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Catalunha: Milhares de manifestantes procuram bloquear transportes

Milhares de pessoas saíram hoje à rua em várias localidades da Catalunha, fechando estradas e bloqueando transportes públicos, para contestar as condenações de antigos membros da administração autónoma, por sedição e má gestão de fundos públicos.

Um grupo organizado de ativistas distribuía, hoje de manhã, bilhetes de acesso ao aeroporto de El Prat, nos arredores de Barcelona, com o intuito de provocar o colapso dos controlos dos terminais pela afluência de utentes.

Muitos destes grupos são alimentados por estudantes, estimando-se que sejam 25 mil os que se manifestam na Praça da Catalunha - uma das mais concorridas da cidade - com muitos deles, convocados por associações estudantis, a tentar boicotar o normal funcionamento dos serviços de transportes.

Nas redes sociais circulam mensagens a apelar à "revolta popular" e à "desobediência civil", a partir de contas oficiais de diversos grupos independentistas e de outras individuais, bem como mobilizando os cidadãos a uma concentração em frente ao Supremo Tribunal de Justiça de Catalunha, sob o lema "Sinalizaremos os repressores, sinalizaremos a (in)justiça".

As autoridades policiais foram obrigadas a fechar os acessos ao parque Ciutadella, onde está sediado o Parlamento catalão, local privilegiado de contestação às sentenças contra os antigos dirigentes, hoje conhecidas, que provocaram a indignação entre muitos independentistas.

Uma centena de funcionários da Generalitat e de deputados concentraram-se em frente ao Parlamento, numa manifestação silenciosa, exibindo cartazes com fotografias dos dirigentes hoje condenados.

A Federação Catalã de Futebol (CFC) anunciou hoje a suspensão de todas as atividades, explicando, em comunicado, estar "solidária com os políticos condenados" e dizendo ter anulado a disputa de partidas de futebol marcadas para as próximas horas.

Os protestos já se alargaram a outras cidades catalãs e os Mossos de Esquadra [polícia regional] estimam que quase seis mil pessoas estejam concentradas em frente da delegação da Generalitat, em Girona, repetindo cenários que se verificam em numerosas praças e ruas.

A autarquias de Girona e Tarragona suspenderam mesmo as suas atividades institucionais, programadas para o dia de hoje e estão a colaborar com grupos de cidadãos independentes que preparam a leitura de manifestos ao longo da tarde.

Os trabalhadores de hospitais como Clinic, Bellvitge e Sant Pau abandonaram os seus postos de trabalho, para permanecerem em frente aos edifícios, como forma de protesto.

Em muitos casos, os funcionários de diversos serviços e setores nem sequer conseguiram chegar aos locais de trabalho, com importantes vias, como as estradas C-15, C-17 e AP7 a ficarem bloqueadas por marchas lentas de condutores.

O Tribunal Supremo condenou hoje os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até 13 anos de prisão.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram crime de sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num "levantamento público e tumultuoso" para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o comprimento das decisões judiciais.

"Os acontecimentos do dia 1 de outubro" (2017)" não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados", referem os juízes do Supremo espanhol.

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