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Brexit e aborto. A campanha das eleições britânicas na Irlanda do Norte

'Brexit', aborto, saúde e a falta de assembleia autónoma são alguns dos temas da campanha na Irlanda do Norte para as eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro.

Brexit e aborto. A campanha das eleições britânicas na Irlanda do Norte

Estes temas dividem os partidos e os eleitores, mas também uniram rivais históricos em torno de objetivos comuns, tornando ainda mais complexa a política da região:

Brexit

O risco de voltar a existir uma fronteira terrestre na ilha da Irlanda complicou o processo do 'Brexit', levando ao chumbo do primeiro acordo negociado por Theresa May, e à contestação do segundo, obtido pelo atual primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Enquanto que o primeiro mantinha o Reino Unido inteiro alinhado com o mercado único como resultado do mecanismo conhecido por 'backstop', o novo acordo deixa apenas a Irlanda do Norte alinhada com regras europeias, criando barreiras no movimento de mercadorias com o resto do Reino Unido.

Dos cinco principais partidos da Irlanda do Norte, o Partido Democrata Unionista (DUP) é o único eurocético, enquanto que o Aliança, Sinn Féin, o Partido Social Democrata e Trabalhista (SDLP) e o Partido Unionista do Ulster (UUP) são favoráveis à permanência na UE.

Pactos

Os partidos 'unionistas' têm por hábito realizar pactos em certos círculos eleitorais, a fim de evitar a fragmentação dos votos e permitir a eleição de candidatos nacionalistas.

Nestas eleições, o UUP aceitou não concorrer em North Belfast para favorecer o proeminente eurocético Nigel Dodds, líder parlamentar do DUP, que, por sua vez, se retirou do círculo de Fermanagh e South Tyrone para ajudar Tom Elliot, do UUP, a derrotar Michelle Gildernew, do Sinn Féin.

Desta vez, os partidos nacionalistas também chegaram a um entendimento, tendo o Sinn Féin abdicado de concorrer em East Belfast, South Belfast e North Down, para tentar favorecer candidatos pró-europeus.

Em South Belfast, apoia Claire Hanna, do SDLP, cujo partido abdicou de concorrer em North Belfast para favorecer o Mayor de Belfast, John Finucane, do Sinn Féin.

Ambos os partidos não concorrem em East Belfast e em North Down para maximizar as hipóteses dos candidatos do partido centrista pró-europeu Aliança, Naomi Long e Stephen Farry, respetivamente.

Abstencionismo

Em 2017, o Sinn Féin elegeu sete deputados para a Câmara dos Comuns, mas manteve a tradição de não os enviar para Londres. Desde 1918 que o partido nacionalista recusa assumir funções por não reconhecer a soberania do parlamento britânico.

Nos últimos dois anos, sofreu pressões para abandonar o princípio e ajudar a parar o 'Brexit', mas não cedeu. Os eleitores que desejem ser devidamente representados poderão optar por partidos mais moderados, como o SDLP ou Aliança, sem trair o sectarismo e votar num partido 'unionista'.

Assembleia autónoma de Stormont

A Assembleia autónoma de Stormont está sem funcionar desde as eleições regionais de 2017 devido a divergências entre o Sinn Féin e DUP. Os dois partidos entraram em colisão devido às irregularidades com um programa de subsídios para energias renováveis.

Atualmente, estão num impasse devido à falta de um acordo para formar um governo comum, por discordarem em questões como o ensino da língua gaélica. Os acordos de paz de 1998 determinam que o poder na Irlanda do Norte seja partilhado entre os dois principais partidos das comunidades católica e protestante.

Os partidos mais pequenos alegam que DUP e Sinn Féin não estão a defender os interesses dos eleitores. O prazo para um entendimento é 13 de janeiro de 2020, ou o governo britânico terá de convocar novas eleições regionais.

Aborto

Aproveitando a paralisia do governo descentralizado em Belfast, a Câmara dos Comuns aprovou a descriminalização do aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte.

O tema é bastante controverso na região, onde a sociedade continua a ser socialmente conservadora. O unionista DUP e o nacionalista Aontú são contra, o Sinn Féin a favor, mas Aliança, UUP e SDLP não têm uma posição definida e dão liberdade aos membros para decidirem.

 Saúde

O sistema de saúde na região está em crise aguda, com mais de 300 mil pessoas nas listas de espera para consultas nos hospitais, um terço das quais tem de esperar mais de um ano. A saúde é uma responsabilidade do governo autónomo, mas a sua ausência implica que a gestão corrente fique a cargo de funcionários públicos, sem competência para tomar decisões sobre contratações ou investimentos.

Este mês, os enfermeiros iniciaram uma greve para pedir aumentos e protestar contra os cerca de 3.000 postos vagos, que forçam ao trabalho de horas extraordinárias, resultando no cancelamento de consultas e operações.

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