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SPD vira à esquerda e pode precipitar novas eleições na Alemanha

O Partido Social Democrata (SPD) pode votar na sexta-feira a saída da "Grande Coligação" que governa o Alemanha e conduzir o país a novas eleições.

SPD vira à esquerda e pode precipitar novas eleições na Alemanha
Notícias ao Minuto

08:44 - 04/12/19 por Lusa

Mundo Alemanha

A possibilidade assenta no facto de o SPD ter escolhido dois líderes que defendem uma viragem à esquerda e o corte com a União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel.

A poucos dias do congresso do SPD, que começa esta sexta-feira, e se prolonga até domingo, multiplicam-se as reações e os receios sobre o futuro político do país. Se por um lado, a ala esquerda que agora lidera o SPD quer renegociar os termos da coligação, a CDU já disse não estar disposta a estabelecer novas conversações.

"Agora podemos esperar a vontade de um afastamento das políticas adotadas na Grande Coligação, que visava consolidar o orçamento. A nova liderança quer autorizar mais dívidas, por exemplo, para expandir a infraestrutura pública", considera em declarações à agência Lusa Ursula Münch, diretora da Academia para a Educação Política (Akademie für Politische Bildung).

Depois de obter dos piores resultados eleitorais de sempre, a antiga líder Andrea Nahles deixou o lugar livre. Com uma margem pouco expressiva, Norbert Walter-Borjans, ex-secretário das Finanças do Estado da Renânia do Norte-Vestfália, e a deputada Saskia Esken venceram a eleição pela liderança do partido de centro-esquerda com 53,06% dos votos, que se realizou no passado fim de semana.

A equipa, pouco conhecida e pouco adepta da permanência na coligação com a União Democrata Cristã e a União Social Cristã (CSU), derrotou o ministro das Finanças, Olaf Scholz, e Klara Geywitz, que conseguiram 45,33% dos votos.

Os dois novos líderes querem discutir o pacote de medidas da chamada "GroKo", dando-lhe um cariz mais social, com uma fatia orçamental mais dedicada ao ambiente e à construção de novas infraestruturas, por exemplo.

"Se a Juventude Socialista (Jusos), liderada por Kevin Kühnert, conseguir, mais uma vez, dominar o debate, isso poderá levar a uma posição clara contra a 'Grande Coligação'", admite a politóloga Ursula Münch, explicando que uma cláusula no atual acordo poderá estar em causa.

"A clausula estabelece que, no meio do período legislativo (ou seja, agora), seja realizada uma 'avaliação do acordo de coligação' (...) A nova liderança do SPD quer usá-la para exigir novas concessões do parceiro de coligação. Dependendo do alcance dessas exigências, os parceiros podem não estar preparados a ceder", frisa.

A chanceler Angela Merkel, através de um porta-voz, sublinhou na segunda-feira estar disponível a debater e a cooperar nesta nova fase do SPD "como é habitual numa coligação". Mas acabou por descartar uma renegociação geral.

Também a líder da CDU e ministra das finanças, Annegret Kramp-Karrenbauer revelou, no canal de televisão ZDF, que o facto de um dos partidos ter mudado a sua liderança, "não significa que se tenha de renegociar o acordo completamente", avançando que "os novos líderes do SPD têm de decidir se querem ou não continuar".

O SPD governou ao lado da CDU e do Partido Social Cristão da Baviera (CSU) em 10 dos últimos 14 anos. O acordo de coligação, de 175 páginas, foi conseguido há menos de dois anos depois de um longo período de negociação.

Se o SPD decidir deixar a coligação, a CDU será forçada a assumir a governação sozinha, sem maioria, ou a Alemanha terá de enfrentar novas eleições antecipadas.

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