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Líder do Tigray apela a primeiro-ministro etíope para "parar com loucura"

O líder regional de Tigray, norte da Etiópia, apelou hoje ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, para "parar a loucura" e retirar as tropas federais da região, afirmando que os combates continuam "em todas as frentes".

Líder do Tigray apela a primeiro-ministro etíope para "parar com loucura"
Notícias ao Minuto

11:56 - 30/11/20 por Lusa

Mundo Tigray

Numa entrevista telefónica com a agência Associated Press, Debretsion Gebremichael, presidente do estado autónomo do Tigray e líder do partido no poder na região, Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF, na sigla em inglês), afirmou que se encontra fisicamente perto da capital do estado, Mekele, que o exército etíope ocupou militarmente no último sábado.

"Temos a certeza de que vamos ganhar", afirmou à AP Debretsion Gebremichael, manifestando-se longe de aceitar a proclamação de vitória de Abiy Ahmed no sábado. O líder tigray acusou ainda as forças federais etíopes de levarem a cabo uma "campanha genocida" contra o povo tigray.

Com a região de Tigray ainda cortada pelas forças federais, e em virtude do blackout imposto por Adis Abeba às comunicações na região, um mês após o início dos combates, não se sabe quantas pessoas foram mortas, assim como se revela quase impossível verificar as reivindicações, militares e outras, por parte das partes beligerantes.

Os governos federal e regional consideram-se reciprocamente ilegais, depois de Abiy ter adiado as eleições gerais no país em setembro, a pretexto da crise sanitária da covid-19, determinação que Tigray não aceitou, prosseguindo as eleições na região -- não reconhecidas por Adis Abeba - e elegendo por esmagadora maioria a TPLF.

A luta é pela autodeterminação da região de cerca de 6 milhões de pessoas, afirmou Gebremichael, e "vai continuar até que os invasores saiam".

O líder da região separatista afirmou que as suas forças detêm um número indeterminado de "prisioneiros" militares pertencentes às forças etíopes, incluindo o piloto de um caça que as forças tigray afirmam ter abatido durante o fim-de-semana.

Gebremichael afirmou ainda que as suas forças detêm vários mísseis, que "podem utilizar sempre que quiserem". Não obstante, rejeitou uma pergunta sobre um eventual ataque à capital etíope, Adis Abeba, sublinhando que o objetivo principal das forças que lidera é "libertar Tigray dos invasores".

Por outro lado, acusou mais uma vez Abiy Ahmed de colaborar com a vizinha Eritreia na ofensiva em Tigray, o que o governo etíope já negou.

Quanto ao apelo internacional para que as partes se sentem a uma mesa de conversações, que o governo de Abiy Ahmed tem rejeitado repetidamente, Gebremichael esclareceu que essa possibilidade "depende do conteúdo", mas com a condição prévia de as forças federais etíopes abandonarem primeiro a região.

"As baixas civis são tão elevadas", disse, negando ter uma estimativa sobre o respetivo número e acusando as forças federais de pilharem "tudo onde quer que vão".

"O sofrimento é cada dia maior", disse, considerando-o como um castigo coletivo contra o povo tigray por acreditar nos seus líderes.

Os combates entre as forças federais etíopes e as forças regionais do Tigray, iniciados no passado dia 4, ameaçam desestabilizar a Etiópia, um país-chave na região estratégica do Corno de África, e alastrar aos países vizinhos.

Hospitais e centros de saúde em Tigray estão a funcionar com medicamentos e outros mantimentos "perigosamente abaixo" das necessidades para cuidar dos feridos, segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no domingo. Os alimentos também estão a escassear, em resultado da região estar isolada da ajuda externa desde há quase um mês.

Num raro relatório a partir de Mekele, o CICV revelou ainda que o maior hospital na região no norte da Etiópia, o Ayder Referral Hospital, tem falta de sacos para corpos e que cerca de 80% dos seus pacientes têm ferimentos por trauma.

Os receios de um desastre humanitário generalizado crescem à medida que se somam os dias sem que as Nações Unidas e as organização de ajuda humanitária sejam autorizadas a aceder à região do Tigray.

Grupos de direitos humanos e outros têm manifestado preocupações com as atrocidades que possam vir a ser conhecidas uma vez restabelecidas as comunicações e as ligações de transporte de e para a região.

Cerca de 1 milhão de pessoas foram deslocadas pela guerra, incluindo cerca de 44.000, que fugiram para o Sudão. Vários acampamentos de deslocados na região de Tigray, onde vivem 96.000 refugiados eritreus, têm estado na linha de fogo.

"Precisamos, antes de mais, de acesso a Tigray", disse no domingo o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, acrescentando que os seus colegas da ONU em Adis Abeba estão em discussões com o governo etíope para obterem essa autorização.

O governo de Abiy Ahmed prometeu criar um "corredor humanitário", a ser gerido pelas forças federais, mas a ONU sublinhou que deve ser neutro.

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