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Egito, Etiópia e Sudão anunciam acordo para enchimento de barragem

Egito, Etiópia e Sudão anunciaram, em comunicado conjunto divulgado na noite de quarta-feira, ter alcançado um acordo preliminar para o enchimento e funcionamento da barragem do Nilo Azul, um projeto de 5 mil milhões de dólares.

Egito, Etiópia e Sudão anunciam acordo para enchimento de barragem
Notícias ao Minuto

12:06 - 16/01/20 por Lusa

Mundo Barragens

O comunicado conjunto foi divulgado no final de três dias de reuniões, em Washington, dos ministros dos Negócios Estrangeiros e responsáveis dos recursos hídricos dos três países com o secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, e com o presidente do Banco Mundial, David Malpass.

O projeto, conhecido como Grande Barragem do Renascimento, localizado na Etiópia, está concluído em 70% e deverá fornecer eletricidade a mais de 100 milhões de etíopes, mas as autoridades egípcias receiam que o enchimento demasiado rápido da barragem possa representar uma redução da água disponível no Nilo para abastecimento do Egito.

O comunicado conjunto não divulgou detalhes sobre o tempo acordado para encher a barragem, adiantando apenas que deverá ocorrer por fases durante a estação das chuvas, que ocorre em regra em julho e agosto.

O ministro da Etiópia para a Água e Energia, Sileshi Bekele, tinha apontado anteriormente o prazo de 12 meses para completar o processo, enquanto o Egito reclamava o alargamento para 21 meses.

As discussões desta semana tiveram como objetivo estabelecer as regras e diretrizes para mitigar as condições de seca com base no fluxo natural do Nilo e nas taxas de liberação de água do reservatório da barragem.

O acordo estabelece que o enchimento da barragem pode continuar em setembro, mediante condições, com vista a começar com a geração de energia, enquanto prevê medidas de mitigação para o Egito e o Sudão em caso de secas graves.

"Os ministros concordam que existe uma responsabilidade partilhada dos três países na gestão da seca e da seca prolongada", adiantaram.

De acordo com a declaração, as decisões sobre a entrada em funcionamento da barragem só serão definitivas quando os países concordarem em todos os pontos de um acordo final, que se estima seja conseguido numa nova reunião agendada para os dias 28 e 29 de janeiro, em Washington.

"Os ministros reconhecem os significativos benefícios regionais que podem resultar da conclusão de um acordo [...] em matéria de cooperação transfronteiriça, desenvolvimento regional e integração económica", sublinhou a declaração.

Num discurso, na última Assembleia Geral das Nações Unidas, o Presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sissi, assegurou que nunca permitiria que a Etiópia impusesse uma "situação de facto", de enchimento da barragem sem um acordo sobre o seu funcionamento.

A comunicação social pró-governamental no Egito tem abordado a questão como uma ameaça à segurança nacional que poderia justificar uma ação militar, levando o primeiro-ministro etíope e vencedor do Prémio Nobel da Paz, Abiy Ahmed, a advertir no ano passado que, se houvesse necessidade de entrar em guerra por causa do projeto de barragem, o seu país poderia mobilizar milhões de pessoas.

Abiy acrescentou, no entanto, que só a negociação pode resolver o atual impasse.

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