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Hong Kong: Manifestantes pró-democracia saem à rua com cartazes em branco

Em Hong Kong, manifestantes pró-democracia brandiram hoje ostensivamente cartazes em branco depois da entrada em vigor, no início de julho, da nova lei de segurança nacional imposta pela China.

Hong Kong: Manifestantes pró-democracia saem à rua com cartazes em branco

Os manifestantes pretendem daquela forma expressar os receios pelo fim da liberdade de expressão na cidade onde vozes dissidentes se exprimem de forma ruidosa e colorida.

Hong Kong foi palco de protestos em massa no ano passado, intercalados com violência, durante os quais 9.000 pessoas foram presas.

Com a nova lei de segurança, até protestos pacíficos se tornam arriscados. Oito manifestantes que empunhavam, em silêncio, grandes folhas de papel sem nada escrito, foram presos esta semana num centro comercial.

Jessie, uma adolescente de 16 anos que, na segunda-feira, se juntou a cerca de 70 pessoas reunidas no centro comercial de Kwun Tong, explicou à agência France-Presse que os cartazes em branco enviam uma mensagem forte ao governo.

"O que não conseguem ver é o que nos importa mais, e o que não conseguem ver vai continuar a existir nas nossas mentes e corações. Talvez a nossa liberdade de expressão esteja atualmente comprometida, mas depois do que aconteceu no ano passado, tenho a certeza que a mente das pessoas não está em branco", afirmou.

Por seu lado, Carrie, uma estudante de 17 anos, disse que o "pedaço de papel em branco representa o terror branco", utilizando uma expressão chinesa que designa as perseguições políticas.

Na segunda-feira, o governo de Hong Kong ordenou que as escolas removessem os livros que pudessem violar as leis de segurança. Dois dias antes, as bibliotecas anunciaram que fariam o mesmo.

Entre os autores cujos títulos deixaram de estar disponíveis estão Joshua Wong, um dos ativistas mais famosos, e Tanya Chan, uma conhecida deputada pró-democracia.

Os 'slogans' e bandeiras que adornavam os cartazes dos manifestantes no ano passado, ou os gritos de guerra, são agora ilegais. Ativistas pró-democracia começaram a limpar as pegadas digitais na Internet e as lojas estão a livrar-se de qualquer sinal ou objeto comprometedor.

Apesar dos medos e incertezas, muitos habitantes de Hong Kong estão a encontrar maneiras de fazer com que as suas vozes sejam ouvidas, usando jogos de palavras ou frases que soam como as que foram banidas, mas com um significado diferente.

"Se o governo quisesse publicar uma lista negra de palavras proibidas, teria que a atualizar diariamente", brincou um homem de 54 anos, apelidado Law.

"Se os papéis brancos também forem ilegais, eu sairia à rua com papéis de outras cores", concluiu.

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