhões de pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária na região, de acordo com o último relatório da Agência das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), dos quais cerca de 950.000 já se encontravam refugiados.

Embora o Governo etíope tenha assinado, em 09 de dezembro, um acordo com as Nações Unidas para acesso dos trabalhadores humanitários à região de Tigray, após um mês de proibição, este "continua restrito devido à violência e aos obstáculos burocráticos", aponta o relatório da OCHA.

Em 28 de novembro, após a tomada do controlo militar da capital regional do Tigray, Mekele, pelas tropas federais, Abiy Ahmed anunciou o fim da ofensiva armada contra a região, o que a ONU nega.

O conflito começou em 04 de novembro depois de o Governo ter decidido lançar uma operação militar contra a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) - partido que governa a região - alegadamente em retaliação a um ataque das forças regionais contra uma base do Exército federal naquele território.

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