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ONU preocupada com uso de força letal e relatos de vários mortos no Irão

A ONU denunciou hoje o uso excessivo de força contra manifestantes no Irão, incluindo o recurso a balas reais, manifestando preocupação com os relatos que indicam um número "significativo" de mortos durante os recentes protestos naquele país.

ONU preocupada com uso de força letal e relatos de vários mortos no Irão
Notícias ao Minuto

14:53 - 19/11/19 por Lusa

Mundo ONU

"Estamos particularmente alarmados com a utilização de munições reais que terão provocado um número significativo de mortos em todo o país", afirmou o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, em declarações à comunicação social em Genebra (Suíça).

"Também pedimos igualmente ao Governo que restabeleça imediatamente o acesso dos iranianos à Internet, bem como de outras formas de comunicação, que permitem a liberdade de expressão e o acesso à informação", acrescentou o representante.

Várias cidades do Irão estão a ser cenário de tumultos e de violentas manifestações desde sexta-feira à noite, protestos que começaram poucas horas depois do anúncio do Governo iraniano de um forte aumento do preço da gasolina.

O clima de agitação nas ruas iranianas aparentemente esmoreceu nas últimas horas, apesar do Governo de Teerão ter bloqueado o acesso à Internet e do registo de várias detenções.

Devido ao bloqueio quase total do acesso à Internet no país, a verificação da situação no terreno, nomeadamente o número de mortos e de feridos após quatro dias de tumultos, é muito difícil de fazer.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos indicou que o número de vítimas mortais nos protestos ronda as várias "dezenas" segundo os "'media' iranianos e outras fontes", admitindo, no entanto, que está a ser muito difícil verificar qualquer balanço de vítimas.

Rupert Colville acrescentou que "muitas" outras pessoas terão ficado feridas durante as manifestações e "mais de 1.000 manifestantes foram presos".

Na noite de segunda para terça-feira, as agências semioficiais iranianas Isna e Fars noticiaram a morte de três elementos das forças policiais, relatando que os agentes tinham sido "esfaqueados" por "manifestantes numa emboscada" na província de Teerão, a oeste da capital iraniana.

Pelo menos outras seis pessoas foram mortas durante os protestos, segundo informações publicadas por várias agências iranianas, grande parte divulgadas sem fontes ou sem muitos pormenores.

Outros balanços de vítimas, com números mais expressivos e pesados, têm sido divulgados através das redes sociais, mas a verificação destas informações é, neste momento, impossível.

"Exortamos as autoridades e as forças de segurança iranianas a evitarem o uso de força para dispersar assembleias pacíficas", disse Rupert Colville.

"E exortamos também os manifestantes a se manifestarem pacificamente, sem recorrer à violência física ou à destruição de bens", prosseguiu o porta-voz.

No domingo, o Presidente iraniano, Hassan Rohani, declarou que o Estado não devia "permitir a insegurança" face aos "tumultos" desencadeados em várias cidades do país.

"Manifestar o seu descontentamento é um direito, mas a manifestação é uma coisa e o tumulto é outra", disse então Rohani, defendendo na mesma ocasião que o Estado não devia "permitir a insegurança na sociedade".

De acordo com o plano anunciado pelo governo, o preço da gasolina, bastante subsidiada no Irão, deve aumentar 50% para 15.000 riais (11 cêntimos de euro) para os primeiros 60 litros adquiridos cada mês e 300% além disso.

As receitas da subida dos preços destinam-se a subsidiar 60 milhões de iranianos com necessidades, segundo explicou o responsável pela Planificação e Orçamento, Mohammad Bagher Nobakht.

O Irão, com 83 milhões de habitantes, registou uma quebra da sua moeda, o rial, ligada em parte às sanções económicas restabelecidas a partir de meados de 2018 pelos Estados Unidos (EUA), após a retirada unilateral de Washington do acordo internacional sobre o nuclear iraniano de 2015.

A inflação na República Islâmica é superior a 40% e, segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia deve contrair-se 9% este ano, antes de registar um crescimento de 0% em 2020.

Ainda em Genebra, Rupert Colville mencionou as "graves dificuldades económicas que o país enfrenta, nomeadamente no contexto das sanções dos EUA", mas instou o Governo de Teerão a iniciar um "diálogo construtivo" com os vários atores da sociedade iraniana.

"O mero ato de reagir com palavras duras e um punho de ferro arrisca-se a ser não só uma violação das normas e dos padrões internacionais, mas também um agravamento sério da situação, em detrimento de todos, incluindo do Governo", advertiu o porta-voz.

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