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Um retrato da Cisjordânia, território palestiniano que Israel quer anexar

A Cisjordânia é um território palestiniano ocupado desde 1967 por Israel, que pretende anexar algumas das suas partes, depois de ter feito o mesmo a Jerusalém Oriental.

Um retrato da Cisjordânia, território palestiniano que Israel quer anexar

O governo israelita deve apresentar a partir de 1 de julho a sua estratégia para aplicar o plano norte-americano para o Médio Oriente, que prevê a anexação pelo Estado hebreu de muitos colonatos e do vale do Jordão.

As negociações entre israelitas e palestinianos foram suspensas em abril de 2014 pelo Estado hebreu, após o anúncio da reconciliação entre a maior fação da Organização de Libertação da Palestina (OLP), a Fatah, e o Hamas, movimento radical palestiniano que controla a Faixa de Gaza.

O processo de paz está parado desde então.

O Acordo Provisório israelo-palestiniano determina que o estatuto permanente da Cisjordânia deve ser decidido por meio de negociações adicionais.

Geografia

Situada a leste de Israel e a oeste da Jordânia, a Cisjordânia é um território com 5.655 quilómetros quadrados, pouco mais do que o distrito da Guarda, o sétimo maior de Portugal, com 5.500 quilómetros quadrados.

Na sequência dos acordos de Oslo sobre a autonomia palestiniana, assinados em 1993 entre israelitas e palestinianos, o líder da OLP Yasser Arafat volta aos territórios ocupados e cria a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP). Em 2005 é substituído por Mahmud Abbas.

No quadro dos acordos de Oslo, a Cisjordânia está dividida em três setores: A, com controlo civil e de segurança da ANP, as forças israelitas às vezes realizam incursões para buscas e detenções de alegados militantes; B, com controlo civil palestiniano e controlo de segurança conjunto israelo-palestiniano; C, sob controlo exclusivo de Israel.

A zona C constitui cerca de 60% do território. A Autoridade Nacional Palestiniana exerce poder sobre os restantes 40% da Cisjordânia, constituídos principalmente por centros urbanos.

Israel controla igualmente todos os acessos ao território, que designa pelos nomes bíblicos de Judeia e Samaria.

O vale do Jordão, que se estende do mar da Galileia ou lago Tiberíades a sul ao Mar Morto a norte, é uma zona estratégica para Israel em termos de segurança e também para a sua indústria agrícola e recursos hídricos.

População

No território vivem mais de 2,8 milhões de palestinianos ao lado de mais de 450.000 israelitas que habitam em colonatos considerados ilegais pela lei internacional.

Cerca de 10.000 dos 450.000 colonos na Cisjordânia vivem no vale do Jordão, segundo dados do governo israelita e de organizações não-governamentais. Cerca de 65.000 palestinianos também, incluindo na cidade de Jericó (20.000 habitantes), de acordo com a organização israelita anti-colonização B'Tselem.

Colonatos

Três meses depois de ter ocupado a Cisjordânia na designada "guerra dos seis dias", Israel autoriza a partir de setembro de 1967 a reconstrução, nas ruínas de um 'kibutz', de Kfar Etzion, ao sul de Jerusalém, que se tornou o primeiro colonato neste território palestiniano.

A partir dos anos 1970, Israel começa a estabelecer uma rede de colonatos, cuja ilegalidade face ao direito internacional não tem impedido o seu alargamento.

Atualmente serão cerca de 130, a maioria formando uma espécie de colar, ligado por estradas em áreas sob controlo militar israelita.

Os colonatos e o vale do Jordão -- faixa de terras agrícolas que representa perto de 30% da Cisjordânia -- que o Estado hebreu deseja anexar situam-se na zona C.

Dados da União Europeia consultados pela agência France-Presse indicam que foi no vale do Jordão que as autoridades israelitas fizeram mais demolições desde 2009, destruindo cerca de 2.400 construções de palestinianos.

Segundo dados reunidos pela organização israelita Paz Agora, o número de habitações aprovadas nos colonatos quase que duplicou (mais 90%) desde que Donald Trump, dedicado defensor de Israel, se tornou Presidente dos Estados Unidos.

Economia

As restrições israelitas às importações, exportações, movimentação de bens e pessoas dificultam o desenvolvimento económico do território e a ANP depende da ajuda de doadores para as necessidades orçamentais e desenvolvimento de infraestrutura.

Segundo o Banco Mundial, a taxa de pobreza na Cisjordânia é de cerca de 14%. A taxa de desemprego era de 16% em 2018, com base em dados do coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Médio Oriente (UNSCO, na sigla em inglês).

Cerca de 120.000 palestinianos trabalhavam diariamente em Israel ou nos colonatos antes da pandemia de covid-19.

Segundo o UNSCO, o salário médio diário no setor privado na Cisjordânia é de cerca de 118 shekels (30,5 euros) contra 237,5 shekels (61,4 euros) em Israel e nos colonatos.

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