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Sérvia proíbe voos do Montenegro em plena tensão entre os antigos aliados

As autoridades sérvias proibiram hoje a companhia aérea do Montenegro de efetuar voos em direção a Belgrado após o Governo deste pequeno país ter aberto as suas fronteiras aos cidadãos de diversos países da Europa, mas excluindo a Sérvia.

Sérvia proíbe voos do Montenegro em plena tensão entre os antigos aliados
Notícias ao Minuto

14:27 - 27/05/20 por Lusa

Mundo Sérvia

O Comité diretivo da aviação civil sérvia disse que os aviões do Montenegro não podem aterrar a partir de hoje no aeroporto Nikola Tesla.

A agência governamental considerou que as viagens sem restrições entre os dois países vizinhos foram "seriamente violadas" após as autoridades de Podgorica terem decidido proibir a entrada de cidadãos sérvios no Montenegro.

A suspensão dos voos vem aprofundar as tensões entre os antigos aliados dos Balcãs, que integravam o mesmo Estado até ao referendo independentista de 2006 que decorreu no Montenegro.

As linhas aéreas montenegrinas planeavam retomar os voos para a capital sérvia a partir de 01 de junho e a Air Serbia ainda tem planeados voos para dois destinos no Montenegro a partir de 07 de junho.

No passado domingo, o Montenegro, com cerca de 650.000 habitantes e banhado pelo mar Adriático, foi o primeiro país europeu que se autodeclarou "livre do coronavírus".

O último caso ativo da covid-19 no país remonta a há três semanas, de acordo com os dados oficiais, que indicam um total de 324 casos desde a deteção do primeiro, em 17 de março, e nove mortos.

O primeiro-ministro montenegrino Dusko Markovic indicou na segunda-feira que as fronteiras vão ser abertas a partir de 01 de junho para os cidadãos dos países que cumpram os critérios estabelecidos pelas autoridades de Saúde do pequeno Estado balcânico: registarem um máximo de 25 doentes com covid-19 por cada 100.000 habitantes.

A lista inclui a Croácia, Eslovénia, Áustria, Alemanha, Polónia, República Checa, Hungria, Albânia e Grécia.

"Vamos abrir as fronteiras aos países que possuem um idêntico estatuto epidemiológico", disse.

"Não vamos solicitar testes especiais, todos vão receber instruções claras sobre o que os espera no país e que regulamentos devem respeitar", acrescentou.

Belgrado denunciou uma "decisão política" e hostil, apesar de não ter referido se cumpre os critérios impostos pelo Montenegro. A Sérvia (7,5 milhões de habitantes) tem registados cerca de 11.000 casos e perto de 240 mortes.

Os responsáveis montenegrinos tentaram conter os protestos de Belgrado ao referirem que a lista de cidadãos estrangeiros autorizados a entrar no país ainda não estava "concluída".

Hoje, o Presidente sérvio Aleksandar Vucic considerou a proibição dos voos a resposta "mais educada e legal" à proibição imposta aos cidadãos sérvios, acrescentando que o seu país não encerrará as suas fronteiras aos cidadãos montenegrinos, porque prejudicaria os sérvios que vivem no Estado vizinho.

As tensões entre o Governo montenegrino e Belgrado agravaram-se na sequência de uma lei adotada em finais de dezembro de 2019 pelo parlamento de Podgorica, considerada pela igreja ortodoxa sérvia como uma forma de expropriação das suas propriedades, incluindo igrejas e mosteiros.

A igreja ortodoxa sérvia, sediada em Belgrado, ainda permanece a principal instituição religiosa no Montenegro, que durante quase 90 anos esteve unido à Sérvia. Pelo menos 30% da população montenegrina identifica-se como sendo sérvia.

As questões identitárias há muito que dividem o Montenegro, com eleições previstas para o outono, um censo populacional previsto para a primavera de 2021 e ainda confrontado com a perspetiva de uma crise económica, num país muito dependente do turismo.

Na sequência da aprovação da polémica lei de 2019, as tensões prosseguiram durante o estado de emergência sanitária, com a Igreja ortodoxa sérvia a declarar-se discriminada pelas medidas de proteção contra o coronavírus.

Nesse período, diversos padres foram detidos por desrespeito das medidas sanitárias.

A atmosfera que se seguiu à adoção da lei sobre as liberdades religiosas faz regressar o país à época anterior ao referendo sobre a independência, em maio de 2006, quando o Montenegro do todo poderoso Presidente Milo Djukanovic decidiu romper com a Sérvia e aproximar-se do Ocidente.

O Montenegro aderiu à NATO em junho de 2017 e iniciou as negociações de adesão à União Europeia em junho de 2012, um estatuto obtido posteriormente pela Sérvia.

O regime pró-ocidental de Podgorica tem ainda acusado Belgrado e Moscovo de tentativas de desestabilização, em particular após a decisão em aderir à aliança militar.

No início de maio, a organização não-governamental Freedom House alterou o estatuto do Montenegro de "democracia em transição" para "regime híbrido", como sucedeu em 2003, também justificado pelas recentes detenções de diversos ativistas da oposição por comentários emitidos nas redes sociais.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 350 mil mortos e infetou mais de 5,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Cerca de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

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